Ter�a, 23 de junho de 2026, 17:20h
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O trecho da BR-116 que vai de Guaíba até Pelotas está, desde 2012, passando por obras de duplicação, praticamente paradas atualmente. No dia 2, Pelotas sediou uma reunião para a formação da Frente Parlamentar em Defesa da Conclusão das Obras de Duplicação da BR-116, coordenada pelo deputado estadual Zé Nunes (PT).
A Frente conta com 29 parlamentares subscritos e com o apoio geral da Assembleia Legislativa. A intenção do grupo é que também haja forte participação dos segmentos produtivos, organizações sociais e lideranças políticas de toda a Região Sul e Centro-Sul do Estado. O objetivo é fazer com que a conclusão da duplicação seja prioridade nas obras rodoviárias do Rio Grande do Sul. Também está incluída na pauta a finalização das obras do contorno de Pelotas e do trecho 4 da duplicação da BR-392, no acesso aos terminais do Superporto de Rio Grande.
Na ocasião, Zé Nunes declarou que esta “é uma mobilização que deve ser de caráter permanente até a gente conseguir vencer”, e que a duplicação tem “todas as justificativas para ser a obra rodoviária mais importante no momento”, devido à recente mudança de perfil econômico e produtivo no Estado, às questões da energia eólica, do porto de Rio Grande, da expansão da produção agrícola, além dos acidentes que ocorrem no local. O presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Amadeu Fernandes, completa que “todas as instituições devem atuar conjuntamente” para isto, apesar de reconhecer que os políticos possuem maior poder de decisão.
O presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) e prefeito de Morro Redondo, Rui Brizolara, frisou que a obra é estratégica para o Estado e de grande importância para o desenvolvimento, e que o atraso “aumenta o custo e o prejuízo para a população com o desgaste que ocorre enquanto a obra não é concluída”. Fatores como erosão, causada pela chuva, fazem com que partes já em andamento precisem ser refeitas quando as obras forem retomadas. Conforme disse a representante da Associação dos Municípios da Costa Doce, Fábia Ritcher, “a cada dia que a obra fica sem movimento nós perdemos recursos já investidos”.
O deputado federal Henrique Fontana sustenta a ideia de que, dados os recursos escassos, devem ser priorizados trechos em áreas urbanas e que permitam liberar o trânsito, por exemplo, e evitar acidentes semelhantes ao que o deputado estadual Pedro Pereira relatou, envolvendo seu filho. Para Pereira, o problema “não é falta de dinheiro, é falta de vontade política e de pressão”.
O prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, lembrou outros casos em que a verba prometida pelo Estado não chegou ao devido destino, como na reforma do ginásio do Colégio Municipal Pelotense e na construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Também compareceram à reunião o vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e representante da Aliança Rio Grande, Torquato Pontes; o coordenador da Aliança Pelotas, Gilmar Bazanela; a vice-presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), Rejane Yupen; a deputada estadual Miriam Marroni; o superintendente regional do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e representante da Secretaria Estadual dos Transportes, Luiz Teixeira; dentre outros.
Insegurança
O chefe da 7ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal, José Dourado, explicou que a BR-116 possui 776 km de extensão, dos quais 250 km estão sendo duplicados - trecho entre Guaíba e Pelotas. Só neste ano, houve 53 mortes na BR, 50% delas no trecho em questão. Sustentando que a duplicação deve diminuir o número de acidentes fatais, Dourado informou que a cada 100 mortes, 40 ocorrem em colisão frontal, durante ultrapassagens. Além disso, em um trecho com as obras já concluídas, o número de óbitos por colisão frontal chegou a zero. Para ele, “infelizmente, tratamos mortalidade como apenas um número, mas não podemos ser tão frios assim, (...) temos que preservar vidas”.
Situação
O superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hiratan Pinheiro da Silva, explica que, atualmente, o lote 1 da obra está sem recursos; nos lotes 2, 3, 4, 5, 8 e 9 as obras estão paralisadas; no lote 6 estão em andamento, mas com previsão de paralisação; e o lote 7 deve ser retomado em setembro, pois ainda há verbas de anos anteriores. Para o restante da duplicação, que está entre 50% e 60% concluída, são necessários aproximadamente R$ 700 milhões.
Na terça-feira (13), deverá ser realizada uma reunião com a bancada gaúcha e com o ministro dos Transportes, Maurício Lessa. Também está nos planos promover uma audiência pública para levar as reivindicações diretamente ao governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori.
Redator: Tradição Regional
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