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22-05-2013

Receita para fraudar leite é achada na casa de empresário, diz promotor 


Divulgação/Ministério Público De acordo com o MP, fórmula encontrada era usada para adulterar leite

Deflagrada simultaneamente em dois municípios do Rio Grande do Sul na manhã desta quarta-feira (22), a segunda fase da Operação Leite Compensado cumpriu mandados de busca em Boa Vista do Buricá, na Região Noroeste. Na casa de um empresário que está sendo investigado, mas não teve o pedido de prisão decretado pela Justiça, a equipe do Ministério Público encontrou uma fórmula usada para adulterar o leite. Em Rondinha, três pessoas foram presas nesta manhã.
"Essa receita com certeza era usada para adulterar o leite. Era uma variação, uma receita nova, mas podemos afirmar que servia para adulterar o leite. O que ela fazia, qual a diferença no resultado, é o Ministério da Agricultura que pode afirmar", explicou ao G1 o promotor Mauro Rockenbach, que acompanhou a operação em Rondinha, no Norte do estado.


No papel encontrado na casa do dono de uma transportadora, a "receita" cita bicarbonato e açúcar, além da água e da ureia usadas pelos outros núcleos investigados pela adulteração de leite em Guaporé, Ibirubá, Horizontina e Rondinha. Segundo o MP, o núcleo de Boa Vista do Buricá adulterou cerca de 7 mil litros de leite nos últimos meses.



 As buscas foram feitas na transportadora, na casa do proprietário, que fica ao lado, e em caminhões que estavam no local. De acordo com o promotor Alcindo Luz Bastos Silva Filho, que acompanhou a operação, uma pequena quantidade de ureia e notas que atestam a compra do produto também foram recolhidas. 


"Neste cumprimento, apuramos alguns produtos químicos que estavam no local, notas fiscais que comprovam a aquisição de ureia. Inclusive achamos rascunhado a própria fórmula da fraude que vem circulando em outras regiões do estado. Foi apreendido nos fundos da residência", diz o promotor Alcindo.


Nesta quarta-feira, o MP cumpriu quatro mandados de prisão em Rondinha. Três pessoas foram presas, dois sócios de uma transportadora e um motorista. O quarto suspeito já estava preso desde a primeira fase da operação por envolvimento no esquema de Ibirubá.


O esquema é semelhante ao encontrado nos outros núcleos já investigados: os envolvidos misturavam água e ureia ao leite antes de levar o produto para as empresas, para dar consistência ao líquido e lucrar mais na comercialização.


Leite batizado ia para o Paraná, diz MP


De acordo com o promotor Mauro Rockenbach, o leite batizado era transportado pelos investigados até a Confepar, do Paraná. "Seguiam levando o leite gaúcho sabendo desde fevereiro que esse leite estava com restrição. O produto ia para Pato Branco", disse ao G1 o promotor no início da manhã desta quarta.


Em nota emitida em 14 de maio, a Confepar informa que sempre cumpriu com rigor seus procedimentos e controles internos de qualidade. A empresa envasa as marcas Polly e Cativa.


De acordo com a investigação, as transportadoras adulteraram pelo menos 120 mil litros de leite nas duas cidades nos últimos três meses. O MP ressalta que este volume foi apreendido e não chegou ao mercado. Na manhã desta quarta, o leite que estava em caminhões na transportadora de Rondinha foi apreendido por técnicos do Ministério da Agricultura e será analisado. A previsão é que o resultado dos testes saia em até três dias.


"A indústria sabia que todo esse grupo estava com restrição por fraude de formol porque foi enviado um memorando. Eu não estou dizendo que eles industrializavam este leite, mas eles sabiam. Eles que digam o destino que deram ao leite recebido", afirmou o promotor após as prisões.


Ministério da Agricultura emitiu nota sobre problemas em fevereiro


Em nota de 18 de fevereiro de 2013, o Ministério da Agricultura alertou para a restrição ao leite cru com resquícios de formaldeído provenientes de seis postos de resfriamento no estado. No comunicado, destinado a todas as fábricas de laticínios e usinas de beneficiamento, a orientação é que o produto só seja usado para derivados lácteos, que também devem ser apreendidos pelo SIF.


Os postos citados pelo MP ficam em Selbach, Salvador do Sul, Guaporé, Sede Nova, Tapera e Vila Flores. Em 8 de maio, postos de Guaporé, Crissiumal e Selbach foram fechados.


Fonte: G1



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