Domingo, 05 de julho de 2026, 21:53h
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Mãe e filha dão os primeiros passos para recomeçar a vida após a descoberta dos abusos, que segundo elas, eram cometidos pelo chefe da família, com quem conviviam há dez anos. O caso veio à público na semana passada, quando a mulher de 34 anos, estimulada pelas desconfianças da irmã que não entendia o ciúmes do suspeito com a vítima de 14 anos, descobriu o caso.
As duas receberam nossa reportagem na nova moradia. A mudança foi feita depois que os fatos foram finalmente relatados pela garota, que cedeu aos apelos da mãe e confessou que, pelo menos duas vezes por semana, depois que a mulher saia para o trabalho, por volta da meia-noite, o suspeito a molestava. “Lembro que isso começou quando eu tinha nove anos e sempre foi da mesma forma. Ele entrava, tirava também a minha roupa, fazia algumas coisas, mas nunca fez tudo. Eu tinha nojo, chorava e custava a dormir”, relata a vítima que já está sendo atendida por uma psicóloga.
A jovem ainda conta como o padrasto fazia para que ela não o acusasse. “Ele dizia para eu não contar, que minha mãe não acreditaria em mim e que ninguém, se soubesse, ia me querer depois”.
Na cama da menina, além dos ursos de pelúcia que mostram ainda parte da ingenuidade de criança, os presentes que ajudavam a manter tudo entre quatro paredes: um computador, um celular e uma máquina fotográfica. Ausente da cena apenas o tablet que já foi vendido. A mãe conta que jamais desconfiou do marido e achava que os presentes eram carinho de quem ocupava o lugar de pai, mas que começou a desconfiar quando ele passou a vigiar a menina. “Ele ficou furioso quando permiti que ela namorasse um menino da mesma idade, foi aí que percebi que realmente tinha algo errado”.
A decisão
Na terça-feira (7), cansada dos abusos, a garota criou coragem e contou tudo para a mãe. “Passei a manhã inteira na escola pensando que naquele dia eu ia falar e falei. Me sinto um pouco melhor, mas, percebo que na rua as pessoas comentam e isso é ruim. Agora é começar uma nova vida”, vislumbra ela.
Mesmo que o fato não tenha sido consumado, se após o inquérito o suspeito for indiciado, pode ser condenado por estupro de incapaz, já que no Código Penal, estupro pode ser configurado quando uma pessoa (homem ou mulher) obriga outra a praticar com ela qualquer ato libidinoso. Se a vítima for menor de 14 anos, como é o caso, o artigo 217 - A prevê pena mais severa.
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