Quarta, 24 de junho de 2026, 07:01h
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Por volta das 6h de quinta-feira (21), Israel Pedra Mesquita foi preso pela Polícia Federal, na localidade do Açoita Cavalo, interior de Morro Redondo, suspeito de envolvimento com um grupo terrorista. O homem de 26 anos é natural de Pelotas e residia com os pais em Morro Redondo, onde criava galinhas de raça.
Israel foi conduzido a Pelotas, onde, por volta das 12h, embarcou em um avião da linha aérea Azul, no Aeroporto Internacional João Simões Lopes Neto, com destino a Brasília (DF). A família, que mora no município há pouco tempo, foi pega de surpresa pelos policias que realizaram uma grande operação de combate ao terrorismo em 10 estados do país.
Vizinhos que testemunharam o cumprimento dos mandatos de busca garantem que, dentro da residência da família, foi encontrada uma bandeira do grupo terrorista Estado Islâmico. Ainda segundo as testemunhas, Israel assumiu que conhecia o significado da bandeira e falou palavras em árabe.
Ministro diz que grupo preso era amador e fez juramento ao Estado Islâmico
No mesmo dia, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, disse que parte dos 10 brasileiros presos na quinta, após trocar mensagens preparatórias sobre a realização de atentado terrorista no Brasil, fez, via internet, um juramento de lealdade ao Estado Islâmico (EI).
Conforme o ministro, trata-se de um grupo amador que, no entanto, não pode ser ignorado pelas forças de segurança pública. “Era uma célula amadora, sem nenhum preparo planejado. Uma célula organizada não tentaria comprar uma arma pela internet. É uma célula desorganizada”, acrescentou.
Moraes informou que, além do juramento pela internet, conhecido como “batismo”, não houve contato direto dos brasileiros com o Estado Islâmico por e-mail ou pessoalmente. Também não há indícios de que eles recebiam financiamento do Estado Islâmico. Os homens foram presos em dez diferentes estados, durante a Operação Hashtag, da Polícia Federal (PF).
O ministro explicou que o grupo de brasileiros considerava inicialmente que o Brasil seria um espaço neutro em relação à rota de ataques do Estado Islâmico, mas passou a entender que, com a proximidade dos Jogos Olímpicos, entraria na rota de atuação do grupo, já que vai receber grande quantidade de turistas e atletas estrangeiros.
“Houve contato com o Estado Islâmico via internet, além de atos preparatórios. Esse grupo deixou de entender que o Brasil seria um estado neutro e, com as Olimpíadas, poderia se tornar um alvo”, esclareceu o ministro da Justiça.
A Polícia Federal monitorou mensagens trocadas pelo grupo em aplicativos para celular como Telegram e WhatsApp e descobriu ações preparatórias como planejamento para início de treinamento de artes marciais e o contato feito com um site de armas clandestinas no Paraguai para a compra de um fuzil.
De acordo com Alexandre de Moraes, não há confirmação de que a compra tenha sido concretizada. As mensagens foram monitoradas com autorização judicial pela Divisão Antiterrorismo da PF. Moraes destacou que essa é a primeira prisão com base na lei antiterrorismo.
Investigações
“Não vamos esperar um milímetro de qualquer ato preparatório, por mais insignificante que possa ser. Qualquer ato terá uma reação rápida, dura e certeira do Poder Público”, completou Moraes. O ministro disse ainda que é “mínima a probabilidade de que haja algum ato terrorista no Brasil durante a Olimpíada”.
Os homens foram presos nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
As investigações tiveram início em abril e a Operação cumpre 10 mandados de prisão temporárias, 2 conduções coercitivas e 19 buscas e apreensões. De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos participavam de um grupo virtual denominado Defensores de Sharia (a lei islâmica).
Fonte: Tradição Regional
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