S�bado, 04 de julho de 2026, 08:15h
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Confira mais uma conversa da série que tem como objetivo informar à população sobre o andamento político-econômico da região
Ressaltando os principais projetos no Estado e na região, além de realizar uma análise ampla dos governos Tarso e Dilma, o deputado estadual Nelson Hrter (PMDB) conversou com o Jornal Tradição Regional em mais um JTR Entrevista. Härter Filho ocupa pela terceira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa. Natural de Pelotas, o deputado iniciou sua trajetória política aos 22 anos ao ser eleito vereador da sua terra natal. Em 1997 ocupou uma cadeira no Congresso Nacional como deputado federal por nove meses.
Por conta do trabalho contínuo e comprometido que realiza com foco principal junto às comunidades dos municípios da Região Sul do Estado, Nelson Härter presidiu na legislatura passada a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, órgão técnico de maior importância no Parlamento. Além disso, participa como titular nas comissões de Economia e Desenvolvimento Sustentável, de Segurança e Serviços Públicos e de Ética Parlamentar, e como suplente na Comissão de Assuntos Municipais e Comissão de Finanças, Planejamento, Fiscalização e Controle. Confira a entrevista:
Jornal Tradição Regional: Quais foram principais projetos realizados na região e no Estado?
Nelson Härter: Importante observar que reassumi uma cadeira na Assembleia Legislativa no início de 2013. E neste período de pouco mais de um ano, creio que conseguimos corresponder às principais expectativas da população da Zona Sul do Estado, algumas situações que são reivindicações muito antigas.
Um exemplo é a retomada da luta, iniciada há muitos anos, em favor do de criação do novo Tabelionato de Título e de Notas no município de Pelotas mais precisamente no bairro Fragata. Finalmente conseguimos que o projeto chegasse à Assembleia, acompanhei pessoalmente sua tramitação pelas comissões técnicas e o processo está pronto para ser aprovado no plenário. Será um grande avanço para uma localidade que reúne centenas de empresas e cerca de 130 mil moradores.
O setor da saúde pública igualmente mereceu prioridade. Das emendas que apresentei ao Orçamento de 2014, dei atenção especial para o atendimento hospitalar de várias cidades da região. Hospitais públicos e santas casas que são responsáveis por 80% dos atendimentos via SUS.
É o caso do Hospital Espírita de Pelotas, que necessitada de mais verbas para ampliar suas instalações, uma vez que a instituição é a única da região especializada em casos psiquiátricos e no tratamento de dependentes químicos. Da mesma forma, indicamos a necessidade de mais recursos do Hospital Universitário São Francisco de Paula para compra de equipamentos e novos instrumentos para o Centro Cirúrgico. As santas casas de Jaguarão e de Pedro Osório, assim como o Hospital de Caridade de Canguçu igualmente foram contemplados por emendas de nossa autoria.
Igualmente tratamos das obras de asfaltamento da RS-265 ao longo de 60 quilômetros de ligação entre as cidades de Canguçu e Piratini, o acostamento ao longo da RS-333 (entre o Balneário Hermenegildo e a BR-471), melhorias nas estradas do interior do município de Cerrito e uma nova ponte no distrito de Santa Isabel, em Arroio Grande. Com a obra, a distância para escoar a produção de hortifrutigranjeiros para o município de Rio Grande, no outro lado do canal de São Gonçalo, seria reduzido pela metade aos atuais 120 quilômetros via BR-116.
Por isso, acreditamos que esta retomada do trabalho como deputado da região sul foi produtivo neste primeiro ano. Além dos temas específicos para a nossa região, como deputado igualmente cuidamos dos assuntos de âmbito estadual. É o caso do Passe Livre. Pois foi graças à atuação dos deputados do PMDB que a isenção da passagem de ônibus foi ampliada para as demais regiões do RS.
JTR: Como avalia a atuação do governo do Estado e as ações do governo brasileiro?
Nelson Härter: É preciso reconhecer o esforço de muitos anos do governo federal em oferecer à zona sul um novo patamar de desenvolvimento econômico e social. Neste sentido, investimentos como a duplicação da BR-116 e da futura construção da nova ponte sobre o rio Guaíba representam um grande avanço para tirar a região do isolamento. Foi assim no passado, com a ampliação e modernização do Porto de Rio Grande, hoje principal referência nas exportações do estado e do Mercosul. A política de incentivos para o Polo Naval igualmente estabeleceu novo patamar de crescimento econômico.
