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15-08-2018

Canguçu: UGEIRM diz que atendimento a policial ferido no ataque a Caixa foi falho e ineficiente


*Nota enviada pela assessoria de Imprensa do Sindicato dos Agentes da Polícia Civil (UGEIRM)


No início do século passado, bandos de cangaceiros aterrorizavam as cidades do interior do Nordeste brasileiro. Quadrilhas de bandoleiros, a mais conhecida delas a de Lampião e Maria Bonita, saqueavam cidades inteiras, muitas vezes fazendo os habitantes de reféns para garantir suas fugas.



Em pleno século XXI, o interior do RS vive uma situação semelhante. Bandos fortemente armados, percorrem as cidades do interior gaúcho para praticar assaltos a bancos. As suas ações são tão espetaculares quanto as dos cangaceiros do Nordeste.


Explodem cofres, fazem cidadãos de reféns e executam ataques aos postos policiais e delegacias. Nas duas situações, outra semelhança marcante: a total ausência do Estado. A população e os policiais ficam entregues à própria sorte.


Cidade de Canguçu foi a vítima no final de semana


Nesse final de semana, foi a vez da cidade de Canguçu passar pelo horror de se sentir totalmente desamparada e entregue à ação dos bandidos. Na madrugada de sábado para domingo, uma quadrilha de assaltantes invadiu a cidade para assaltar a agência da Caixa Econômica Federal. Os bandidos, fortemente armados, se dividiram em dois grupos.


Um deles foi arrombar a agência e explodir o cofre do banco. Enquanto isso, outro grupo executava um ataque ao quartel da Polícia Militar, com o objetivo de impossibilitar a ação dos policiais. Os criminosos estacionaram um carro roubado no portão do prédio, atearam fogo no veículo e atiraram contra o quartel. Os cinco passageiros rendidos foram feitos reféns e obrigados a formarem um cordão humano, para evitar que os policiais reagissem.


Finalizado o ataque à agência da CEF, o bando liberou os reféns e fugiu em dois carros. Já na ERS-265, dois policiais civis, que haviam sido alertados sobre a ocorrência, tentaram interceptar os carros e deram início a uma perseguição aos criminosos. Após uma troca de tiros, o policial civil Paulo Volmir Lourenço foi atingido no ombro e encaminhado ao hospital.


Na sequência da fuga, os bandidos roubaram outro veículo e, ao pararem para abastecer em um posto de combustível na BR-392, houve nova troca de tiros, dessa vez com o segurança do local. Um dos criminosos foi baleado. Ele foi levado pelos comparsas no sentido de Encruzilhada do Sul e, no limite da cidade, deixado na estrada junto com o veículo.


Déficit de pessoal põe policiais e a população em risco


A série de ataques a agências bancárias do interior do RS, expõe um problema que a UGEIRM vem denunciando a muito tempo: a absoluta falta de efetivo policial. As cidades do interior se tornaram um alvo fácil para a ação de quadrilhas de bandidos. Algumas vezes, o número de assaltantes é maior do que o efetivo policial da localidade. Tentar conter a ação criminosa se torna uma temeridade, que coloca em risco a vida de policiais e da própria população.


Bancos devem arcar com a segurança das agências


Além da ausência do Estado, os próprios bancos têm sua parcela de responsabilidade. Esse setor, que é o que mais lucra no país, sempre impôs forte resistência a adotar normas básicas de segurança. O resultado é que se tornam alvo fácil para os bandidos. É necessário que o Ministério Público obrigue os banqueiros a estabelecerem planos eficientes de segurança, com os custos bancados por eles mesmos. Não se pode admitir que a população e a polícia arquem com a segurança de um setor que lucrou mais de R$ 60 bilhões em 2017.


Atendimento a policial ferido é falho e ineficiente


Após ser atingido no ombro, o policial civil Paulo Lourenço recebeu os primeiros socorros em Canguçu e foi encaminhado ao Pronto Socorro de Pelotas. Quando chegou no PS de Pelotas, eram por volta de três horas da manhã.


O Agente recebeu o primeiro atendimento dos enfermeiros e ficou aguardando, em uma maca, uma vaga no Centro Cirúrgico. Às dez horas da manhã, Paulo Lourenço ainda permanecia na maca, a espera de um encaminhamento para cirurgia. Foram mais de sete horas de espera. Este só foi realizada, quando um colega policial acionou médicos conhecidos e conseguiu fazer a remoção para o Centro Cirúrgico.


Paulo Lourenço estava a serviço do Estado. Colocando sua vida em risco para tentar impedir a concretização de um assalto a banco. O mínimo que se esperaria do governo e da Polícia Civil, é que fosse prestada a assistência médica devida. Paulo foi tratado como alguém que sofre um acidente em uma estrada.


No Pronto Socorro, ninguém da administração da Polícia Civil compareceu para dar assistência a ele e sua família, que ficaram no hospital amparados apenas pelos amigos. A demora no atendimento poderia ter significado a perda dos movimentos do braço, impedindo que o Agente prosseguisse na sua carreira.


É urgente que a administração da Polícia Civil tenha um plano de atendimento para casos de policiais feridos em serviço. A responsabilidade pelo atendimento é do Estado e, particularmente, da Polícia Civil. Qualquer trabalhador que sofre um acidente de trabalho, seja da iniciativa privada ou pública, tem o direito a um atendimento médico adequado providenciado pelo seu empregador.


Paulo estava a serviço do poder público, o Estado deveria garantir seu atendimento, inclusive com o seu deslocamento de helicóptero para a capital, caso o Pronto Socorro de Pelotas não tivesse vaga no Centro Cirúrgico. É inadmissível que um policial baleado fique mais de sete horas em uma maca aguardando uma cirurgia. É um acinte, que seus familiares não tenham, de imediato, o atendimento de um(a) psicológico(a) e da assistência social do Estado.


Fonte: Canguçu Notícia



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