Ter�a, 30 de junho de 2026, 16:48h
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A série de cortes de despesas anunciadas pelo governo atingiu a área da Segurança Pública. No final da tarde de ontem, a Secretaria da Fazenda, por meio de sua assessoria de imprensa, confirmou que a Brigada Militar terá uma redução de 40% no total de horas extras dos PMs. Com defasagem de pelo menos 16 mil servidores, a Brigada vinha concedendo a policiais militares a possibilidade de trabalhar até 42 horas a mais por mês. Com a nova medida, é praticamente inevitável não haver redução de PMs nas ruas.
– Com certeza, o prejuízo da população será muito grande. A maioria dos policiais faz horas extras, eu diria que uns 80%. Se cortarem, vai ficar muito visível nas ruas – analisa o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas.
Durante o dia, a Brigada Militar negou a redução, embora todos os indícios apontassem que ela seria inevitável. Pelas mídias sociais, vazou um documento de um batalhão da Capital no qual o comando comunicava os soldados que as horas extras estariam vetadas. O texto foi tratado como "precipitado" pela corporação, que deverá abrir um procedimento administrativo para localizar o autor.
– Não vai haver qualquer alteração, trata-se da segurança pública. As horas extras aos policiais serão mantidas, não tem qualquer mudança _ sentenciou, por volta das 15h, o responsável pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel João Godoi.
O corte nas horas extras, porém, foi confirmado no final da tarde de ontem, após um reunião entre o secretário da Fazenda, Giovani Feltes e o titular da Secretaria da Segurança Pública, Wantuir Jacini. No encontro, estiveram também, o chefe da Polícia, Guilherme Wondracek, e o comandante da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas. A ideia é enxugar o máximo possível o caixa do governo, nem que para isso tenha de atingir uma área considerada prioritária e prejudicar a já combalida Brigada Militar.
De acordo com a Fazenda, nos próximos dias, técnicos do Tesouro e membros da Segurança Pública vão se reunir para discutir o que o governo chama de "possibilidade de flexibilização" nas horas extras.
Economia de R$ 500 mil na Capital
De acordo com a Abamf, pelo menos 80% dos policiais militares que fazem horas extras são soldados e sargentos, que recebem, por cada uma, respectivamente, R$ 17 e R$ 25. Há ainda tenentes (R$ 35) e capitães (R$ 45 designados), além de oficiais de patente mais alta, cujos valores dependem de tempo se serviço.
Com isso, o atual governo deve economizar em torno de R$ 500 mil mensais com a medida apenas na Capital – a Brigada não divulgou dados sobre o Interior e Região Metropolitana, que seguirão o mesmo critério de redução de horas.
– Não quer dizer que a Brigada vai parar, mas vai haver redução em operações pontuais objetivas, como ações. A ideia é suplementar as horas, caso haja necessidade. Por exemplo, se chegar no dia 25 do mês, e tem mais atividades a serem feitas, a gente espera que o governo nos conceda mais cotas de horas extras – afirmou ontem à noite o comandante geral da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas.
– Teremos de administrar muito bem essa questão das horas. Nossa preocupação é que os batalhões possam não dar conta, talvez tenham dificuldade para manter a qualidade do serviço. Mas esperamos que haja flexibilidade, em caso de necessidade – continuou.
Na reunião de ontem, ficou definido ainda a diminuição da diárias da Operação Verão Numa Boa, a antiga Operação Golfinho, na qual há reforço de policiamento no Litoral. Até a primeira quinzena de março, o orçamento previa gastos de R$ 27,1 milhões com diárias dos policiais. Mas o governo anunciou redução de 25% da verba, que será de R$ 20,3 milhões.
Redator: Assessoria de Imprensa
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