Domingo, 05 de julho de 2026, 12:52h
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Saudade e desejo de justiça são os sentimentos mais presentes entre os familiares e amigos do gerente de loja Leonardo Chagas Bretanha, vítima de latrocínio no ano passado. Na quinta-feira, 14 de novembro, o crime brutal completou um ano e o processo sobre o caso está em fase final no Poder Judiciário. De acordo com informações da assessoria do Fórum de Jaguarão, o processo que estava sendo conduzido pelo juiz Fernando Henning, foi assumido por Cleber Pires, pois Henning foi promovido e está no 2º Juizado da 2ª Vara Civil de Rio Grande.
Devido ao fato de ter recebido o caso recentemente, Pires não quis se manifestar neste momento, mas através da assessoria de seu gabinete informou que a próxima fase do processo será com as alegações finais das partes (defesa e Ministério Público) e posteriormente o anúncio público da sentença. Para a irmã de Leonardo, Andréa Bretanha, a dor ainda permanece intensa. “Ela aparece quando menos esperamos e derrota toda a nossa esperança e fé na vida. E assim foi conosco no dia 14 de novembro de 2012. A morte do meu irmão entrou de uma forma brutal na nossa vida. A dor de sua ausência reaparece a cada instante e cada vez mais forte”, lamenta. Andréa diz ainda que para ela e a família resta orar e clamar para que esse crime não seja apenas mais um no país. “Justiça e paz é o que queremos”.
O crime
O crime ocorreu no final da noite de quarta-feira, 14 de novembro de 2012, véspera de feriado, os bombeiros foram chamados para atender a ocorrência de incêndio em uma residência na avenida Bento Gonçalves. Ao chegarem ao local, encontraram na sala o corpo de Leonardo Chagas Bretanha, carbonizado. Após perícia, foi constatado que a vítima havia sido degolada. A Brigada Militar e Polícia Civil foram acionadas e durante a inspeção notaram que o carro da vítima havia sido levado. Testemunhas informaram ter visto o veículo sair em alta velocidade em direção a BR-116.
Em contato com a concessionária da rodovia, foi apurado que o carro havia cruzado em direção a Pelotas, e através desta ação conjunta, a Brigada Militar de Pelotas foi acionada e passou a perseguir os suspeitos, que foram abordados na av. Duque de Caxias, no bairro Fragata. Presos em flagrante com o carro, documentos, dinheiro e outros pertences da vítima, Adílson Vahl Jr, Ariel da Rosa e Valéria Vega foram encaminhados ao Presídio Regional de Pelotas.
Em busca de explicações e justiça
No dia seguinte, o clima de comoção e revolta era intenso em Jaguarão. Durante o verão, a comunidade de Jaguarão se mobilizou e centenas de pessoas participaram de uma grande caminhada pelo centro da cidade. Com o rosto de Eduardo estampado em camisetas e a palavra justiça, os amigos e familiares lembravam com carinho do amigo que partiu vítima da violência. Até mesmo quem não o conhecia se uniu em solidariedade, somando forças e pedindo paz e justiça.
Nesta semana em que o crime completou um ano as manifestações de indignação, saudade e apoio a família tomaram conta das redes sociais. Na tarde de quinta-feira (14) um grande número de pessoas participou da missa de um ano de falecimento de Leonardo, realizada na Capela do Hospital.
O processo
Desde o dia em que foram abordados com os pertences e o carro de Leonardo em Pelotas, os três acusados do crime estavam presos, porém, no mês de maio deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, concedeu Habeas Corpus para a ré Valéria Vega, que passou a responder o processo em liberdade. No dia 24 de julho, uma nova prisão preventiva foi decretada pelos desembargadores da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado e no mesmo dia o mandado foi expedido pelo juiz, que na época estava como substituto da Comarca de Jaguarão, Cléber Fernando Pires. No dia seguinte a acusada foi presa em sua residência e recolhida ao Presídio de Jaguarão.
Para familiares da vítima e a comunidade, o fato foi uma demonstração de justiça, porém um dia após a prisão, a própria Comarca de Jaguarão e o Ministério Público foram surpreendidos por uma nova decisão do presidente da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, que determinou que a ré fosse imediatamente colocada em liberdade, considerando que ela tem o direito de assim recorrer até a decisão final do recurso. O Ministério Público reforçou a gravidade e a crueldade do crime e em um documento afirmava que a comunidade havia ficado abalada com a notícia da soltura da ré, e que o fato gerou a coleta de mais de mil assinaturas em um abaixo assinado. Na época, a promotora Cláudia Rodrigues afirmou que a nova decisão do Judiciário surpreendeu a comunidade. “O Ministério Público está inconformado com essa determinação e infelizmente não há o que fazer neste momento”, lamentou. Hoje a ré segue respondendo o processo em liberdade e os dois réus permanecem presos em Pelotas.
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