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27-07-2017

Ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras é preso na 42ª fase da Lava-Jato


Foto: Valter Campanato /Agência Brasil Aldemir Bendine era designado como 'Cobra' na lista da Odebrecht

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (27), a 42ª fase da Lava-Jato. Denominada Operação Cobra, a ação cumpre 11 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária no Distrito Federal e nos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo a PF, Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras preso hoje, é alvo da investigação por prática de corrupção e lavagem de dinheiro.


A investigação da PF aponta que Bendine e pessoas ligadas a ele teriam solicitado vantagem indevida para que a Odebrecht não fosse prejudicada em futuras contratações da Petrobras. Em troca, a empreiteira teria efetuado o pagamento em dinheiro de ao menos R$ 3 milhões.



Em nota, a PF afirmou que há evidências indicando um dos primeiro pedidos de propina feitos por Bendine ocorreu quando ele esteve à frente do Banco do Brasil, entre abril de 2009 e fevereiro de 2015, no valor de R$ 17 milhões. O objetivo era viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial.


Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, executivos da Odebrecht que celebraram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do Banco do Brasil.


Também há provas, de acordo com a PF, de que Bendine, já presidente da Petrobras, cargo que ocupou entre fevereiro de 2015 e maio do ano passado, e um de seus operadores financeiros teriam solicitado propina a Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, ex-executivo da empreiteira, para que a empresa não fosse prejudicada na Petrobras devido a consequências da Lava-Jato. 


Em decorrência do novo pedido de propina e com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera, a Odebrecht, conforme depoimentos de colaboradores, informações colhidas em busca e apreensão na 26ª fase da Lava Jato (operação Xepa) e outras provas obtidas pela PF, optou por pagar a propina de R$ 3 milhões. O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 de junho, 24 de junho e 1º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Os pagamentos só teriam sido interrompidos com a prisão de Marcelo Odebrecht.


Já em 2017, um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da empreiteira, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à Odebrecht para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil. Todavia, a investigação revelou que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada. 


De acordo com a PF, não foi apresentado nenhum material relativo à alegada consultoria e não foi explicado o destino de valores, a forma de recebimento, a ausência de contrato escrito para serviços de valor milionário e o motivo da diminuição do valor de tais serviços, que inicialmente seriam, conforme reconhecido pelo próprio operador, de R$ 17 milhões, para R$ 3 milhões.


Para dar aparência lícita aos recursos, conforme a investigação da PF, o operador financeiro de Bendine recolheu os tributos relacionados à suposta consultoria, cerca de dois anos após os pagamentos, com o objetivo de dissimular a origem criminosa dos valores. Há indícios que a documentação também foi produzida para ludibriar e obstruir as investigações.


A colaboração premiada dos executivos da Odebrecht foi o ponto de partida das investigações. A partir daí, a investigação se aprofundou e revelou vínculos entre os investigados e permitiu colher provas de corroboração dos ilícitos narrados. Na apuração, a PF realizou a análise de ligações telefônicas, identificou junto a hotéis indícios de reuniões secretas, descobriu mediante análise de cartões de crédito de encontros em restaurantes, encontrou de comunicações ocultas por aplicativos de celular que eram destruídas em tempo pré-determinado para apagar os vestígios de crimes, e examinou anotações que apontam para pagamentos de despesas de hospedagem em favor de familiares de Bendine.


Os presos devem ser levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.


O nome da operação é uma referência ao apelido usado nas planilhas da Odebrecht para identificar Bendine. Os documentos foram apreendidos no chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht — setor que tratava de propinas na empreiteira — durante a 23ª fase da Lava-Jato.


Fonte: Rádio Gaúcha



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