Sexta, 03 de julho de 2026, 23:30h
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Os vereadores mirins foram empossados no último dia 9 em solenidade especial
No ano do 26º aniversário de Morro Redondo, Câmara Municipal implanta projetos que incentivem a participação popular
A insatisfação com algumas políticas municipais, a vontade de fazer mais por Morro Redondo e o incentivo do pai fizeram com que Angélica dos Santos Milech entrasse para a vida política aos 26 anos. À frente da Câmara Municipal de Vereadores desde janeiro deste ano, foi a vereadora mais votada nas duas eleições em que concorreu, o que além de surpreendê-la, aumentou a responsabilidade em ocupar o cargo. “Se eu achava que podia ser feito de uma maneira melhor, tinha que me colocar a disposição. É fácil apontar o que o outro está fazendo de errado sem nunca ter tentado fazer melhor”. Depois de seis anos exercendo a função, ela tem a certeza de que não estava errada e mesmo tendo consciência dos desafios, se candidatou, pela segunda vez, a presidência da Casa. O objetivo foi alcançado neste ano, quando ao lado de Lauro Rodrigues, Claudio Klumb e Silvia Islabão, forma a Mesa Diretora de 2014.
Mesmo antes de assumir como presidente, Angélica, assim como os demais vereadores, já sentia a necessidade de realizar ações que despertassem na comunidade o interesse em participar das sessões. Para tentar solucionar, ou amenizar, o que hoje para ela é um dos maiores desafios da Casa, visto que a falta de envolvimento da população faz com que, segundo ela, algumas decisões erradas sejam tomadas, o Legislativo implantou neste ano o Projeto Vereadores Mirins. O projeto busca envolver não só as crianças, mas pais e familiares, e, dessa forma, inserir a comunidade morroredondense na política municipal. “Estando aqui [Câmara] dentro, as pessoas conhecerão um pouco do trabalho que estamos desenvolvendo no município e poderão nos dizer se estamos indo no caminho certo. Representamos toda a comunidade, por isso é importante saber dela quais projetos precisamos aprovar, o que precisamos discutir”. Outra finalidade da ação implantada este ano é esclarecer para os pequenos o que realmente faz um parlamentar. Na opinião da presidente, muitas crianças têm uma visão distorcida do trabalho político. “Queremos plantar uma sementinha e, quem sabe, termos no futuro mais pessoas querendo ser vereador e desenvolver um bom trabalho”.
O Projeto Vereadores Mirins
O processo de escolha dos nove vereadores mirins foi definido por uma Comissão de Trabalho, composta por representantes dos pedagogos do município, dos Conselhos Municipal de Educação e da Criança e do Adolescente, Associação Amigos da Cultura e Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social. Alunos do 4º e 5º anos das escolas locais foram selecionados a partir de uma redação ou questionário que contemplassem a história da cidade. Os que obtiveram melhores notas foram submetidos a uma eleição. Como a ideia é que a experiência seja a mais parecida com o real, os próprios alunos votaram e elegeram os vereadores mirins. “Como é o primeiro ano do projeto, sabemos que vão acontecer muitos erros, mas esse foi o pontapé inicial, e mesmo estando pouco com eles, pude perceber o entusiasmo e a curiosidade”.
O dia 9 de maio foi escolhido para a posse dos eleitos. A solenidade, realizada no Centro de Eventos, fez parte da programação festiva de aniversário do município e contou com a presença de alunos, professores, familiares e autoridades. No próximo dia 27, no prédio da Câmara Municipal, às 8h30, eles participarão de uma sessão especial para a eleição da Mesa Diretora. Ainda no mesmo dia, defenderão uma indicação, seja da localidade, da escola ou da turma, escolhida por eles mesmos. Para isso, receberam previamente documentos com as atribuições dos vereadores e um modelo de proposição e indicação. De acordo com Angélica, o trabalho com as crianças continuará no decorrer do ano. A ideia é que eles participem de algumas sessões, acompanhem o desenrolar das indicações que irão apresentar e obtenham respostas dos seus pedidos.
