Sexta, 19 de junho de 2026, 12:47h
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Bloqueios na BR 116 serviram pra chamar a atenção da população frete à votação da reforma.
O Comitê local da Frente Gaúcha em Defesa da Previdência realizou na quarta-feira (15) manifestações em São Lourenço do Sul, objetivando chamar a atenção, especialmente de deputados e senadores, para que votem contra a reforma da Previdência. O dia foi de luta nacional contra as mudanças propostas pelo governo federal, mobilizando trabalhadores em todo o país. Nesta edição, é possível acompanhar as manifestações em diversas cidades da Zona Sul, como Arroio do Padre, Canguçu e Pelotas, onde trabalhadores saíram em marcha no final da tarde, partindo do Mercado Público.
Pela manhã, a mobilização dos agricultores familiares começou com concentração no Boqueirão, de onde eles desceram até o trevo na BR-116 com tratores, juntando-se a várias outras representações sindicais e associações. A manhã teve bloqueios da BR-116 nos dois sentidos, com liberação a cada 30 minutos. A categoria dos agricultores seria uma das mais atingidas pelas mudanças, tento que trabalhar mais tempo, além da retirada de benefícios. Especialmente as mulheres da agricultura seriam prejudicadas. “Foi um dia muito produtivo. Aos poucos, a mobilização está criando corpo e nosso comitê local ganhando mais entidades”, comenta Valnei Bröse, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Lourenço do Sul, uma das entidades integrantes do comitê, destacando a força do movimento, especialmente por somar-se às ações semelhantes em todo o Brasil. Uma grande caminhada pelas ruas centrais de São Lourenço também foi realizada durante a tarde.
O dia marcou ainda o início da greve do magistério estadual, que não tem prazo determinado e se posiciona contra a reforma da Previdência, além de questões particulares da categoria.
O comitê local da Frente Gaúcha em Defesa da Previdência é composto por lideranças das seguintes entidades representativas: Banrisul, Caixa Econômica Federal, Polícia Civil, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Cresol, Cooperativa Mista de Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar), Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), Capec, Sindicato da Alimentação, AJS Assessoria Jurídica, Conselho dos Contadores, Z8, Emater, CMAS, Cooperativa dos Estudantes, bancada de vereadores do PT, mandato do deputado estadual Zé Nunes (PT), Sindicato dos Municipários de São Lourenço do Sul (Simussul) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul).
A Previdência Social
A previdência no Brasil é um direito social existente desde 1988 que garante uma renda superior ao salário mínimo para o trabalhador e sua família em algumas situações. Contudo, segundo o governo federal, caso a Previdência Social continue nos moldes como é constituída nos dias de hoje pode entrar em colapso. A explicação é de que mais pessoas estão envelhecendo do que pessoas nascendo.
Conforme informações da Agência Brasil, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse na quinta-feira (16) que o papel do Congresso Nacional é aprovar as reformas trabalhistas e da Previdência propostas pelo governo “para ajudar o Brasil a crescer”. A declaração foi dada depois da primeira reunião da bancada do PMDB no Senado com o presidente Michel Temer, realizada na quarta (15) à noite, em Brasília.
Entenda
Idade
Como é? Hoje, trabalhador pode se aposentar por idade Trabalhador urbano: 65 anos (homem) ou 60 anos (mulher) Trabalhador rural: 60 anos (homem) ou 55 anos (mulher)
Como vai ficar? Com a mudança, a idade fixa é 65 anos
Tempo mínimo de contribuição
Como é? Hoje, homens podem se aposentar com 35 anos de contribuição e mulheres com 30
Como vai ficar? Com a mudança, homes e mulheres deverão contribuir 25 anos
O benefício
Como é? Hoje, homens devem somar 95 anos entre sua idade e o tempo de contribuição, e mulheres 85 anos. Chegando a esta soma, podem se aposentar, independente da idade
Como vai ficar? Trabalhadores só poderão se aposentar com o benefício completo com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição
Servidores públicos
Como é? Parte da aposentadoria vem da contribuição dos servidores e outra parte do governo
Como vai ficar? Servidores entrarão na regra geral
Militares
Como é? Podem se aposentar com 50 anos e recebem pensão integral
Como vai ficar? Nada muda
Pensão por morte
Como é? Valor integral + ajuste vinculado ao salário mínimo
Como vai ficar? 50% do valor integral + 10%, com reajuste desvinculado do salário mínimo
Quem se encaixa na nova regra?
Homens, com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45.
Regra de transição
Os trabalhadores homens, com mais de 50 anos, e mulheres, com mais de 45 anos, entram em uma regra de transição, onde deverão cumprir um tempo extra de 50% do tempo restante para se aposentar. Ou seja, um homem com 33 anos de contribuição, que está a dois anos de se aposentar, segundo a regra de transição, deverá trabalhar mais 50% desse tempo, ou seja, ficará a três anos de se aposentar.
Redator: Tradição Regional
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