Quinta, 18 de junho de 2026, 16:32h
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Prefeito Diocélio Jaeckel apresenta ações já realizadas e comenta o corte de gastos nas finanças do executivo
Com a cidade que agora completa 29 anos de emancipação política, o prefeito Diocélio Jaeckel fala do momento atual, que ainda é de dificuldades. “Peço desculpas à comunidade por fazermos uma festa simples, modesta. Como não temos condições de contratar grandes bandas, shows, estamos fazendo tudo com o pessoal da região”, antecipa, agradecendo o secretariado, que organiza integralmente as festividades dos três dias.
Quanto ao atual momento da administração, em meio à crise e aos primeiros quatro meses de gestão, Jaeckel lembra que as adversidades estão presentes na realidade de diversos outros municípios da Zona Sul. “Todos estão passando por essa crise, que em 50 anos nunca havia ocorrido no país. É um momento de dificuldade, escassez de recursos, já que os federais diminuíram”, explica, indicando que a baixa na arrecadação da cidade também se deve ao encerramento das atividades no abatedouro de aves da Cooperativa Sul-Rio-Grandense de Laticínios (Cosulati). “Temos que fazer de acordo com o que se arrecada”.
Uma das ações imediatas implementadas pelo executivo, regulada por um decreto de março deste ano, foi a redução no horário de expediente: das 8h às 14h é o período que a comunidade tem para ser atendida no Gabinete e nas secretarias de Obras e Agricultura. A determinação, segundo o prefeito, gera reclamações, mas deve aliviar os gastos. “Não é por gostar, é uma necessidade, por questões de economia”, defende.
Quanto ao trabalho desenvolvido em cada setor - e o aprimoramento de recursos -, a secretária de Educação e Cultura, Lucia Cristina Muller dos Santos, destaca que a redução dos custos no transporte escolar é uma preocupação. “Temos buscado otimizar o número de professor por aluno e criar o fortalecimento das pequenas escolas”, aponta, explicando que esta última ação deve gerar, a longo prazo, uma redução de custos no deslocamento de alunos, priorizando que também o estudo se dê nas localidades de origem das crianças. O município conta com cinco escolas, que atendem 567 alunos, e dispõe de 10 veículos para o transporte escolar e, em média, 18 linhas, com mais uma prestes a ser terceirizada para beneficiar o atendimento, conforme Lucia.
À frente da Secretaria de Obras, Urbanismo e Trânsito, Bruno Muller visualiza uma série de ações positivas até o momento, como a recuperação das estradas e de pontes, sendo três inteiramente novas e uma reformada. “Estamos fazendo a colocação de cascalho nas estradas, e na cidade estamos procurando dar um ar moderno, como deve ser”, diz, referindo-se aos serviços de sinalização, pintura e melhorias na situação das calçadas. O pratolamento de todo o município e em todos os corredores também integra a lista das atividades realizadas, além da roçação no acostamento das estradas. A cidade conta hoje com duas patrolas, o que ainda não é suficiente para a demanda.
Na área da Saúde e Assistência Social, a secretária Maria Augustina Ludtke assegura que o trabalho tem sido satisfatório, entretanto, não há espaço para redução de gastos, pelo contrário. “Teve aumento, muito por conta do fechamento do Hospital [Dr. Ernesto Maurício Arndt] no turno do dia e os nossos postos ficaram sobrecarregados”, diz. Por conta disso, a demanda para outros municípios - que são referência nas especialidades - teve aumento considerável, o que eleva os custos com deslocamento de pacientes.
Dos bons resultados, Augustina fala sobre a demanda reprimida, já que diversos procedimentos que estavam à espera de longa data estão sendo encaminhados. “Estamos conseguindo deixar em dia. Para mamografias, nós tínhamos mais de 60 mulheres aguardando de anos anteriores, e conseguimos colocar em dia”, celebra, apesar da restrição dos atendimentos na Santa Casa de Rio Grande, referência em determinadas especialidades. Também enfatiza o trabalho da assistência social, por meio do Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), como aqueles que são realizados com foco na terceira idade.
Conforme a secretária, atualmente, a Farmácia Municipal se encontra com deficiências para determinados medicamentos. “Até adquirir novos medicamentos é um processo demorado. Então, nesta parte estamos pecando, é onde tivemos mais dificuldades porque é muito burocrático. Demora, está comprado, mas ainda não chegou”, admite. Morro Redondo conta hoje com três Unidades Básicas de Saúde (UBS) para serviços de prevenção. “Porém, atualmente, estão atendendo como Pronto Atendimento, pois não temos o Hospital atendendo”, justifica Augustina.
Na pasta de Finanças, que possui total controle e conhecimento da atual situação do município, assunto tão latente, o secretário Vilson Oliveira dos Santos não possui bons números. Ele explica que a despesa no último quadrimestre quando comparada à estimativa de arrecadação representa um déficit de pouco mais de R$ 71 mil. “Temos que ter cautela com relação à expectativa de aumento na arrecadação para os próximos meses. Teremos que reduzir as despesas no que for possível para ter o devido equilíbrio das contas”, analisa.
Quanto aos cortes no orçamento, Santos enxerga nos custos com combustível uma alternativa para regular as despesas. “É claro que o serviço deve ser prestado, mas deve haver um controle, uma redução”, diz. Com cálculos apertados, os investimentos no município se dão, na maioria das vezes, através das emendas parlamentares, destinadas por deputados federais. As mais recentes para Morro Redondo foram para as áreas da saúde e rural, oriundas dos deputados Afonso Hamm e Deonilso Marcon.
Responsável pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Flavio Reis de Almeida defende a ampla utilização de recursos, já que é necessário investir no setor que se destaca na caracterização do município, sobretudo através da agricultura familiar. “Na agricultura, sempre se faz uma readequação, mas não pode cortar gastos. Na verdade, é preciso investir dinheiro porque isso retorna para o município, para o crescimento”, defende. Neste momento, Almeida explica que a equipe da Secretaria se prepara para elaborar um Plano de Trabalho, apresentando ações ao longo dos quatro anos e que deve ser cadastrado junto ao governo federal até o final deste ano. “Se quisermos cadastrar um projeto e se não existir o plano de trabalho, provavelmente não iremos ganhar o recurso. Por isso, vamos ter esse desafio, que acho correto. O município tem que saber para onde vai, um horizonte”, enfatiza.
Sobre as produções familiares, o secretário menciona a necessidade de estudar mecanismos eficientes de comercialização, suporte que a pasta quer oferecer à comunidade, inclusive analisando a possibilidade de criação de uma cooperativa de agricultores.
Redator: Tradição Regional
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