Quinta, 02 de julho de 2026, 00:51h
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Entre depoimentos de políticos e personalidades diversas, a repercussão da morte do candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos redesenha um novo cenário político brasileiro.
Depois da fatalidade, a emoção. A causa de sua morte precoce e brutal, o prestígio e a tradição familiar em Pernambuco, unidos a uma acolhida histórica e emotiva da multidão, converteram a imagem de Eduardo Campos em símbolo da política.
Eduardo Campos parece continuar entre a população, através da frase que marcou a sua entrevista no Jornal Nacional: “Não vamos desistir do Brasil”. Somada a essa circunstância, a quantidade de partidos políticos no país e suas coligações aumentam cada vez mais a incerteza e a dificuldade do cidadão em conhecer o plano de governo dos inúmeros candidatos e fazer a sua escolha. De outro lado, uma tensão passa a fazer parte do PSB. Dispondo de um curto período, o partido optou por colocar Beto Albuquerque como vice de Marina Silva.
Segundo a última pesquisa Datafolha publicada segunda-feira (18) Marina Silva e Aécio Neves estão praticamente empatados na segunda colocação e, ao que tudo indica, irão disputar uma das vagas para o segundo turno na eleição presidencial. Nessa pesquisa, que é a primeira após a morte de Campos, Dilma lidera com 36% dos votos, seguida por Marina com 21%, Aécio com 20% e, os demais candidatos somam um percentual em torno de 3%. O Datafolha criou, também, um espaço de disputa apenas entre a atual presidente e o tucano e, nessa simulação, Dilma encabeça com 41%, contra 25% de Aécio.
Os articuladores políticos das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) admitem que, neste primeiro momento, qualquer análise estará encoberta pelo choque dos acontecimentos dos últimos dias. Todos acreditam que as primeiras pesquisas de intenção de voto tendem a apontar um avanço de Marina, podendo, até mesmo, arrebatar pontos percentuais das candidaturas melhores posicionadas.
Outro fator de grande relevância neste jogo político que deve ser pontuado é a distribuição desigual do tempo de exposição na mídia para os partidos. Na estimativa do tempo divulgado pelo Tribunal Social Eleitoral (TSE), a presidente Dilma Rousseff (PT) deve ter 11min e 24, Aécio Neves (PSDB) deve contar com 4min e 35 e Marina Silva (PSB), com 2min e 3. Com pouco tempo de programa eleitoral, Marina não deverá gastar tempo com ataques contra Dilma, pois será melhor fazer ataques contra Aécio Neves e garantir o 2º. turno contra Dilma. Já ele será obrigado a atacar Marina para garantir o 2º. turno contra Dilma.
A mudança no quadro político aparentemente favoreceu Dilma, que terá muito mais tempo para trabalhar suas realizações durante o programa eleitoral, e sofrerá bem menos ataques dos demais candidatos. Dilma ficará mais livre, sem precisar gastar tempo para se defender dos ataques e poderá crescer para se garantir no 2º turno. Já os outros dois candidatos, igualmente, estarão se desgastando entre eles com a briga para saber quem vai ao 2º turno contra Dilma.
As opiniões quanto ao rumo da política atual apresentam muitas incertezas constatadas na fala de personalidades e autoridades competentes, como é o caso por exemplo, do professor e sociólogo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Luiz Werneck Vianna, que ao analisar o cenário eleitoral após a morte de Eduardo Campos, não vê tantos riscos para a reeleição da presidente Dilma, mas alerta para problemas. “Ela é favorita, mas com novas preocupações”, frisa, em referência à provável entrada de Marina Silva como cabeça da chapa do PSB. “Tudo ainda é muito prematuro, mas podemos ter um segundo turno entre mulheres”, prevê Werneck.
Já o sociólogo e cientista político da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Emir Simão Sader apresenta a seguinte interpretação: “não importa se Marina não é uma pessoa confiável, que pode assustar os empresários do agronegócio, que tenha suas manias ecológicas, mas sim, o que realmente importa é tirar o PT do governo, essa é a jogada política, a direita quer que Marina seja sua tábua de salvação”.
Para o economista, pós-graduado em Finanças e ex-presidente da Associação Brasileira dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC-SP), Francisco Petros, “o comportamento das elites perante o novo marco desta eleição será igualmente importante, pois a palavra está com o eleitor que recebe esta notícia como um novo ponto de partida no inquietante jogo eleitoral do Brasil de hoje”.
Na visão do professor de Ciências Políticas da Universidade de Paris, Stéphane Montclaire “as intenções de voto a favor de Marina vão mudar nos próximos dias, porque a população não conhece ainda a ‘oferta eleitoral’ dela. A reação da população é influenciada pela emoção dos últimos dias, exposta à imagem de Marina nas mídias. E ela soube usar dessa presença gigantesca nas mídias”, diz Montclaire.
De acordo com a doutora em Ciência Política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luciana Santana, “com a morte de Eduardo Campos, a corrida eleitoral pode ganhar novos contornos, a competição política torna-se outra, mas a campanha política do partido deverá focar no projeto proposto por Eduardo e Marina. Acredito que isso será mantido”, comentou Santana.
Para o professor especialista em Sociologia e doutor em Ciências da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Adão José Vital da Costa, “o eleitor mais crítico, ainda não desvelou com o devido teor de convicção as credenciais do candidato”. Em relação ao tempo de distribuição de exposição dos partidos na mídia, concluiu dizendo que “isso é um mito! Na verdade, o impacto do tempo no palanque telemático é de menor importância se comparado com o potencial do estado da arte do convencimento”.
Este panorama revela que o sistema presidencial, dos prazos predeterminados e/ou determinados, mostra seus riscos, visto que dentre os fatos sociais, os políticos em especial, são imprevisíveis.
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