Quarta, 08 de julho de 2026, 12:30h
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Inédito não é, mas pode ser considerado no mínimo incomum a polícia atender, investigar e a imprensa noticiar, o abate e roubo de cavalos como crime de abigeato. Em Piratini, parece que não é mais suficiente para os ladrões apenas causar pânico e prejuízos aos residentes na zona rural invadindo suas propriedades para roubar ovelhas, touros e vacas.
Em uma semana, a Polícia Civil atendeu duas situações em que equinos foram o alvo dos criminosos. Na madrugada de quarta-feira (06) ladrões atacaram a propriedade do empresário Paulo Borges, localizada no Cerro dos Canócas, 1º distrito, e abateram com tiros na testa duas éguas que, carneadas no local, tiveram quartos e paletas retirados e levados para certamente serem vendidos no mercado negro da carne sem procedência e inspeção sanitária.
A preocupação, tanto dos proprietários como dos policiais, é que os animais haviam sido vacinados recentemente, o que não permite o consumo da carne, dado os riscos para a saúde. Em outro ataque, a um quilometro do primeiro, outra propriedade teve objetos usados para o processo de desmanche e desossa dos animais abatidos.
Chairas, facas e serras, e também uma encilha completa, foram roubados e, segundo o proprietário, o fato foi praticado por pessoas que conheciam o cotidiano da residência. Na semana passada, na Coxilha Alta, ainda no 1º distrito, outro cavalo foi baleado, mas neste caso, os criminosos abandonaram o animal ferido no campo e este precisou ser sacrificado.
Próprio ou imprópria para consumo?
O Tradição Regional foi buscar orientações para o risco do consumo de carne equina nessas condições com o veterinário Marcelo Bardi, que esclareceu ser ela perfeitamente consumível. Segundo ele, no Brasil o consumo de carne de cavalo não é comum, mas na Europa o ato é corriqueiro, tendo inclusive um frigorífico em São Gabriel que processa e vende toda a produção para países do primeiro mundo. “Ela é perfeitamente consumível. O que você não pode é enganar o consumidor vendendo carne de cavalo como se fosse bovina”, explica Bardi.
“Certamente a carne roubada no município será usada em subprodutos, ou seja, será misturada a carne suína ou bovina para confecção de linguiça antes de ser vendida”, alerta o veterinário. Conforme ele é difícil discernir visualmente a carne de cavalo das provenientes dos bovinos. Bardi alertou ainda para os riscos à saúde devido aos animais terem recebido vacinas recentemente e a forma inadequada em que a carne foi manuseada. “Quanto à vacinação, há o risco de intoxicação e outros distúrbios para o organismo humano, com o agravante da possível contaminação adquirida no manuseio e transporte das peças retiradas durante o abate clandestino”, explica Bardi
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