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13-09-2013

Mais um crime choca Canguçu


Foto: Xiru Gonçalves Advogado revelou que acusado já esteve internado para tratamento psiquiátrico

Acusado havia sido preso em Santa Maria, em 2012, por crimes como homicídio, roubo e estupro


O bairro Vila Nova acordou no feriado de Independência do Brasil com a informação de mais um crime brutal. A comunidade ainda tem viva na lembrança o caso ocorrido no dia 16 de agosto, quando um recém-nascido foi abandonado pela mãe na Estrada da Pedreira e acabou morrendo depois de entrar em contato com cães de rua.



Menos de um mês depois, o local do crime foi a rua Antônio Florêncio Duarte. Na madrugada do último sábado (7), estavam em casa Selma Reichow, 69 anos, e a bisneta de dois anos e nove meses, quando o criminoso entrou na casa, esfaqueou a mulher e estuprou a menina. Alguns objetos foram levados do lugar.


Por volta das 5h, a mãe da criança chegou em casa e encontrou a avó morta e a criança em estado de choque ao lado do corpo. A Brigada Militar e a Polícia Civil foram acionadas para atender o caso. O suspeito foi preso em flagrante próximo do local do crime, portando além de uma faca, uma peça íntima da criança, identificada pela mãe. Atualmente, ele estava morando próximo às vítimas.


O clima de comoção motivou a suspensão do jogo entre Verona e Figueira, pelo Campeonato Municipal. A vítima de esfaqueamento tem familiares na diretoria do Verona, time com estádio fixado no bairro.


Na terça-feira (10), surgiu com força o boato de que Zarnott teria sido agredido por outros detentos. Se o caso for confirmado, ele poderá ser transferido para outra unidade de segurança.


Perícia confirmou estupro contra a criança


No dia seguinte ao crime (8), a Polícia Civil de Canguçu confirmou que a criança de dois anos e nove meses, que presenciou a morte da bisavó no bairro Vila Nova, sofreu abuso sexual por parte do acusado. Ela foi submetida a exames pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) e passou por uma cirurgia de quatro horas no último final de semana.


O pedido de prisão preventiva do acusado foi atendido pela Justiça e ele foi encaminhado ao Presídio Estadual de Canguçu. Além do estupro, o acusado responderá pela morte de Selma Reichow, de 69 anos, esfaqueada na frente da bisneta.


Ficha policial consta crimes como homicídio, roubo e estupro


Segundo o jornal Folha de Candelária, o homem identificado como Gilberto Zarnott Júnior, 22 anos, natural de Canguçu, foi preso naquele município em abril de 2012, quando estava foragido da Justiça de Santa Maria. Na época, havia um pedido de prisão preventiva decretado contra ele. Na ficha policial de Zarnott, constam crimes como homicídio, roubo e estupro.


Advogado avalia chance de liberdade provisória para o acusado


O crime que chocou a população de Canguçu tem um contraponto: segundo o advogado Miguel Ângelo Coelho, que acompanhou o suspeito, o acusado nega a autoria dos crimes. “Ele alega que não cometeu nenhum dos dois crimes. Nem o assassinato e, muito menos, o estupro da menina. Ele não assinou nada, não declarou nada na Delegacia de Polícia e optou por se pronunciar somente perante o juiz”, explicou Miguel Ângelo.


O advogado foi nomeado para acompanhar o suspeito na delegacia. Contudo, reconhece que, caso assuma a defesa, não será fácil livrá-lo da prisão. Contra Gilberto Júnior pesa o fato de já ter sido condenado em Santa Maria por latrocínio (quando há roubo e morte), seguido de estupro contra menor. “A lei antiga diz que em caso de crime hediondo não pode haver liberdade provisória. Mas vai depender da sentença da juíza. Já existe jurisprudência, inclusive de homicídios, em que foi decretada a liberdade provisória”, explica.


Ao se declarar inocente dos crimes, Gilberto teria dito ao advogado que estava passando pelo local do crime quando foi detido pelos policiais. “Ele diz que quando foi pego pela polícia estava inconsciente, sob efeito de álcool e drogas, e que só teria acordado na DP”, relata.


Miguel Ângelo Coelho ressaltou que a prisão preventiva é válida por 81 dias. Passando esse tempo, caso não seja resolvido o inquérito policial e marcada audiência, Gilberto Júnior poderá sair da prisão. Para isso, o Poder Judiciário precisa entender que ele não oferece risco à sociedade, dentre outros aspectos observados.


O advogado ainda não sabe se assumirá o caso daqui para frente. Se defender Gilberto Júnior, uma das linhas que poderá adotar é o argumento de insuficiência de provas. “Se eu for contratado, vou alegar os argumentos que justificariam a liberdade provisória. Ou seja, que ele trabalha, tem residência fixa...”, adiantou.


Outro ponto que poderá ser utilizado pela defesa é o fato do suspeito supostamente apresentar transtornos mentais. “Ele alega que ficou um mês internado em hospital psiquiátrico e que tem problemas mentais”, revelou.


Gilberto Júnior teve a prisão decretada pela Justiça e foi encaminhado ao Presídio Estadual, onde permanecia detido até o fechamento desta edição.


 


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