Quinta, 25 de junho de 2026, 21:23h
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A Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar (BM), prendeu preventivamente no dia 11 o policial militar Edelmiro Mendonça Furtado, de 42 anos. O policial é apontado pelas investigações como autor dos disparos que mataram os irmãos Hermínio da Rosa Ávila, de 33 anos, e Horaci da Rosa Ávila, de 35 anos, na noite do dia 2 de março, na localidade Corredor Kubitschek, 4° Distrito.
Uma entrevista coletiva na sede da Delegacia Regional de Pelotas tratou sobre a prisão de Furtado. Conforme o delegado de Piratini, Rafael Brodbeck, o laudo do Instituto Geral de Perícias (IGP) mostrou que não houve troca de tiros como havia alegado o policial. Brodbeck foi incisivo ao afirmar: “A posição e quantidade de disparos comprovam a execução”. Furtado está na BM desde 1998 e foi levado para o Presídio da Brigada Militar, em Porto Alegre. Ele deve responder por homicídio qualificado.
Testemunha foi fundamental para desvendar o caso
Uma testemunha narrou à polícia que na noite do crime havia acontecido uma perseguição aos irmãos. Segundo a fonte delatora, Furtado teria disparado diversas vezes sem dar chance de defesa às vítimas.
Ainda no depoimento, a testemunha disse que os irmãos não revidaram os disparos, algo confirmado pelo laudo do IGP, que não encontrou marcas de tiros no carro do policial.
Justiça decreta prisão temporária de irmão de brigadiano preso
O poder judiciário de Piratini decretou a prisão temporária de Armando Marcos de Mendonça Furtado, conhecido como “Armandinho”, de 46 anos, acusado de envolvimento na morte dos irmãos Ávila.
O mandado de prisão temporária, representado pelo delegado Rafael Brodbeck, foi deferido pelo juiz Mauro Peil Martins e cumprido pelos agentes da Polícia Civil na manhã de sábado (12), quando Armandinho foi detido em sua residência.
O mandado tem prazo de validade de 30 dias. Após os trâmites de praxe, o acusado foi recolhido ao Presídio Regional de Canguçu, onde está à disposição da justiça.
Comandante da BM envia nota de esclarecimento à imprensa
O comandante da Brigada Militar de Piratini, sargento comandante Alci Espinosa de Vasconcelos, enviou uma nota de esclarecimento à imprensa que trata sobre a prisão do policial militar Edelmiro Mendonça Furtado.
No comunicado, Vasconcelos descreve toda a ocorrência envolvendo o fato, assinalando os trabalhos éticos e imparciais da BM e Polícia Civil. Ele assegura que todos os trâmites legais foram tomados, não havendo favorecimento ou quaisquer outras ações a fim de atrapalhar a apuração e veracidade dos fatos.
Por fim, o sargento ressalta que está há 25 anos na BM, tendo total convicção de sua imparcialidade e celeridade nas funções que desempenha, elucidando que somente se manifestou pois teve seu nome “rolando na boca de alguns fofoqueiros”.
Confira abaixo a íntegra da Nota de Esclarecimento.
Nota de Esclarecimento
Eu, 1º Sargento Alci Espinosa de Vasconcelos, comandante da Brigada Militar de Piratini, venho através deste informar que no dia dos fatos envolvendo o soldado Edelmiro e seu irmão Armandinho e que ocasionou na morte de duas pessoas. Por volta das 20 horas, estava em minha casa quando recebi um telefonema do sargento Izair que se encontrava de serviço naquela noite e me relatou que o soldado Edelmiro teria efetuado um ligação via 190 para a Brigada e informado que teria entrado em confronto com abigeatários na propriedade do senhor Armando que é pai de Edelmiro. E nesse confronto restaram os dois abigeatários mortos, e que um veiculo Fiat cor escura teria fugado em direção ao Cancelão. Diante disso, eu na qualidade de comandante direto do soldado Edelmiro e com obrigação funcional de sempre que ficar sabendo de ocorrências dessa natureza envolvendo algum servidor que seja meu subordinado deverei comparecer no local.
Desloquei até o local juntamente com o sargento Isair e soldado Dias , quando entramos no corredor que do acesso ao local da ocorrência nos deparamos com um táxi vindo em nossa direção, abordamos o táxi e constatamos que se tratava do senhor armando pai do soldado Edelmiro, perguntamos aonde o soldado Edelmiro estava ele respondeu que estava logo a diante, liberamos o táxi e seguimos em frente, chegando lá nos deparamos com o soldado Edelmiro e seu irmão conhecido por Armandinho sentados na parte traseira da caminhonete de propriedade deles mesmo, e um Chevette cor aparentemente amarela com duas pessoas dentro em óbito, sendo que uma delas encontrava-se com um revolver na mão e a outra com uma arma longa encostada no ombro, depois da perícia feita descobri que se tratava de um revolver calibre 38 e a uma arma calibre 28 cano longo, o rosto do motorista estava coberto parcialmente por um boné e do carona estava irreconhecível.
