Segunda, 22 de junho de 2026, 18:31h
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O prefeito eleito de São Lourenço do Sul, Rudinei Harter (PDT), de 51 anos, é o entrevistado desta edição do JTR. Ele nos fala sobre suas expectativas neste primeiro mandato à frente do executivo municipal e conta como pretende conduzir a administração. Harter ainda está se inteirando sobre a real situação em que se encontram as contas e os diversos setores da Prefeitura e revela que mesmo ciente de que a situação é complicada, quer deixar a população bem segura de que tudo vai continuar funcionando. Também apresentamos aos leitores o perfil do novo administrador, sua formação, trajetória política e familiar.
Na próxima edição: Prefeito eleito de Morro Redondo, Diocélio Jaeckel (PTB).
Quem é Rudinei Harter?
Eleito com 15.237 votos, 54,73% dos votos válidos, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), o lourenciano Rudinei Harter, de 51 anos, é advogado formado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Na sua trajetória política, exerceu os cargos de diretor dos Serviços Urbanos, em 1993, de secretários de Obras, em 1994, e de Desenvolvimento Rural, em 1996. Como vereador exerceu mandato de 2009 a 2012, ocasião em que presidiu pelo período de três anos a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Vereadores. Em chapas majoritárias concorreu como vice-prefeito em 2000 e 2004 e como prefeito em 2012. Atualmente, preside o Diretório Municipal do PDT, eleito pela sexta vez.
Filho de pequenos agricultores do interior, é casado há 31 anos com Leni Blodorn Harter, 53, com quem tem os filhos Jonatã, 30, Jenifer, 28, Jéssica, 24, e Julian, 22. Durante 30 anos atuou como empresário no ramo agrícola.
Proporcionar aos lourencianos uma melhor qualidade de vida através de trabalho intenso e dedicado é promessa de campanha que o novo prefeito pretende honrar. Na sua visão, a administração do município não pode se descuidar das obras de infraestrutura, pois a população ainda convive com sucessivos alagamentos e enchentes. Por isso, a cidade que foi atingida em 2011, por uma forte enchente que desabrigou 15 mil pessoas e deixou sete mortos, merecerá atenção especial pela Prefeitura com a realização de ações urgentes e permanentes para evitar os efeitos destes fenômenos.
Harter se diz preocupado com a situação financeira do município, pois o atual prefeito já adiantou que não irá conseguir pagar o 13º salário do funcionalismo, além de uma série de outras dívidas. “Essa será inevitavelmente uma herança que teremos que abraçar”, lamenta. Ele pretende, neste início de governo, realizar uma auditoria nas contas para determinar a real situação financeira além de segurar ao máximo as despesas.
Ele conta ainda que parte do Parque de Máquinas, apesar de estar em condições de uso, não está funcionando por falta de dinheiro para custear o combustível. “Nossa saída será cortar os gastos e fazer a redução do número de Cargos em Comissão, que será de 20% a 30%”, adianta, além da não renovação, num primeiro momento, dos contratos dos serviços terceirizados, medidas consideradas inevitáveis inicialmente. Outra figura que também deverá ser extinta pelo prefeito é a de “sub-prefeito”, hoje no total de sete, e em seu lugar serão contratados técnicos agrícolas, que além das funções específicas do cargo, irão oferecer assistência técnica aos produtores destas localidades.
O novo prefeito diz que pretende contar com atuação maior do funcionalismo de carreira para a manutenção dos serviços. Hoje, a Prefeitura possui 1.725 funcionários e muitos deles subaproveitados. Existem hoje em torno de 11 contratos terceirizados para atender entre outros serviços, como a limpeza pública, rodoviária e zona rural. Com isso, pelo menos 46% da receita do município fica comprometida com a folha, ressalta.
O setor da saúde, segundo Harter, é o que lhe oferece maior tranquilidade porque deve contar com a experiência da ex-secretária de Saúde de Pelotas, Arita Bergmann, que já aceitou o convite para a pasta. “Além da sua experiência, ela conhece bem a realidade do município e isso me traz a segurança de que vai funcionar”, diz. Nesta área ainda há muito para ser feito, admite o prefeito, mas o município possui alguns pontos positivos, como o suporte de dois hospitais (a Santa Casa e o Hospital da Reserva) com excelentes estruturas, e também com 14 postos de saúde, metade deles no interior, apesar de alguns necessitarem de reformas.
O prefeito ainda trabalha na escolha de seu secretariado, mas garante que irá fazer os convites pela competência técnica do profissional. Outro nome já confirmado pelo prefeito é o do técnico da Emater, Alfredo Decker, para assumir a pasta de Desenvolvimento Rural. “O resultado do grupo deve nos transformar num grande governo em São Lourenço com pessoas preparadas para assumir as secretarias e resolver os problemas”, afirma. A atual estrutura deve ser mantida com 10 secretarias.