Confira quem foram os eleitos:
E. M. E. F. José Pinto Martins
Accacio Salvador Caldeira Neto
Mariana Barbosa Barbosa
E. M. E. F. Alberto Cunha
Maurício de Souza Duarte
Emanuel Weber Neujahr
Giovana Centeno de Melo
Colégio Estadual Nosso Senhor do Bonfim
Emanuele Eslabão
Gustavo Neujhar de Castro
E. M. E. F. Dr. Vitor Russomano
Vitor Soares Köms
E. M. E. F. Profª Maria Luiza Oliveira
Vitor Hugo Wackholz dos Santos
Evidenciando o potencial do município
Além de exibir uma paisagem única, com cachoeiras e mata nativa, o interior do município possui pequenos produtores com capacidade e vontade para explorar o potencial da zona rural. Com o objetivo de atrair turistas, movimentar a economia e oferecer alternativas de renda para esses produtores, há cerca de um ano, partiu da Câmara de Vereadores um projeto de turismo rural no município. A ideia, que começou no Legislativo, conta atualmente com o apoio da Emater, Prefeitura e Secretaria Municipal de Agricultura. Através da parceria com diversos órgãos, cursos de gastronomia e outras especialidades, que poderão ser aproveitadas no projeto, estão sendo desenvolvidos. “É difícil encontrar uma cidade que tenha vereadores, prefeito e secretários em prol de um único objetivo e conseguimos isso aqui em Morro Redondo”, fala animada a presidente.
O grupo responsável por fazer com que o projeto saia do papel e vire realidade se reúne semanalmente. Algumas propriedades já passaram por reformas, outras ainda estão em processo de adaptação, mas Angélica acredita que em novembro deste ano o roteiro, que evidenciará os principais pontos turísticos do interior, esteja em atividade. Com a iniciativa, além de filhos de produtores, que tinham ido embora do município depois de formados, estarem voltando para investirem na nova alternativa, três novos empreendimentos estão se instalando na região. Uma pousada, um espaço destinado a trilhas e passeios, e outro para a realização de eventos farão parte do caminho, além de café colonial, o pesque pague, que será reativado, e três agroindústrias familiares, que produzirão bolachinhas, cucas, bolos e doces cristalizados.
Desafios e dificuldades
As atividades como presidente ainda são novas para Angélica. Segundo ela, a responsabilidade toma grande parte do tempo e as idas a escolas, casas e bairros, comuns no primeiro mandato, são cada vez mais raras. “O ritmo é outro. Preciso estar na Câmara quase que todo o tempo para saber o que está acontecendo e buscar melhorias para algumas coisas”. Angélica lembra que certos desafios enfrentados pelo município são prioridade para a Câmara diante do impacto que geram para a comunidade. E infelizmente, alguns já se arrastam por um longo tempo.
A situação precária do Ginásio de Esportes, único local no município destinado à realização de eventos esportivos e culturais, é um deles. Segundo ela, a Câmara já foi diversas vezes a Porto Alegre reivindicar, junto à Secretaria Estadual de Educação, uma solução, mas até o momento não obteve resposta. Foi realizada também uma audiência pública sobre o assunto, mas depois disso nada mais foi feito por parte do Estado. Para amenizar a situação, a prefeitura destinou recentemente uma verba para o local, mas ainda assim poucas coisas puderam ser feitas. “A Câmara vem lutando em relação a isso e a comunidade pode até achar que não temos feito nada, mas desde o meu primeiro mandato estamos atrás de uma solução para esse problema”.
Outra questão apontada pela presidente é o caso da VRS-302. A falta de recuos para que os veículos tenham onde parar, no caso de algum imprevisto, é um problema antigo. Segundo ela, a solicitação existente junto ao DAER ainda não foi atendida devido à falta de engenheiros para encaminhar o projeto: a justificativa foi dada pelo próprio órgão. Outra dificuldade que vem preocupando a população de Morro Redondo é em relação à demora dos bombeiros para liberar alguns estabelecimentos locais. A burocracia tem gerado prejuízos aos comerciantes e barrado o desenvolvimento municipal. Para pressionar a entidade e agilizar as liberações, o Legislativo morroredondense uniu-se a outros municípios que passam pelo mesmo problema. “Todos perdem com isso. A comunidade por não ter o serviço. O comerciante por estar com seu estabelecimento fechado e o município por não receber a arrecadação”.
Como acontece em todo município, os desafios enfrentados diariamente são diversos, mas as possibilidades de desenvolvimento que se aproximam não são poucas. Para acompanhar os avanços esperados para os próximos anos, nada melhor que uma comunidade atenta e um parlamento unido e é exatamente isso que Angélica vê atualmente. Uma população que, segundo ela, está com a opinião mais formada e isso faz com que os vereadores repensem constantemente seus atos, e uma Câmara cada vez mais unida em prol da comunidade. “Um vereador sozinho não vai resolver nada, precisamos unir forças, independente de partido, para buscarmos as soluções”.
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