Ter�a, 30 de junho de 2026, 18:08h
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Dilma teme o risco de nomear um ministro e, logo em seguida, vê-lo envolvido no escândalo do Lava Jato.
A palavra incerteza comanda a passagem de 2014 para o Brasil de 2015, mas o chão mole do calendário político registra agora uma auspiciosa pavimentação de terra firme que pode surpreender.
A maior preocupação do governo com as mudanças no seguro-desemprego e em pensões por morte anunciadas na última segunda-feira do ano era bater na tecla de que não são medidas que reduzem direitos, mas corrigem distorções. Após hesitar durante dias, temendo o caráter impopular do pacote, Dilma Rousseff concordou com a adoção das medidas, mas instruiu auxiliares a dar exemplos didáticos de como as regras alteradas permitiam abusos e repetir que só futuros beneficiários serão afetados.
O temor do Planalto era que, de novo, as medidas fossem interpretadas como estelionato eleitoral, uma vez que Dilma passou a campanha dizendo que Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) mexeriam em direitos trabalhistas e previdenciários, se fossem eleitos.
A grande mudança esperada por quem acompanha os planos políticos da presidente é mais agressividade nas concessões. A presidente Dilma teria se convencido de que o modelo dá resultados mais rápidos e melhores que o investimento público direto. O exemplo da modernização dos aeroportos é citado com frequência.
As certezas no momento são de que não haverá um “tarifaço” em 2015 ou após as eleições e que o custo de trazer a inflação para a meta num prazo curto é muito alto e socialmente injusto. Ajustes devem ocorrer, mas não no ritmo esperado pelo mercado e não mudarão o rumo da política econômica.
Aliás, sobre esse assunto, o governo tem tido uma única voz. Interlocutores da equipe econômica em conversas com investidores têm reforçado a percepção de que a inflação não caminhará a passos rápidos para os 4,5% ao ano. Mesmo reconhecendo que os índices atuais, na casa de 6,5% ao ano, são desconfortáveis, o Banco Central e o Ministério da Fazenda têm insistido que uma convergência rápida da inflação exigiria um sacrifício econômico desproporcional e não seria aceito por um eleitor que quer manter emprego e renda.
A estratégia de ajustes lentos na economia durante um segundo mandato da presidente Dilma Rousseff parte da convicção de que o colapso nos indicadores de confiança é parte do processo eleitoral e não um problema estrutural.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que quer participar mais ativamente das articulações de um novo governo do que fez no primeiro mandato. O grau de influência de Lula pode suavizar a política econômica de Dilma Rousseff, mas é preciso lembrar que o ex-presidente nunca foi contra o crescimento do mercado interno, aumento do crédito ou dos salários e dificilmente será um opositor agora.
Lava Jato complica
Além das dificuldades político-partidárias para reformar seu ministério, Dilma tem que lidar ainda com os aguardados desdobramentos políticos da operação Lava Jato, que investiga um suposto esquema de corrupção na Petrobras.
As investigações apontam que haveria desvio de recursos de contratos superfaturados da estatal, que entre outros destinos teria sido usado para financiar partidos e políticos governistas.
A Polícia Federal e o Ministério Público estão colhendo provas baseados em depoimentos por delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, que são réus em ações penais na Justiça Federal por conta da Lava Jato. Há expectativa que dezenas de políticos com mandato parlamentar sejam alvo da investigação, que terá seu desdobramento político apenas em 2015.
Dilma chegou a anunciar que conversaria com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para questionar sobre o envolvimento de possíveis futuros ministros. Janot, porém, se negou a passar informações para a presidente. Como os nomes de políticos citados nas delações de Costa e Youssef, ambas já homologadas pelo ministro Teori Zavascki, do STF, não são públicos, Dilma teme o risco de nomear um ministro e, logo em seguida, vê-lo envolvido no escândalo.
Secretariado
Com a sinalização de que está disposta a promover um ajuste fiscal a partir do ano que vem, a presidenta Dilma Rousseff oficializou os nomes de Joaquim Levy e Nelson Barbosa para ocupar os ministérios da Fazenda e do Planejamento, respectivamente. A dupla não vai assumir imediatamente, como se especulou no começo da semana, mas integrará a equipe de transição do governo, no Palácio do Planalto. A expectativa é de que Alexandre Tombini permaneça à frente do Banco Central.
Confira a lista completa dos nomes divulgados:
1. Aldo Rebelo (PCdoB) (Ciência Tecnologia e Inovação);
2. Cid Gomes (PROS) (Educação);
3. Edinho Araújo (PMDB) (Secretaria de Portos);
4. Eduardo Braga (PMDB) (Minas e Energia);
5. Eliseu Padilha (PMDB) (Secretaria de Aviação Civil).
6. George Hilton (PRB) (Esporte);
7. Gilberto Kassab (PSD) (Cidades);
8. Hélder Barbalho (PMDB) (Secretaria de Aquicultura e Pesca);
9. Jacques Wagner (PT) (Defesa);
10. Kátia Abreu (PMDB) (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento);
11. Nilma Lino Gomes (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial);
12. Valdyr Simão (Controladoria Geral da União)
13. Vinícius Lajes (PMDB) (Turismo);
14. Miguel Rossetto (PT) (Secretaria-geral);
15. Patrus Ananias (PT) (Desenvolvimento Agrário);
16. Pepe Vargas (PT) (Relações Institucionais);
17. Ricardo Berzoini (PT) (Comunicações);
18. Carlos Gabas (PT) (Previdência);
19. Gilberto Occhi (PP) (Integração Nacional);
20. Antonio Carlos Rodrigues (PR) (Transportes);
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