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05-05-2017

JTR Entrevista: Deputado estadual, Catarina Paladini (PSB)


Foto: Divulgação/AL-RS

 


O entrevistado desta semana do JTR Entrevista é o deputado estadual Catarina Paladini (PSB). Um dos mais jovens deputados estaduais pela Zona Sul do Estado, Catarina tem como sua marca registrada a luta para reduzir as desigualdades econômicas e sociais da região que representa. Ele fala um pouco da sua trajetória política e as demandas da Zona Sul, que defende junto ao governo do Estado e na Assembleia Legislativa (AL) do Rio Grande do Sul. Comenta ainda sobre suas perspectivas em relação ao cenário nacional, estadual e regional, e suas proposições em busca de melhorias à conjuntura regional. Relata suas propostas - consolidadas ou em análise - para as áreas da saúde, educação, infraestrutura, segurança e agricultura.



Na próxima edição: Deputado estadual Luís Augusto Lara (PTB)


Quem é Catarina Paladini?


José Antônio Frozza Paladini, de 34 anos, é conhecido como Catarina Paladini por sua naturalidade, pois nasceu em São Miguel do Oeste, Santa Catarina. Aos 11 anos, se mudou com a família para Pelotas, onde começou sua trajetória política no movimento estudantil. 


Formado em Direito pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), se destacou por seu trabalho social no bairro Fragata, o mais populoso da cidade. Na primeira eleição de que participou, em 2004, obteve 2.543 votos para vereador. Quatro anos mais tarde, já era o segundo candidato mais votado do município, com 6.722 votos. 


Em 2010, aos 27 anos, foi eleito o deputado mais jovem do Rio Grande do Sul, com 32.035 votos. No primeiro mandato, propôs emenda constitucional e 18 projetos de lei. 


Foi o responsável por criar a Frente Parlamentar em Defesa de Políticas Públicas para a Juventude, a Comissão Especial para Acompanhar a Situação da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e a Frente Parlamentar das Comunidades Terapêuticas. Foi vice-presidente da assembleia gaúcha e relator da CPI da Energia Elétrica.


Em 2012, aos 30 anos, o parlamentar concorreu à Prefeitura de Pelotas e em 2014, assumiu o segundo mandato, atuando como presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e como titular da Comissão da Educação, Cultura e Desporto.


Em junho de 2016, o parlamentar assumiu como secretário do Trabalho e Desenvolvimento Social do Rio Grande do Sul, sendo o secretário mais jovem do governo Sartori, função que exerceu por seis meses, até 31 de dezembro de 2016, quando retornou à Assembleia Legislativa e assumiu como presidente da Comissão de Segurança e Serviços Públicos.


Segundo o deputado, seu retorno à AL, em janeiro deste ano, foi pautado pelo desenvolvimento econômico da Zona Sul, que, segundo ele, dialoga diretamente com a conclusão das obras de duplicação da BR-116, a manutenção do polo naval de Rio Grande, o projeto da região metropolitana da Zona Sul e, principalmente, com as ações de recuperação da Cooperativa Sul Rio-Grandense de Latícinios (Cosulati). Ele ressalta a importância da instituição com 44 anos de atividades e que é o meio de sustento de 25 mil famílias, que dependem diretamente da agricultura familiar para o seu sustento. Além disso, atua em 47 municípios e hoje busca a recuperação, credibilidade e necessita do apoio das instituições e do governo do Estado para retomar as atividades a pleno.


Antes disso, como secretário de Estado, em um curto período de tempo, seis meses, segundo ele, intensos, conseguiu organizar e modernizar a Secretaria do Trabalho. Foram digitalizados mais de 200 mil processos, gerados em 15 anos de Secretaria, o que além de recuperar a memória, contribuiu para criar um aparato de proteção do Estado a uma série de ações trabalhistas coletivas, geradas em governos anteriores.


Desde 2012, defende projeto de amparo ao autismo, o qual possui expectativa iminente de virar Lei Estadual do Autismo, que oferecerá acesso às políticas de Estado aos pais, já que muitos deles precisam largar seus empregos para acompanhar de perto seus filhos autistas. 


Outro segmento defendido pelo deputado são as produções locais, como o turismo, na intenção de suprir a quebra significativa gerada pelo polo naval na região. Também quer estimular iniciativas locais que geram tecnologia à área da saúde, como, por exemplo, a empresa Freedom de cadeiras de rodas motorizadas, que sofre com a crise econômica.


Catarina hoje preside a comissão permanente de Segurança e Serviços Públicos. “Um dos grandes temas é o sentimento de insegurança que aflige o cidadão atualmente”, diz. Segundo ele, a comissão está rodando todo o Estado na busca de maneiras de suprir isso ouvindo o cidadão através de audiências públicas.


Entre as sugestões da comissão está a adesão dos municípios à Lei 13.022, de dezembro de 2014, que possibilita a criação das guardas municipais. “Pelotas fez isso, amparando seu efetivo”. Conforme o deputado, houve uma redução de quase seis mil homens no efetivo da Brigada Militar que era de 24 mil, e em 2017 é de 18 mil.


Outro projeto se refere aos serviços públicos, num momento em que o Estado busca a redução da máquina, com a criação do Tudo Fácil Regional, com a sincronização dos serviços municipais com os estaduais em um único local, o que geraria economia, por exemplo, com o aluguel de prédios públicos. “Os 22 municípios da Zona Sul ofereceriam a prestação de serviços num único local, o que geraria respeito com as pessoas”. 


Na área da agricultura, ele destaca uma conquista recente em favor dos pescadores que sofreram em 2015/2016 com a proibição da pesca do bagre, quando 80% do pescado gerado na lagoa era justamente desse peixe. “Buscamos a desburocratização do seguro-defeso ao pescador artesanal que acaba ‘pagando o pato’ pela pesca predatória dos grandes pescadores de Santa Catarina, que chegam aqui em grandes embarcações”, diz.


Na área da saúde, ele destaca o trabalho realizado junto ao governo estadual para honrar seus compromissos e liberar recursos para hospitais filantrópicos e Santas Casas da região, como Canguçu, Jaguarão, Rio Grande e Morro Redondo, além do Hospital Espírita de Pelotas, que está entre os cinco hospitais psiquiátricos do Estado com características regionais. “Dobramos os repasses de recursos”. Segundo ele, apenas com Pelotas, o Estado tem um débito de R$ 8 milhões não apenas desse governo como de administrações anteriores.


“Temos hoje o total de 19 projetos tramitando na Casa, 15 projetos de lei e quatro projetos de lei complementar”, diz, o que, segundo ele, é uma síntese de seu trabalho. Ele defende a política como agente transformador da realidade regional e estadual e para isso, acredita que está nas mãos do eleitor a escolha de pessoas comprometidas com a transformação desta realidade. Para Catarina, o Brasil vive uma crise política, em que ainda busca recuperar a auto-estima e credibilidade internacional, após passar por dois impeachments, primeiro de Collor e depois de Dilma. Para ele, cabe aos partidos políticos oferecer candidatos comprometidos com esta mudança e não apenas movidos pela conquista de votos. “É a política que vai mudar a realidade do Estado e da região”, afirma. Ressalta ser inadmissível que uma região que tem 648 mil eleitores como a Zona Sul não consiga eleger um deputado federal. Ele acredita que cabe às entidades da sociedade civil, tais como a Aliança Pelotas e Rio Grande despertar nas suas comunidades esta consciência política regional, a fim de eleger candidatos afinados com os interesses das regiões que representam.


Redator: Tradição Regional



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