Ele quer fomentar ainda o trabalho de pesquisa na agricultura, para buscar, além da inovação em alguns plantios tradicionais, outras atividades que poderiam ser exploradas pelos agricultores locais.
Harter também quer reativar com urgência uma série de obras paralisadas, como as das escolas de educação infantil, entre elas, a da localidade da Camponesa, que se finalizadas seriam suficientes para atender a demanda do município. Ele cita ainda a conclusão do asfalto da avenida Coronel Nonô Centeno e a considerada mais importante por ele, que é o desassoreamento do Arroio São Lourenço.
Outra preocupação do prefeito é a continuidade do projeto de tratamento de esgoto, que recebeu o aporte significativo de verbas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). “O único movimento que se viu neste sentido foi de terra”, diz.
Outra preocupação é com o Camping Municipal, responsável por um bom retorno para a municipalidade e que se encontra interditado por uma questão federal, diz. “Não temos verbas previstas nem para o Carnaval nem para o Reponte”, adianta, pois o atual governo não encaminhou os projetos. Mas ele tranquiliza a população de que já estão sendo discutidas alternativas com grupos ligados ao tradicionalismo, a princípio com a realização numa data diferenciada.
Segundo ele, não há a intenção de deixar de realizar nada, como por exemplo, a queima de fogos na virada do ano, que já teve a licitação garantida pelo atual prefeito, ou o Reponte e o Carnaval, que ainda precisam ter projetos encaminhados. Rudinei também quer incentivar o projeto Caminho Pomerano, que necessita de maior atenção por parte do município. “Na área do turismo estamos buscando uma pessoa que irá elevar o nome da cidade”, adianta.
A área de 60 hectares do Distrito Industrial também merecerá atenção especial da equipe da Prefeitura, que deve se empenhar em oferecer infraestrutura adequada para atrair indústrias ao município. “Indústria é importante, mas queremos priorizar a criação de micro e pequenas empresas”, diz. Segundo ele, cada pequena empresa criada irá gerar inicialmente um emprego com carteira assinada. “É melhor investir uma quantia razoável na criação de 100 pequenas empresas do que em apenas uma indústria”.
“A expectativa e a necessidade da população é de que este governo comece com a resolução dos problemas e a nossa intenção é manter o básico e qualificá-lo ainda mais”, assegura. O novo prefeito também quer garantir a execução dos projetos e para isso pretende centralizar sua estruturação em um setor específico da Secretaria de Planejamento, com profissional capacitado para abraçar a elaboração dos projetos de todas as secretarias e a busca de recursos para a sua execução.
Apesar de todos os problemas elencados, o novo prefeito quer deixar uma mensagem otimista à população lourenciana, para que continuem confiando, pois sua gestão será de dedicação ao bem comum. “Estamos muito seguros, mesmo conhecendo as dificuldades, e esperamos que os lourencianos comemorem seu final de ano com muita alegria, junto aos seus familiares, e tenham a certeza que o prefeito irá se dedicar muito ao cargo que lhe foi confiado no decorrer dos próximos quatro anos”.
Confira algumas das prioridades do prefeito:
Saúde: Possibilitar a coleta de alguns materiais para exames laboratoriais diretamente nos Postos de Saúde;
Elaborar convênios com laboratórios para coleta de materiais em localidades pré-determinadas no interior;
Sincronizar os agendamentos de consultas com especialistas diretamente nos postos;
Ampliar o horário de atendimento nos postos.
Educação: Garantir qualidade na educação;
Flexibilizar os horários de atendimento nas escolas de educação infantil;
Fortalecer a relação entre ensino e pesquisa;
Dar apoio psicopedagógico para alunos das séries iniciais com dificuldades de aprendizagem;
Reestruturar os programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA);
Aumentar as vagas nas escolas de educação infantil;
Manter e buscar novos cursos de graduação junto aos polos de educação.
Segurança: Viabilizar o funcionamento do videomonitoramento;
Manter constantes reuniões com os órgãos de segurança, viabilizando acordos e apoios;
Executar ações que transmitam segurança, como iluminação, sinalização e mobilidade urbana e rural.
Infraestrutura: Adotar medidas e ações concretas para minimizar os efeitos das cheias;
Adequar ciclovias de acordo com a mobilidade urbana;
Investir na iluminação e pavimentação dos bairros;
Concluir obras paradas e abandonadas.
Redator: Tradição Regional
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