Quarta, 01 de julho de 2026, 14:36h
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Ex-senadora e candidata à governadora, Ana Amélia Lemos (PP), citou Canguçu em uma réplica ao candidato Vieira da Cunha (PDT)
Somente 15% dos gaúchos contam com saneamento básico considerado adequado em casa, ou seja, serviços de tratamento de água e esgoto. Isso significa que, ainda em 2014, cerca de 1,5 milhão de gaúchos ainda não têm acesso à água tratada. O número está bem abaixo da média do Brasil – 50% de casas contam com estes serviços – e o assunto foi um dos temas de discussão do debate entre candidatos a governador do Estado realizado pela RBS TV na noite de terça-feira (30).
O município de Canguçu foi citado pela candidata e ex-senadora Amélia Lemos (PP) durante réplica de uma resposta ao candidato Vieira da Cunha (PDT), no quarto bloco do debate. “Este percentual (15%) é muito baixo em todas as regiões do nosso Estado. A Corsan precisa ser revitalizada, precisa ser ativada através da valorização das suas equipes técnicas. E aqueles convênios com os municípios que estão incapacitados financeiramente e tecnicamente, auxiliados pelo governo do Estado, nesse processo de ampliar os projetos. (Precisamos) também integrar os programas federais do Ministério das Cidades nessa questão de saneamento. Fizemos tentativas para resolver este problema”, disse a ex-senadora, inicialmente.
Em seguida, ela cita o município de Canguçu. “Alguns municípios têm reclamado, como foi o caso de Canguçu. O prefeito (Gerson Nunes) reclamou que fez o convênio, mas a Corsan não fez ainda a implementação do projeto. No nosso governo, nós vamos ativar todos estes programas nessa conivência com os municípios”, prometeu.
Repercussão nas redes sociais
A reação nas redes sociais foi imediata após a declaração de Ana Amélia Lemos. A secretária de Planejamento, Meio Ambiente e Urbanismo, Aline Nunes, questionou esta declaração na sua conta do Facebook. “Não acredito que a Ana Amélia Lemos falou que Canguçu não conseguiu contratar com a Corsan, para tratamento de esgoto, por que a Corsan não quis. Por favor, se hoje não temos saneamento, se não contratamos, é graças aos políticos do partido dela!! Que ironia!”, publicou.
Em outras publicações na mesma rede social, militantes do PT, partido que administra Canguçu desde 2013, e do PP, partido que ficou por 16 anos no Poder Executivo, continuaram travando um debate envolvendo propostas dos seus candidatos e, também, acusações.
Entenda a renovação de contrato com a Corsan
No final do mês de julho, a Câmara de Vereadores anunciou a criação de uma comissão pluripartidária de vereadores para propor emendas ao projeto original de renovação do convênio com a Corsan. A medida foi anunciada após a realização de cinco audiências públicas junto à população, com média de participação de 100 pessoas em cada reunião. Naquele momento, a assessoria de imprensa do Poder Legislativo informou sobre a posição dos parlamentares após ouvirem à população. “O que mais pesou na opinião dos participantes foi o acréscimo nas contas de, em média, 50%, e ainda o período do novo convênio por mais 30 anos. Diante destes fatores, a população se posicionou de forma contrária em relação à renovação do convênio”, dizia um trecho da nota oficial.
Dias depois, o prefeito, Gerson Nunes, lamentou o atraso na renovação do contrato e a postura dos parlamentares. “Vários municípios gaúchos já renovaram esse contrato e estão recebendo investimentos e recursos, enquanto nós continuamos parados, esperando. Esperando não se sabe o quê”, disse à época.
De acordo com a nova proposta, a Corsan passaria a fazer também o tratamento de esgoto no município. O novo serviço seria cobrado somente quando a novidade fosse colocada em prática. Um sistema semelhante foi acordado pela estatal com a cidade de Santa Cruz do Sul. O município do Vale do Rio Pardo receberá R$ 395 milhões de investimento durante os próximos 40 anos. Em Passo Fundo, na Região Norte do Estado, a Corsan também renovou o convênio. O acordo prevê um repasse de R$ 58 milhões destinados ao aumento do sistema de esgoto sanitário.
Em Canguçu, um dos argumentos apresentados pelos opositores da renovação é, segundo o prefeito, a exigência de uma tabela de tarifas exclusiva para Canguçu. “A Corsan tem uma tabela, que é regulamentada pela Agergs, para todo o Rio Grande do Sul. Considero improvável a possibilidade de a Companhia oferecer um preço diferenciado exclusivamente para Canguçu só porque alguns vereadores querem assim”, criticou o chefe do Poder Executivo em entrevista no final de julho.
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