Sexta, 19 de junho de 2026, 02:55h
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O Jornal Tradição Regional abre um espaço para os deputados estaduais, representantes da Zona Sul do Estado, na Assembleia Legislativa (AL) do Rio Grande do Sul.
No total de sete, eles falam da sua atuação política, cenário nacional, estadual e regional e suas proposições em busca de melhorias à conjuntura regional. Eles relatam suas propostas – consolidadas ou em análise – para as áreas da saúde, educação, infraestrutura, segurança e agricultura.
A série será aberta com o deputado estadual pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Adilson Troca, de 67 anos, em seu quinto mandato legislativo e atual presidente da Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo da AL.
Na próxima edição: deputada estadual Miriam Marroni (PT)
Quem é Adilson Troca?
Natural de Rio Grande, Adilson Troca é técnico contábil e considera que ingressou tarde na política. De origem humilde, ligada às atividades da agricultura e da pesca, que exerceu até os 30 anos, quando resolveu mudar de vida e se tornar contador.
Até os 38 anos exercia o papel de líder comunitário, na sua região, a Vila da Quinta. Foi quando resolveu se dedicar à vida política e foi eleito vereador em 1988, o primeiro do município e do Estado pelo PSDB, mandato que exerceu entre 1989 e 1992. O início da história política de Troca se confunde com o do próprio partido em Rio Grande, pois além de ser um dos fundadores, foi eleito vice-prefeito em 1992, ao lado de Alberto José Leite, o primeiro prefeito pelo partido no município. No mesmo período, entre 1993 e 1996, além de vice-prefeito, foi secretário de Obras de Rio Grande. Atualmente, exerce seu quinto mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, onde preside a Comissão de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo.
Seu primeiro mandato como deputado estadual pelo PSDB veio em 1998. Em 2002, concorrendo à reeleição, ampliou sua votação. Em 2006, aumentou sua votação para 39.292 votos, em 2010, foi eleito com 36.611 votos, e em 2014, com 32.579 votos.
Em 2003, assumiu o cargo de chefe da Casa Civil Adjunto e foi nomeado secretário de Estado do Meio Ambiente, em maio de 2004, na gestão de Germano Rigotto. Retornou à Assembleia Legislativa, em 2005, onde passou a presidir a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, e a coordenar a Campanha Estadual de Estímulo à Doação de Órgãos. Foi líder do governo no primeiro ano da gestão da governadora Yeda Crusius, responsabilidade que assumiu novamente em 2010, no governo de Tarso Genro (PT). Foi escolhido para a relatoria da Lei de Diretrizes Orçamentárias, por três vezes (2000, 2002 e 2007), sendo duas em governos de Olívio Dutra (PT) e outra no governo da Yeda Crusius (PSDB).
Segundo ele, foi um dos organizadores do PSDB em Rio Grande e presidiu o diretório estadual por 12 anos. Nos últimos 15 anos presidiu comissões como a de Finanças, Saúde, Educação e Economia, e representou o partido na Mesa Diretora, por quatro anos, como vice-presidente e secretário.
Suas gestões sempre se caracterizaram pelo trabalho sério e comprometido com a comunidade, afirma. “Tenho um perfil de construção e uma dificuldade muito grande de fazer política partidária. Gosto de ajudar e podem sempre contar comigo para construir, independente do partido que está no poder. Fui eleito para trabalhar pela comunidade”, salienta.
Troca garante que é aposentado pela Previdência Social e nunca optou pela aposentadoria especial de deputado. Sua residência, quando não está em Porto Alegre, continua a ser na Vila da Quinta, local onde nasceu e se criou. “No início da minha atividade política fui o mais votado na Vila da Quinta”, afirma.
Casado há 40 anos com Sueli Silva Troca, de Piratini, possui duas filhas e três netos. Entre a família, o único que lhe acompanhou na vida política, foi o irmão Adinelson Troca, que foi secretário de Agricultura, no governo do prefeito Janir Branco.
Segundo Troca, ao longo de seus mandatos, deixou algumas conquistas para o cidadão gaúcho, como o Teste do Pezinho, pois foi autor da lei que tornou obrigatório o exame na rede pública estadual de saúde. “O Rio Grande do Sul foi pioneiro neste exame pelo SUS [Sistema Único de Saúde], o que beneficiou milhares de crianças”. Outra lei que teve origem em um projeto de Troca é a de Redução de Danos, que obriga o Estado a tratar os usuários de drogas. “Esta lei instituiu políticas públicas para buscar a recuperação destes cidadãos”.
Ele também foi autor do projeto que instituiu o passe livre nos ônibus urbanos para portadores de deficiência. A lei foi regulamentada pela governadora Yeda Crusius, quando Troca era líder de governo, beneficiando os portadores de deficiência com passe livre intermunicipal e estadual, quando foram confeccionadas mais de 60 mil carteirinhas. “Por estas quatro leis cheguei a ganhar um prêmio de responsabilidade social”, afirma.
Desde 2005 é coordenador da Frente Parlamentar de Incentivo à Doação de Órgãos, com trabalho destacado nesta área. “Neste ano, indiquei a Medalha do Mérito Farroupilha à ONG Via Vida, dedicada à causa da Doação de Órgãos”, conta.
Também é autor de várias leis dedicadas ao tradicionalismo, como a instituição do Dia da Canção Nativa, do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) como Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul e a que tornou permanente a Chama Crioula no município de Piratini.
Na agricultura, ele se orgulha de ter sido autor da lei que cria o Sistema de Certificação de Qualidade de Produtos Agrícolas, Pecuários, Florestais, Pesqueiros e Agroindustriais do Rio Grande do Sul e de um selo de qualidade para os produtos, processos e serviços. A Lei foi regulamentada no governo de Germano Rigotto, e tem entre os seus objetivos certificar a origem dos produtos gaúchos, para valorizá-los nos mercados nacional e internacional.
Na área da educação, possui projeto que obriga os alunos do Estado a usar uniforme escolar. Segundo o deputado, o projeto de lei está parado na AL por rejeição dos próprios alunos. Para ele, o uso do uniforme escolar passa a ideia de igualdade entre todos.
Mas entre os temas mais polêmicos atualmente e que têm a participação ativa do deputado, segundo ele, dizem respeito à duplicação da BR-116, que vem sendo tratado diretamente pela comissão de economia, através de audiências públicas, e do polo naval, que segundo ele, é um tema difícil, ainda mais agora diante das recentes declarações do ex-ministro e atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, de que a estatal estaria falida. Ele acredita que há uma saída para toda a estrutura criada em torno do polo naval. “Se a construção das plataformas é inviável, podemos buscar outro modelo para aproveitamento desta estrutura e pessoal técnico, por exemplo, a construção dos cascos”, sugere.
Para Troca, a segurança é a situação mais delicada vivida atualmente, pela falta de estrutura do Estado, que precisa contratar mais efetivo policial. No entanto, ele acredita que o problema maior é a falta de moral e ética que passa a humanidade. “As próprias lideranças estão dando mau exemplo”, ressalta. Outro grande complicador, segundo ele, são as drogas, o mal do momento. “Em 90% dos assaltos, há o envolvimento com drogas”, diz. Para ele, uma forma de solucionar isto seria a criação de políticas públicas para enfrentar o problema e culpa o Estado e os demais poderes pela falta de investimentos em educação e geração de empregos. Para finalizar, ele se coloca à disposição dos prefeitos e das lideranças locais independente de partido para trabalhar em favor das demandas regionais.
Redator: Tradição Regional
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