São investimentos importantes, mas que teriam um efeito multiplicador maior ainda se não houve, por parte da União, uma política que acaba retirando recursos dos municípios. As desonerações para enfrentar as crises mundiais, como a retirada do IPI dos automóveis e da chamada linha branca, aconteceram com a União usando o chapéu alheio, cortando repasses para as prefeituras, que acabam sendo cobradas diante das demandas sociais como educação, saúde e assistência.
Já em relação ao nosso Estado, a situação é de extrema gravidade. Estamos diante de um governo que entrará para a história do Rio Grande como o aquele que mais agravou a crise nas nossas finanças. O Governo Tarso (PT) ampliou o endividamento do Estado, fez saques superiores a R$ 5 bilhões nos depósitos judiciais e vem ampliando, ano após ano, o rombo no orçamento. Um quadro terrível sem que se perceba investimentos para melhorar as condições do cidadão gaúcho.
Todo o crescimento da receita de impostos acaba se consumindo com o custeio e o inchaço da máquina com CC´s e contratos sem concurso público. É um governo que se preocupa apenas em viabilizar a sua gestão deixando um legado de extrema gravidade para os futuros governantes. Ele próprio já fala que o estado ficará ingovernável a partir de 2015.
Tudo isso e os problemas da vida real se agravando. A falta de segurança pública, a precariedade das estradas, a falta de melhoria nos serviços de saúde, escolas sendo interditadas por falta de simples reformas, falta de professores – que por sinal aguardam até hoje o pagamento do Piso do Magistério, enfim um governo que não mostrou a que veio. O tal alinhamento das estrelas não passou de uma nuvem negra para o futuro do Rio Grande.
JTR: Quais são as suas expectativas para este ano, considerando que é um ano eleitoral?
Nelson Härter: É difícil estabelecer qualquer previsão sobre o que nos reserva 2014 até o final do ano. Nos parece inevitável que até mesmo antes, durante ou na sequência da Copa do Mundo haverá protestos a exemplo de junho do ano passado.
Assim como a grande maioria dos brasileiros, eu também acreditei no ex-presidente Lula de que não haveria dinheiro púbico na Copa. E não é o que estamos vendo tanto na construção dos estádios, como nas chamadas estruturas temporárias.
Sou plenamente favorável à realização da Copa do Mundo aqui no Brasil. Todavia, não posso aceitar que a FIFA e suas parcerias multinacionais faturem milhões e milhões a partir da paixão dos brasileiros pelo futebol.
Por isso, fui um dos primeiros a me posicionar contra a destinação de mais R$ 25 milhões de recursos públicos para as estruturas temporárias junto ao estádio Beira-Rio. São investimentos que depois de 30 dias não terão qualquer legado para a sociedade. Já demos nossa contribuição para a Copa do Mundo, através das isenções para a construção da Arena do Grêmio e da reforma do estádio do Internacional. Foram mais de R$ 100 milhões, quando a receita que está sendo prevista com os jogos da Copa do Mundo em Porto Alegre, segundo estudo da FEE (Fundação de Economia e Estatística), está projetada em R$ 36 milhões em ICMS.
Como então discordar das milhares de pessoas cobrando nas ruas hospital padrão-Fifa, escola padrão-Fifa, segurança e assim em tantas deficiências do serviço público. Pois esta situação poderá provocar em grandes mudanças no cenário político nacional.
Em termos da sucessão estadual, o PMDB vem de uma recente escolha majoritária do ex-prefeito de Caxias do Sul, José Ivo Sartori, como nosso candidato a governador. É um homem com uma longa trajetória, um homem sério e com capacidade de gestão para este momento difícil do nosso estado. Sartori sabe o tamanho dos desafios do Rio Grande, sabe da necessidade de grandes transformações para recuperar a confiança das pessoas na atividade política. Ele próprio tem dito que as mudanças exigirão “lágrimas, suor e sangue”. Ou seja, haverá a necessidade de uma grande coalização, uma grande união das lideranças políticas, das lideranças empresariais e dos trabalhadores para superar este momento.
Está definido, então, o nosso nome para concorrer a governador e o partido se lança agora para tratar das coligações, do concorrente ao Senado e da ampliação dos candidatos a deputado estadual e a deputado federal. Mais do que uma expectativa, tenho convicção que o PMDB com Sartori sairá vitorioso deste processo de sucessão estadual, acima de tudo porque temos um candidato que tem a cara do povo, tem a simplicidade como uma virtude, mas acima de tudo a capacidade de recolar o Rio Grande numa posição que nos orgulhará.
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