Quinta, 18 de junho de 2026, 22:36h
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As dificuldades financeiras da Prefeitura preocupam o prefeito Rudinei Harter
Com 100 dias de governo, na chegada dos 133 anos de São Lourenço do Sul, o prefeito Rudinei Harter tem na crise financeira o maior desafio da gestão. No entanto, comemora ações já desenvolvidas e importantes obras saindo do papel
JTR: Como o prefeito avalia os 100 primeiros dias de governo?
Rudinei Harter: Esses dias foram mais de conhecimento da estrutura e montagem de equipe, cada um com suas especialidades para cada secretaria, e acredito que fomos felizes nas escolhas, com um secretariado capacitado e com conhecimento, compromisso com a máquina pública.
Priorizamos desde o primeiro dia a valorização do funcionalismo municipal, mantendo a folha de pagamento em dia e também o fundo de aposentadoria que é um direito, apesar de todas as dificuldades.
JTR: O que já foi possível realizar?
Rudinei Harter: Foi principalmente a necessidade de recuperação da frota da Prefeitura, pois o que encontramos não tinha o mínimo para funcionamento e para atender a necessidade da comunidade, como, por exemplo, máquinas para fazer estradas, ambulâncias para transportar os doentes, veículos para atender e fazer um bom trabalho. Estavam todos com problemas, falta de lubrificantes, pneus, peças. De certa forma dava um desânimo.
Mas como assumimos um compromisso com a comunidade, começamos desde o primeiro dia a fazer a recuperação da frota. Foi com muita dificuldade pela falta de dinheiro, pois encontramos nos primeiros dias um acumulado de dívidas que chegou a R$ 36 milhões. Ainda assim conseguimos recuperar as ambulâncias e hoje temos quatro funcionando, o que permitiu dar um atendimento bom aos pacientes no período em que a Santa Casa esteve em greve e muitas pessoas nem perceberam porque junto com a secretária de Saúde, Arita Bergmann, conseguimos montar um plano de trabalho com essas ambulâncias e todos que tiveram alguma necessidade foram atendidos tranquilamente.
Também tivemos a felicidade de retorno do trabalho dos médicos da Santa Casa, com acerto de redução de 20% nos salários que será importante e, infelizmente, também a necessidade de cortar alguns funcionários. Isso é ruim, mas a Santa Casa precisa fazer esses ajustes. Formamos um comitê consultivo de crise para tomar algumas decisões e está dando resultados.
Implantamos o programa Criança Feliz, extremamente importante para acompanhamento das crianças e gestantes. Encontramos a Farmácia sem remédios e com dívidas aos laboratórios que não entregavam mais remédios e aos poucos estamos recuperando. Hoje, já chegamos aos 80% dos medicamentos principais.
Iniciamos uma obra extremamente importante que é o asfaltamento da avenida Nonô Centeno, que está em pleno andamento. Estamos também retomando a obra da escola Proinfância da Camponesa, para terminar e refazer algumas coisas. Temos também unidades de saúde no interior sendo concluídas e a obra do Centro de Eventos da Santa Inês. Também tem a Arena da Barrinha que, acredito eu, vamos encerrar o contrato com a empresa e fazer uma nova licitação, e uma quadra coberta na Lomba que necessitará de uma nova licitação, após o destrate com a empresa que não tem condições de fazer a obra.
Há também o andamento do Ginásio da Escola Francisco Fromming que queremos terminar. O desassoreamento do Rio São Lourenço está bem encaminhado. Conseguimos deixar a cidade limpa com o grande número de turistas. Pegamos a cidade com capim alto, uma aparência de abandono, mas conseguimos limpar tudo e receber bem nossos turistas. Também recebemos o Camping com problemas e já colocamos os piezômetros que era uma exigência da Fepam [Fundação Estadual de Proteção Ambiental]. E, com isso, acredito que teremos o Camping totalmente liberado no próximo verão.
JTR: Quais as principais dificuldades?
Rudinei Harter: Na parte administrativa, tivemos dificuldades em encontrar alguns projetos e documentos extremamente necessários, [além de] computadores com funcionamento precário. Nestes 100 dias tivemos algumas surpresas desagradáveis, como falta de prestação de contas corretas de R$ 15 milhões vindos para São Lourenço depois da enchente e agora estamos sendo cobrados. Se estes R$ 15 milhões tiverem que ser devolvidos ao Ministério das Cidades vai inviabilizar o funcionamento do município. Estamos bastante preocupados neste sentido.
O orçamento não tinha previsão de reajuste ao funcionalismo e até orçamento completo para pagar. Faltou R$ 4,3 milhões para pagar o funcionalismo. O que fizemos, tinha um orçamento de R$ 1,2 de contrapartidas, tivemos que tirar e mandar para a conta de pagar o funcionalismo. Tinha R$ 400 mil para a pavimentação em parceiria com moradores, tivemos que tirar R$ 300 mil para colocar no funcionalismo. Em outros setores foi se cortando de tudo. É um malabarismo diário para manter as contas da Prefeitura. Essa é a dificuldade.
Ainda que tivesse dinheiro, não teria orçamento, tem que fazer suplementação de um lado para outro. E superávit não tem, pois a previsão é de R$ 12 milhões a menos que no ano passado na arrecadação. Estamos fazendo milagre. A situação é preocupante. Vamos fazendo o que dá. A equipe é boa e a comunidade tem ajudado muito, tem auxiliado e compreendido as dificuldades. Apesar de tudo isso, todos os projetos sociais continuam também normalmente. A preocupação maior é com a possibilidade de devolver os R$ 15 milhões. Se isso vier a acontecer, inviabiliza completamente o governo. Vamos ter uma catástrofe de novo, não de água, mas financeira. Os dois ex-prefeitos é que vão responder, mas o município terá seu CNPJ inviabilizado. Não posso dizer que não tenho nada a ver com isso, pois o município tem que responder. Tínhamos uma esperança de entrada de mais de R$ 2 milhões de IPTU, mas até 13 de abril tinha entrado R$ 1,4 milhão. Então é sempre a menos, sempre a menos.
JTR: Como o prefeito enxerga São Lourenço que chega aos 133 anos?
Rudinei Harter: Temos que olhar as coisas de forma positiva. São Lourenço tem muita coisa boa e nós queremos melhorar mais ainda. Eu tenho a dizer que este município é maravilhoso de se viver. Temos coisas aqui que poderíamos aproveitar melhor.
Tenho certeza que as pessoas que vivem aqui se sentem bem. E tem toda essa natureza que nos presenteia, nos premia. São Lourenço é um lugar raro de tão bom que é para morar. E nós temos que fazer com que melhore ainda mais, que as pessoas tenham da administração pública o retorno para vivem ainda melhor. É o que gostaríamos de dar a população, ainda que essa seja uma cidade maravilhosa.
Redator: Tradição Regional
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