S�bado, 27 de junho de 2026, 17:37h
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A madrugada de sábado (3) parecia habitual e tranquila na 1ª Capital Farroupilha. Enquanto uma boa parte da população dormia, outros festejavam com amigos ou em casas noturnas do município.
Todavia, o sossego foi tirado da população piratiniense, principalmente de algumas pessoas que enfrentaram um momento de tensão e medo, talvez o maior de suas vidas.
Era aproximadamente 1h quando um grupo formado por ao menos quatro pessoas armadas com fuzis e carabinas invadiu a cooperativa Sicredi, localizada na avenida Maurício Cardoso, no Centro de Piratini.
Para garantir a fuga da agência bancária, eles começaram a fazer pessoas como reféns. Vizinhos e moradores das proximidades do Sicredi escutaram a sirene tocar e logo em seguida o barulho dos explosivos colocados nos caixas eletrônicos.
Eles acionaram rapidamente a Brigada Militar, que ficou com o telefone congestionado de ligações. Um inspetor da Polícia Civil chegava em sua residência quando foi abordado pelos bandidos, que logo o mandaram descer do carro. Em uma ação de frieza e raciocínio, o policial conseguiu ligar o carro e engatar a ré, percorrendo mais de 200 metros em disparada. Nesse período, teve seu automóvel alvejado por balas, que perfuraram a lataria e radiador do carro.
Posteriormente a duas tentativas mal sucedidas de explodir os caixas, o grupo juntou vários explosivos e em uma grande explosão destruiu uma parte interna da cooperativa, fugindo em um carro Honda Civic preto e deixando os reféns em frente ao local do crime.
Mais tarde, imprensa, vítimas e populares permaneciam no lado externo do Sicredi. A Polícia Civil chegou e rapidamente saiu em disparada a procura dos assaltantes. Talvez perdido do grupo tenha ficado um dos elementos que, ao avistar a polícia, começou a disparar contra as pessoas que ali estavam.
No meio do tumulto, todos correram e se dispersaram, temendo por suas vidas. A Brigada Militar e Polícia Civil continuaram as diligências, porém os criminosos conseguiram fugir por uma das inúmeras saídas e divisas de Piratini.
Resquícios de explosivos foram retirados pelo GATE
O Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) foi acionado para a retirada de resquícios dos explosivos. A polícia isolou toda a quadra e evacuou moradores de residências, visto o eminente risco dos explosivos remanescentes dentro da agência.
O GATE se deslocou de Porto Alegre, chegando aproximadamente às 18h, e durante 1 hora trabalhou na retirada dos explosivos. Primeiro um robô foi utilizado, mas em seguida um técnico precisou entrar na cooperativa, levando o material explosivo para análise e posterior detonação em Porto Alegre.
IGP pericia agência e automóveis alvejados
Quando a agência foi liberada pelo GATE e não havia mais riscos à integridade física das pessoas, o Instituto Geral de Perícias (IGP) foi acionado para periciar o local e também os automóveis alvejados por tiros.
Além do carro do policial civil, outro veículo tentou desobedecer a ordem de parada dos bandidos e foi atingido. O casal que estava dentro do carro ficou como refém e com as outras vítimas, formaram um cordão humano no momento do crime.
Vítima relata momentos de tensão com assaltantes
Estudante universitário e com apenas 19 anos de idade, uma das vitimas, que pediu para não ser identificada, aceitou falar sobre a angustiante madrugada na qual o medo de ter a vida ceifada foi o sentimento predominante em todos.
Ele chegou a sair a pé de casa, porém, pela madrugada fria, retornou e decidiu ir de moto buscar sua namorada. A viajem de aproximadamente 2 quilômetros parecia normal, até surgir um carro na contra mão e outro estacionado no lado esquerdo da avenida.
"Vi aquele carro com farol aceso virado para mim, mas não entendi o que estava acontecendo. Quando percebi, um dos assaltantes apontou a arma em minha direção e mandou descer da moto. O medo era o único sentimento que tive naquele momento", relembrou.
"Fizeram eu e outras três pessoas darmos as mãos e trancarmos a rua. Eles colocaram duas bombas que não explodiram, então acredito que tenham colocado várias bombas interligadas, por que explodiram os dois lados dos caixas", completou a vítima, ao apontar para no mínimo quatro integrantes do grupo com toucas ninja.
O jovem ressaltou um dos momentos de maior tensão, quando os bandidos foram abordar outro automóvel que não obedeceu a ordem e foi alvejado por tiros de fuzil e carabina. "Ficamos aterrorizados. Em todo momento temíamos pela nossa vida", mencionou, ao calcular que a ação durou cerca de 50 minutos.
"Vi outro assaltante escondido atrás de um prédio, então peguei a moto e sai em disparada. Foi nesse segundo momento que ele trocou tiros com a Polícia Civil. O que me chamou atenção foi a tranquilidade dos assaltantes, pareciam muito profissionais", ponderou.
Delegado sustenta investigação árdua para prisão de criminosos
A Delegacia de Polícia de Piratini é a responsável pela investigação do caso. Em entrevista ao Jornal Tradição Regional, o delegado titular no município, Rafael Brodbeck, foi cauteloso na liberação de informações.
Segundo Brodbeck, “qualquer informação liberada nesse momento pode alertar os meliantes e atrapalhar as investigações“. O delegado garantiu que “a polícia está engajada em encontrar e prender os autores desse delito”.
Fonte: Tradição Regional
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