Perguntei para o soldado Edelmiro o que teria acontecido ali, o mesmo respondeu que teria ido até a chácara de se pai para deixar ferramentas por que no outro dia alguém iria la para consertar um alambrado, deixou o material dentro da casa e saiu para ir embora resolveram passar na casa de um vizinho que mora quase na frente da entrada da chácara para apanhar ovos e ali permaneceram conversando e tomando um chimarrão, neste momento teria passado por eles um veiculo Fiat cor escura e andado pelo corredor por mais ou menos um quilometro e retornado vagarosamente, e parou logo em seguida em um altinho do corredor, também avistado o Chevette saindo da chácara de seu pai, diante disso correu a pé em direção ao Chevette e os ocupantes teriam efetuado disparos de arma de fogo em sua direção, o qual foi revidado, seu irmão Armandinho como é conhecido pegou a caminhonete e foi em sua direção subiu e saíram atrás do Chevette. Os ocupantes do Chevette continuaram a efetuar os disparos e o soldado Edelmiro revidou, que conseguiram parar o Chevette somente ali.
Perguntei se teria algum bovino abatido o soldado Edelmiro respondeu que talvez sim, não tinha certeza, diante disso orientei o sargento Izair a permanecer por ali, a fim de manter isolado aquele o local e desloquei até a Vila do Cancelão para efetuar contato telefônico com a Policia Civil e solicita-los no local da ocorrência e também informar minha comandante direta, capitã Madalena.
Posterior esses contatos fui até um bar na Vila do Cancelão e comprei refrigerante e bolachas, pois a guarnição de serviço não tinha jantado e com a espera da Policia Civil e depois o Instituto Geral de Pericia (IGP) a ocorrência iria se estender até a madrugada, posterior desloquei até a praça do Cancelão e ali permaneci por uma hora e meia, aguardando os agentes da Policia Civil para leva-los até o local da ocorrência, nesse momento fiz contato com o sargento Roberto Pinheiro que é comerciante no Cancelão e perguntei se ele conhecia os proprietários de um Chevette amarelo, o mesmo respondeu que não lembrava de nenhum Chevette dessa cor por ali.
O soldado Dias recebeu uma mensagem Whatsapp do soldado Daniel informando que ele e o soldado Eduardo estavam deslocando com os agentes da Policia Civil por outra estrada que fica mais rápida a chegada, e que já estavam levando o soldado Fão que estava entrando de serviço naquele horário. Diante disso desloquei novamente para o local da ocorrência, chegando lá me deparei com os agentes da Policia Civil Fernando e Carol, mais os soldados Daniel, Fão e Eduardo.
O policial civil Fernando constatou os dois ocupantes do Chevette em óbito e disse que iria até a cidade para buscar o delegado e solicitar a presença do Instituto Geral de Perícias (IGP), o qual foi feito.
O soldado Daniel, soldado Eduardo e soldado Dias foram juntos com os agentes da Policia Civil, ficando ali no local somente eu a guarnição de serviço sargento Izair e soldado Fão, mais o soldado Edelmiro e seu irmão Armandinho, que enquanto aguardávamos o delegado e o IGP, decidi ir até a chácara para ver se algum bovino teria sido abatido, então pedi que Armandinho me acompanhasse até a chácara para que eu fizesse uma averiguação, chegando lá constatei um bovino abatido com provavelmente um tiro na cabeça o animal estava completamente carneado, só restando cabeça, carcaça e vísceras, posterior a essa averiguação retornamos para o local onde estavam os outros.
Logo em seguida chegou o delegado de policia de Piratini, informei o mesmo que havia um bovino carneado na propriedade do pai de Edelmiro, posterior chegou o pessoal do IGP e começaram a fazer o trabalho deles, ao abrir o porta malas do Chevette tinha dentro quatro cães, o qual foram soltos, os corpos foram liberados para que a funerária pudesse leva-los, bem como o veiculo para o guincho.
Os familiares das vitimas não foram informados, visto que posterior a pericia não foram encontrados documentos das vitimas, bem como estavam irreconhecíveis e se fossem identificados a missão de informar os familiares seria da Policia Civil e não da Brigada Militar.
O delegado entendeu primeiramente que a ocorrência fosse registrada como furto abigeato e legitima defesa. O soldado Edelmiro foi encaminhado juntamente com seu irmão mais as armas apreendidas até a Delegacia de Policia para os devidos fins.
Para finalizar no dia 11 de março por volta das 10 horas recebi um telefonema de minha comandante capitã Madalena, informando que havia sido expedido um mandado de prisão preventiva para o soldado Edelmiro, prontamente chamei o soldado Edelmiro que estava no serviço interno e informei da decisão do juiz e o conduzi até a Delegacia de Policia Civil para que fosse feito os tramites legais, ele não quis ser ouvido sem a presença de seu advogado, posterior foi condizido até o Presidio Militar em Porto Alegre por uma guarnição do Pelotão de Operações Especiais (POE) de Pelotas, onde ficará a disposição da Justiça.
Até o momento não tinha me manifestado referente a esta ocorrência, mas meu nome está rolando na boca de alguns fofoqueiros, então se depois disso alguém ainda tiver alguma duvida sobre meus atos nessa ocorrência, que faça um registro contra mim na delegacia, caso contrario esqueçam de mim, não fiquem falando pelos cantos que estou sendo investigado ou vou ser investigado referente a esta ocorrência, não tenho medo de investigação, pois meu profissionalismo, minha índole, minha ética estão acima de tudo, estão colocando em xeque minha imparcialidade e celeridade com as funções que desempenho junto a corporação Brigada Militar o qual tenho orgulho de servir a há 25 anos.
Alci Espinosa de Vasconcelos
Sargento Comandante da Brigada Militar
Fonte: Tradição Regional
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