Ter�a, 30 de junho de 2026, 20:46h
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Falecido em 28 de novembro, vítima de parada cardíaca, Felipe Bastos Alves ficou preso por mais de dois meses no Presídio Regional
O mototaxista Felipe Bastos Lopes, 33, acusado de estupro foi preso em 16 de janeiro do corrente ano. Uma mulher de 36 anos solicitou corrida de mototaxi na esquina das ruas Lobo da Costa com Marechal Deodoro até o hospital da cidade para fazer uma consulta. Em depoimento à polícia, ela alegou que como não foi atendida, pediu ao mesmo motoboy para que a levasse para casa. Segundo a vítima, o motociclista teria tomado outro caminho - em direção à Estrada do Engenho, no bairro Areal, onde se aproveitou da passageira.
A polícia, então, passou a investigar os mototaxistas do ponto. Lopes teria sido reconhecido em fotos e pessoalmente, fazendo com que a Justiça concedesse a prisão preventiva a ser cumprida no Presídio Regional de Pelotas (PRP), onde o mototaxista permaneceu até o início de abril. Porém, exame do Instituto Geral de Perícia (IGP) mostrou que o material genético periciado não era compatível, o que levou Lopes a ser considerado inocente no caso em sentença publicada dia 20 de novembro.
Para a família de Lopes, 33, somente o papel da Justiça não basta. "Meu marido era inocente. Ele passou dois meses e meio na prisão sem poder tomar banho de sol, foi queimado com água quente e sofreu psicologicamente com os horrores que viu. Tudo por um crime que não cometeu", desabafou Iasmin dos Santos, 21. Segundo a esposa, ele lutava contra uma depressão, e oito dias após sair a sentença não resistiu a duas paradas cardíacas, deixando ela e uma filha de 11 meses.
O que diz a Polícia
A titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), delegada Lisiane Mattarredona, diz estar com a consciência tranquila. "Fizemos o levantamento de todos os mototaxistas cadastrados na Prefeitura. A vítima reconheceu o suspeito por fotografia e depois pessoalmente. O indicado como autor do estupro trabalhava no ponto próximo à região onde ocorreu o crime."
Lisiane disse ainda que pediu a Lopes material genético para verificar com o que foi encontrado na vítima. No mesmo dia a coleta de sangue foi enviada ao IGP. "Eu tinha dez dias para concluir o inquérito com base nas investigações", reiterou. A delegada lembrou ainda que Ministério Público e Judiciário aceitaram o pedido de prisão preventiva. "Nós preservamos a identidade do acusado, sendo que não informamos o nome e as fotos foram tiradas de costas. Fizemos o nosso trabalho."
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