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24-02-2017

Comunidade de Turuçu cobra investigação de denúncias sobre compra de votos


Foto: Divulgação Moradores exigiram a abertura de uma CPI na Câmara para analisar o caso

A comunidade de Turuçu protestou na segunda-feira (20) durante a sessão da Câmara Municipal de Vereadores. Com o plenário lotado, moradores da cidade cobravam que o legislativo abrisse processo de investigação sobre uma denúncia de suposta compra de votos da prefeita Selmira Fehrenbach à época da eleição. Após o ocorrido, presidentes de partidos do município apresentaram denúncia ao Ministério Público, que deve investigar o caso.


Entenda



No início de fevereiro, áudios compartilhados através de um perfil falso no Facebook divulgaram uma suposta compra de votos da atual prefeita. As conversas gravadas por uma suposta eleitora mostram Rui Fernando Hartwig (Fernandinho), motorista concursado da Prefeitura, articulando doação de materiais de construção em favor de Selmira.


Nos áudios, a eleitora cobra a entrega de materiais prometidos e em um trecho reclama que parte foi entregue no período eleitoral, e o restante, prometido caso a candidata fosse eleita, ainda não havia sido entregue. Ele pedia agilidade na entrega de tijolos e areia para ela e também aos familiares. O nome da então prefeita eleita é citado diversas vezes na conversa. Em um trecho, Fernandinho fala que estava em São Lourenço do Sul, fazendo a transferência de um paciente, o que motivou ainda mais debates após a divulgação dos áudios, pois o funcionário estaria tratando de assunto eleitoral em horário de trabalho, além da compra de votos. Fernadinho, hoje, é coordenador dos transportes da saúde, e sua esposa é a secretária de Saúde do município.


O assunto polêmico gerou um grande debate na sessão da Câmara, logo após a divulgação do áudio, no dia 6 de fevereiro. O vereador Marlon Prasdio cobrou investigações sobre o suposto crime eleitoral durante sessão. “Turuçu vai deixar de ser conhecida como a Capital da Pimenta Vermelha para ser a capital do tijolo e da areia”, criticou ele. No entanto, nada foi feito na Câmara.


Procurada pelo JTR após as manifestações na Câmara, a prefeita afirma que tomou conhecimento de tais áudios pelas redes sociais, e que todos os fatos citados devem ser apurados pelo Ministério Público. “Não autorizei ninguém a usar ou falar em meu nome. Além do mais, os tais áudios foram postados através de um Facebook falso”, assegura. “Neste momento, minha preocupação é retomar o desenvolvimento no município e zelar para que a história de um povo trabalhador construída por homens e mulheres de Turuçu não tenha a mancha da mentira”, completou.


Confusão na Câmara


Na segunda-feira (20), os moradores de Turuçu cobravam, especialmente da presidente do legislativo, Arlete Hartwig, que é do mesmo partido da prefeita, que a Câmara se posicionasse. Apenas Marlon Prasdio voltou a citar o assunto. Quando Arlete encerrou a sessão, sem dar qualquer satisfação à comunidade, os manifestantes a vaiaram. O pedido era de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). 


Entre os manifestantes, estava a família que fez as gravações, cobrando a entrega das doações prometidas. Eles mostraram fotos de cimento, tijolos, janela e da porta que receberam após a eleição. A polêmica toma ainda maiores proporções na comunidade pois Selmira é proprietária de uma casa de materiais de construção.


Os manifestantes ficaram em frente à Câmara cobrando medidas e denunciam que foram hostilizados pelo marido da presidente que não saiu da Câmara e chamou a polícia. Duas viaturas da Brigada Militar de São Lourenço do Sul chegaram ao local e acabaram tendo que conter o homem - ele cobrou a expulsão dos manifestantes do local e acabou sendo contido pelos policiais, já que a manifestação era pacífica.


Com a presença da Brigada, Arlete falou com os manifestantes e recebeu dentro da Câmara alguns representantes. Ela e o advogado da Casa informaram que uma CPI deve ser solicitada por, pelo menos, três vereadores, e para ser aprovada precisa de seis votos favoráveis. 


Redator: Tradição Regional



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