Quinta, 09 de julho de 2026, 23:41h
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Familiares conversaram com o Jornal Tradição Regional
A família de Nelson Júnior Sodré da Costa não tem dúvida de que a morte do adolescente foi causada por uma falha no momento em que ele passava pela anestesia no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Piratini, no dia 15 deste mês. Depois de duas consultas, ele estava internado para fazer uma cirurgia de adenoide.
De acordo com a família, o aluno do ensino médio da escola Alberto Pasqualini teria sofrido duas paradas cardíacas ainda no bloco cirúrgico, logo depois de receber anestesia. A mãe o acompanhava e desconfiou do agito dos enfermeiros. Ao procurar por informações sobre o estado de saúde do filho e não ouvir respostas claras, Izonete Costa desmaiou.
O jovem de 17 anos entrou na sala de anestesia às 16h e aguardou aproximadamente uma hora a chegada do anestesista. Assim que surgiram as complicações, ele foi transferido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para Bagé, por volta das 19h. “Os médicos disseram que meu filho já estava quase sem vida quando foi levado para a UTI de Bagé. Era uma tentativa de emergência para salvá-lo”, disse a mãe, em entrevista ao Jornal Tradição Regional.
Izonete não teve acesso à ambulância e viajou em um carro particular, logo atrás. Para ela, o adolescente chegou sem vida em Bagé. “O médico de Bagé sequer assinou o atestado de óbito, justamente por não ter informações sobre a causa da morte. Ele ainda pediu que o corpo passasse por necropsia”, argumenta. Daiane e Nedes, irmã e tio da vítima, respectivamente, também conversaram com a reportagem. “Quando finalmente conseguimos ver meu irmão, por volta das 22h, ele estava coberto de sangue e muito inchado. Em Bagé, os médicos disseram que ele chegou ao Hospital sem sinal vital e com as pupilas dilatadas”, atesta a irmã.
Nelson aguardava há mais de um ano a cirurgia de adenoide. Como não existia convênio pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Canguçu, a família marcou exames para Piratini, que desde o ano passado oferece o serviço de otorrinolaringologia para os 21 municípios que pertencem à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS). Segundo familiares, a vítima teria sofrido duas paradas cardíacas no Hospital de Piratini, e outras duas pouco antes de chegar em Bagé. A cirurgia prevista para ser concluída em 10 minutos acabou em perda para a família.
O que dizem o Hospital de Piratini e a UTI de Bagé
No dia seguinte, Laerto Farias, diretor do Hospital de Caridade de Piratini, classificou o caso como uma fatalidade e disse que a equipe estava muito abalada. Farias conversou com o repórter Nael Rosa, da Rádio Nativa FM, e afirmou que todos os exames pré-operatórios exigidos para o procedimento foram feitos e atestaram a aptidão do paciente para a cirurgia. Para o anestesista de plantão da UTI de Bagé, a causa da morte foi um choque anafilático seguido de edema agudo (quando sangue e outros líquidos entram no pulmão) e hipóxia (falta de oxigenação do cérebro). A direção do hospital de Piratini disse ter pedido a autópsia do corpo, mas segundo a instituição, a família do paciente não teria autorizado.
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