Domingo, 21 de junho de 2026, 23:36h
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O deputado federal Afonso Hamm (PP) foi uma das autoridades que circulou pelo Parque Charrua, na tarde de sábado (28), durante a 33ª Feira e Festa Estadual da Ovelha - Feovelha, em Pinheiro Machado. Em entrevista ao JTR, ele falou sobre os problemas relatados pelos produtores e associações de classe e as reivindicações, que devem ser levadas por ele à Câmara dos Deputados. A de maior repercussão deve ser levada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante audiência a ser marcada pelo deputado para o mês de março e que levará à Brasília representantes das entidades de classe do setor. “Iremos reivindicar que no Plano Safra 2017, que deve ser lançado em maio deste ano, volte a ter uma linha de crédito, com recursos na ordem de R$ 5 milhões, com subsídio de três a cinco anos, para a retenção de matrizes”. Hamm acredita que os resultados no aumento do rebanho comecem a aparecer num período de dois a três anos.
Outra reivindicação é a inclusão desta região criatória de ovinos numa parceria com o Ministério para a criação de uma Secretaria de Cooperativismo. Segundo ele, estas medidas visam potencializar a cadeia da carne, reorganizar a da lã e também valorizar o artesanato, com abertura de mercados e divulgar o potencial desta região, especialmente no artesanato em lãs.
Segundo Hamm, a Feovelha é o grande momento de identificação da verdadeira vocação ambiental da região para uma atividade sustentável, que em épocas anteriores sustentou famílias, através da lã principalmente, pois o comércio da carne era escasso, e, sobretudo, a fibra natural era muito utilizada. Segundo ele, a cadeia precisa de órgãos de apoio e cita uma que está funcionando: a Emater. “O trabalho que eu vi hoje aqui e que vem sendo aprofundado é graças à dedicação dos profissionais para que o pequeno criador possa trazer seus exemplares e competir no concurso de borregas”, diz. “Isto proporciona ao criador fazer um comparativo de seu rebanho e investir na genética”, completa.
O deputado ressalta que as atividades extrativistas precisam ter uma compatibilidade com o meio ambiente. “Nós temos que trabalhar em sintonia, precisamos desenvolvimento, mas temos que trabalhar com atividades industriais que gerem baixo impacto”, ressalta. A cada quatro cordeiros produzidos gera um salário mínimo, diz. Ele também falou do controle do javali e do abigeato, dois grandes problemas que vêm desmotivando os investimentos na atividade. Segundo ele, está com pré-projetos prontos para essas duas questões, mas em fase de aprimoramento. No caso do javali, é preciso reduzir a população significativamente, reconhecer como praga e implantar mecanismos de abate e de transformação destes produtos. “Não queremos fazer uma matança, mas fazer uma redução desta população que virou praga, que mata os cordeiros, com aproveitamento da carne do animal”. Ele menciona relatos de ataques em Santana do Livramento, Herval, Pedras Altas, Quaraí, Alegrete, toda a Fronteira Oeste e Sul, Extremo Sul e Serra do Sudeste, com crescimento da população e da agressividade.
A legislação do Uruguai deve servir como base para o trabalho no Estado, segundo Hamm. “Aqui no Brasil, a legislação ambiental é mais protecionista e é importante ver o que outros países estão fazendo e analisar e termos de legislação e praticidade”. Segundo ele, os produtores têm dificuldade em comercializar produtos como a linguiça por falta de selos, controle sanitário, inspeções sanitárias e de saúde. Outro projeto que está tramitando na Câmara diz respeito ao porte de armas rural com o objetivo de oferecer segurança, principalmente aos proprietários de ovinos, por ser a mais atingida por abigeatários pela facilidade roubar, abater e transportar os animais. Outro projeto de Hamm é estipular o dia 19 de janeiro, data de criação da Associação Rio-grandense de Criadores de Ovinos (Arco), como o Dia Nacional da Ovinocultura, e buscar formas de fomentar o trabalho do pequeno e médio produtor.
Redator: Tradição Regional
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