Quinta, 09 de julho de 2026, 12:55h
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Crime praticado no primeiro dia da semana não é comum, se comparado às ações mais recentes no Estado
O assalto praticado na madrugada de terça-feira (6) contra a agência do Banco do Brasil, na rua Júlio de Castilhos, teve características semelhantes aos outros 20 já praticados no Rio Grande do Sul em 2012. O Jornal Tradição Regional esteve no local e conversou com o inspetor Alexandre Klemps, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), especializado em assaltos a bancos. Segundo ele, o assalto “não foi praticado em um dia normal”, se comparado às ações mais recentes no Estado.
O último caso atendido pela equipe foi na cidade de Cristal, no dia 20 de outubro, quando ocorreu uma explosão na agência do Banrisul. “Eles (os criminosos) devem ter considerado que os primeiros dias do mês são de pagamento a funcionários e aposentados, além do retorno do feriado prolongado (em Canguçu, foi feriado na quarta e sexta-feira da semana passada), quando normalmente as pessoas deixar para ir ao banco movimentar o dinheiro na segunda”, opina Klemps.
Nas demais cidades, crimes como esse costumam ser cometidos aos finais de semana, justamente quando o efetivo policial tende a ser menor. Em algumas regiões, por exemplo, uma pequena equipe da polícia chega a atender mais de uma cidade no mesmo período, o que dificulta a agilidade na captura dos bandidos. “O dia e horário escolhido pelos criminosos são estratégicos: analisam quando há pouco efetivo e planejam a fuga por estradas vicinais, que são muitas aqui em Canguçu. Também é do conhecimento deles que o apoio da Polícia chega pelas rodovias”, comenta.
O uso de explosivos é feito de modo sistemático neste tipo de ação, segundo o inspetor. “Normalmente eles arrombam a parte de onde saem as notas de dinheiro e colocam os explosivos amarrados. Com a explosão, as laterais do caixa eletrônico são arrombadas e é feito o saque”. Como a maior parte dos ataques a bancos no Estado é registrada na região metropolitana de Porto Alegre e na Serra, a investigação apostava que as ações eram praticadas pela mesma quadrilha. A ocorrência de uma série de assaltos na Região Sul, como em cidades como Cristal, Dom Feliciano e, agora, Canguçu, no entanto, faz com que o Deic aposte na existência de mais quadrilhas, que receberiam “assessoria” para atuar.
Explosão deixa a agência dois dias sem atendimento
Entulhos, cacos de vidros e um enorme tapume fechando as vias de acesso. Esse era o cenário da agência do Banco do Brasil no dia seguinte ao assalto, quando era aguardada a chegada da seguradora do banco para avaliar os prejuízos sofridos com o crime. As notas de dinheiro que haviam ficado espalhadas pelo chão já haviam sido recolhidas. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), especializado em assaltos a bancos, realizou perícia no mesmo dia em que o crime ocorreu.
O assalto realizado durante a madrugada destruiu boa parte da agência, que estava em reformas. “A reforma deve voltar ainda nos próximos dias, mas devido ao que aconteceu, só deve ficar pronta em março”, disse o gerente geral Vanderlei Pereira na quarta-feira (7).
No roubo, dois caixas eletrônicos foram atingidos por explosivos, mas novas máquinas de reposição já foram solicitadas. O atendimento, no entanto, ainda não está sendo feito. “A porta giratória também foi danificada pelos explosivos. Não fosse isso, o banco já poderia estar funcionando a partir desta quarta!, explicou Vanderlei.
O roubo que durou cerca de dez minutos, foi praticado por quatro homens encapuzados: dois dentro da agência e outros dois na rua em frente ao local. Durante a movimentação, alguns vizinhos puderam ouvir os criminosos conversando entre si, afirmando que o tempo para o assalto estava terminando.
Na fuga, pregos retorcidos foram deixados pela rua com o intuito de dificultar a ação da polícia em uma possível perseguição. Segundo o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) os explosivos colocados no Banco do Brasil são os mesmos utilizados na detonação de pedreiras. O funcionamento na agência voltou ao normal na quinta-feira (8). Durante dois dias, serviços como depósitos, saques e pagamentos eram feitos na agência dos Correios, que fica na mesma rua.
Caminhonete importada é abandonada em Encruzilhada do Sul
A Polícia encontrou no final da tarde de terça-feira (6) a caminhonete usada no assalto à agência Banco do Brasil de Canguçu. O modelo importando da marca Ssangyong foi abandonado próximo à Encruzilhada do Sul, na RSC-471, na localidade de Vau dos Prestes. No veículo, que foi furtado em Farroupilha, na Serra, estavam as duas gavetas que foram roubadas dos caixas eletrônicos. O modelo de camionete foi o mesmo utilizado em um assalto à agência Banrisul, da cidade de Cristal, no dia 20 de outubro. Naquela ocasião, o bando de cinco homens conseguiu explodir o prédio, mas acabou não levando o dinheiro, o que expôs a inexperiência nesse tipo de ação. Os dois casos ocorreram em horário semelhante, por volta das 2h. A Polícia acredita que os dois crimes tenham sido cometidos pela mesma quadrilha. O assalto foi o 21º registrado contra bancos no Rio Grande do Sul em 2012.
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