S�bado, 04 de julho de 2026, 11:15h
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Confira mais uma conversa da série que tem como objetivo informar à população sobre o andamento político-econômico da região
Em uma conversa que teve como ponto principal o desenvolvimento econômico e social da região, o deputado estadual Adilson Troca (PSDB) conversou com o Jornal Tradição Regional sobre seus principais projetos, sobre a situação atual dos governos do Estado e federal, além de sua atuação política desde o primeiro mandato. Troca é casado com Sueli Troca, com quem tem duas filhas, Sabrina e Suelen. Até hoje reside na comunidade da Vila da Quinta, local onde nasceu, no interior de Rio Grande. Com origem na agricultura familiar e na pesca, aos 29 anos se formou técnico contábil e em 1988 foi o primeiro vereador eleito pelo PSDB no Estado. Foi vice-prefeito e secretário de Obras da Prefeitura de Rio Grande, entre 1993 e 1996. Atualmente está em seu 4° mandato consecutivo na Assembleia Legislativa.
Em 1998 elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Em 2002, concorrendo à reeleição, ampliou sua votação. Em 2003 assumiu o cargo de Chefe da Casa Civil Adjunto e foi nomeado secretário de Estado do Meio Ambiente em maio de 2004. Retornou a Assembleia Legislativa em 2005, onde passou a presidir a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia e a coordenar a Campanha Estadual de Estímulo à Doação de Órgãos. Em 2006 aumentou sua votação em 50%, totalizando quase 40 mil votos, e foi escolhido para atuar como líder do governo no primeiro ano da Gestão de Yeda Crusius, responsabilidade que assumiu novamente em 2010.
O deputado é autor de dezenas de leis de relevância social, entre as quais o Passe Livre Intermunicipal para Deficientes Carentes, Teste do Pezinho Gratuito, Redução de Danos para Drogados e Prevenção à Aids. Com foco principal na Zona Sul, o parlamentar atua em parceria com a comunidade, lideranças e sindicatos pelo Porto de Rio Grande, desenvolvimento econômico, preservação ambiental e melhoria da qualidade de vida da população. Atualmente Adilson Troca é o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, além de coordenar a Frente Parlamentar de Estímulo à Doação de Órgãos e, em abril de 2013, foi eleito presidente do PSDB-RS. Confira a entrevista:
Jornal Tradição Regional: Quais foram principais projetos realizados na região e no Estado?
Adilson Troca: Podemos começar falando do Polo Naval de Rio Grande, que é um projeto que há muitos anos se lotou pra que ele acontecesse. Tínhamos uma perspectiva de que em um determinado momento o Porto de Rio Grande teria uma valorização. Com muitas dificuldades o Porto foi descoberto. Pra se ter uma ideia, a área do distrito industrial, que não tinha tanta procura, hoje está totalmente ocupada. Inclusive o estado seleciona empresas com maior potencial. A cidade, com o crescimento do polo naval e dos investimentos da Petrobras na região, de um salto de qualidade na área de desenvolvimento, mas em outras áreas ainda enfrentamos problemas. Aí se pergunta, porque a cidade não se preparou para receber estes investimentos? É que ninguém se preparava, não havia motivo. Era difícil que as pessoas fizessem um curso para algo que ainda não existia.
A mobilidade urbana, que a gente tanto fala. Porque que no governo Yeda, conseguimos fazer a duplicação da RS-734, da entrada da cidade até o cassino, porque ali era o movimento, se fosse pegar para o lado da cidade, não havia movimento ainda, hoje é uma das maiores necessidades, a duplicação do trevo até o pórtico da cidade. A cidade teve aquele “estouro”, e estamos correndo atrás de infraestrutura, saúde, educação e segurança, que são os itens principais.
São José do Norte também recebeu um investimento muito grande, além do estaleiro, que tem prazo para começar a funcionar, e a obra está indo muito bem. Há também uma mineradora que está se instalando e lutando para começar a trabalhar na área do titânio, que é uma jazida fantástica que temos na região. Há ainda a energia eólica, que está vindo com muita força para a região.
A nossa região, através do Polo Naval e do crescimento de São José do Norte, trouxe o desenvolvimento para outras cidades como Pelotas, que tem a mão de obra. Quando o crescimento vem para uma região, não vem uma coisa só, desenvolvimento atrai desenvolvimento. A duplicação Porto Alegre-Rio Grande e Pelotas-Rio Grande veio por causa do Polo Naval, se lutava há aos por isso. Tem momentos que o crescimento é tão grande e tão importante para o próprio país que o orçamento já contempla uma obra maior. Todos os municípios da região se beneficiam, mudando o perfil econômico do local. Hoje, quando se faz um planejamento, já se busca um investimento. Tínhamos deficiência em infraestrutura, mas agora outras coisas vão se desenvolver na região.
Além do desenvolvimento, tem o crescimento da hotelaria, gastronomia e até uma mudança da cultura da cidade. Rio Grande não tinha característica de colocar mesas nas ruas em frente a bares, o que já acontecia em outras cidades, por exemplo. Construção de casas para alugar também, em locais onde nem se pensava em investir, mexendo também com a geração de empregos. O momento é da metade sul, e mesmo com as dificuldades, dá pra comemorar bastante. Eu mesmo, que já estou há 16 anos nesta função, participando de toda a transformação do Polo Naval e da região, fico contente em ver os resultados e em ter podido participar. A nossa pecuária também cresceu, e a nossa cultura, do nosso produtor, cresceu. A inovação chegou ao campo, com ideias novas e cabeças novas. Como exemplo, a Feovelha, que atualmente já traz ideias novas para o evento, que está cada vez melhor.
JTR: Como avalia a atuação do governo do Estado e as ações do governo brasileiro?
Adilson Troca: Eu acredito que o Estado passa por um momento muito difícil. Se formos fazer uma análise, perdemos o equilíbrio orçamentário, fechamos 2013 com um déficit de 1,4 bilhão de déficit, mas o pior é que o Estado buscou muito dinheiro de financiamento, o que nos deixa com uma dívida que vamos ter que pagar. E não se pode dizer que não se tem o dinheiro, mas tem obras, porque elas foram poucas. O Estado ficou com a dívida, mas não deu o retorno em infraestrutura. O dinheiro foi para o custo da máquina pública, que elevou muito. É um momento muito ruim para o Estado, em se falando da parte técnica.
Se formos analisar politicamente, de acordo com as pesquisa de opinião pública, o governo não está sendo bem avaliado. Como o governador é muito habilidoso na política, ele pode estar sendo mais ou menos avaliado, mas o governo dele não está. Não há obras do Estado. Em Rio Grande, por exemplo, o governador teve uma votação expressiva na cidade, e deveria ter deixado em seu mandato uma boa obra e lutamos muito pela RS-734, e não saiu. Tudo o que saiu foi antes. Rio Grande cresceu em cima de um projeto federal. O momento é muito ruim, muitas dívidas e pouco investimento. Nossas obras pararam, não veio nada para a região. Foi uma pena, porque alcançamos o equilíbrio financeiro e depois o perdemos.
Sobre o governo federal, é outra realidade, porque tem dinheiro e está investindo na região. Se eu fosse fazer uma crítica, seria injusto, até porque os investimentos são muito importantes, temos que reconhecer. Acho só que o país se descuidou na parte da economia, considerando que podíamos estar muito melhor. O governo federal sabe fazer a parte política muito bem feita, buscar parceria, visto que a base aliada é muito grande, só que para manter todos esses partidos juntos com o governo são exigidos muitos gastos, quando se duplicam os ministérios, o custo da máquina pública aumenta demais. O custo fixo do país é muito alto, e a inflação, mesmo que não apareça muito, é alta, o que diminuiu a capacidade de compra de uma classe mais baixa. O que é um fenômeno, como muita gente diz, é que a pessoa com menos condições cresceu, porque hoje há uma facilidade de crédito, quem fatura são os bancos, mas a pessoa fica refém, tem um patrimônio cheio de dívidas. Hoje o banco empurra dinheiro nas pessoas. O nosso país é uma potência, mas enfrenta dificuldades, além de que a maioria dos projetos são políticos, para atrair as pessoas e o voto.
JTR: Quais são as suas expectativas para este ano, considerando que é um ano eleitoral?
Adilson Troca: Este ano estou em uma missão um pouco diferente dos anos anteriores, em que fiquei envolvido com o governo em lideranças e relatorias de CPIs, com isso talvez tenha me descuidado um pouco do meu trabalho de deputado, fiquei preso dentro da minha função, não fiz quase nada de campanha na região. Assumi outro compromisso também que é a presidência estadual do PSDB, o que é muito corrido. Acho que a nossa nominata está muito boa, tanto estadual quanto federal, além de estarmos buscando coligações com diversos partidos. No articular, estou trabalhando bastante para uma reeleição. Sempre que tive oportunidade dentro do meu mandato, nunca me acomodei, sempre tive muitos projetos. As pessoas que votam em mim, não o fazem pelo meu trabalho na Assembleia, fazem pela presença na região, o que agora eu tenho feito muito. O deputado tem que estar sempre junto aos problemas e à comunidade. Procuro estar sempre muito presente. Faço um trabalho social muito forte também. Dentro do trabalho que me propus, estou preparado para enfrentar um quito mandato, o que não é pouco. Quando eu não vou a um lugar, não apareço também em época de eleição, não é o meu perfil. Sou autor de muita leis que deram muito retorno, como o passe livre interestadual para pessoas com deficiência física, teste do pezinho obrigatório gratuito, que atingiu 100% dos recém-nascidos, redução de danos sobre Aids, que tem mais de 70 prefeituras conveniadas, de um projeto que instituiu políticas públicas antidroga, entre outras muitas, e não são “leizinhas”. Coordeno também a frente parlamentar do estímulo à doação de órgãos, enfim, tenho muitas contribuições na área social, além de outros trabalhos em outras áreas.
Cada deputado tem uma cota para fazer material pela Assembleia, todos iguais. A maioria faz boletim informativo, jornal. Eu trabalho só com cartilhas informativas e educativas como a “Trânsito não é brincadeira”, que foi três anos campeã na Feira do Livro de Porto Alegre e já fiz 500 mil cartilhas dela. Todas as escolinhas de trânsito e o pessoal da Brigada trabalham com ela. Tenho também a cartilha da árvore, da doação de órgãos, do cão vira-lata, e mando fazer pela minha cota para distribuir, além delas serem com produção de pessoas da comunidade, que me convidam a ser apoiador e, diferente dos informativos, é um material educativo financiado pela Assembleia.
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