Quinta, 18 de junho de 2026, 09:38h
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O entrevistado desta semana do JTR Entrevista é o deputado estadual Gilmar Sossella, de 56 anos, em seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa do RS. Natural de Tapejara, ele iniciou sua trajetória política como vereador, no período de 1983 a 1992, em seu município de origem, e também exerceu dois mandatos como prefeito, de 1997 a 2004.
Ele fala um pouco da sua trajetória política e as demandas que defende junto ao governo do Estado e Assembleia Legislativa (AL) gaúcha. Relata ainda suas proposições em busca de melhorias à conjuntura estadual e suas propostas - consolidadas ou em análise - para as áreas da saúde, educação, infraestrutura, segurança e agricultura.
Na próxima edição: Deputado estadual José Nunes (PT)
Quem é Gilmar Sossella?
Gilmar Sossella, de 56 anos, é casado com Melânia, 54, pai de Vinícius, 27, e de Eduardo, 25. É agricultor, advogado e bancário. Nasceu em 1961, na comunidade de São Brás, interior do município gaúcho de Tapejara. Trabalhou na agricultura, com carvão vegetal, e ingressou no Banco do Brasil, em 1982. Formou-se em Mecânica, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em 1978, e em Direito, pela Universidade de Passo Fundo, em 1991.
Iniciou sua trajetória política como vereador em Tapejara, exercendo duas legislaturas, de 1983 a 1988, quando obteve 612 votos, e de 1989 a 1992, elegendo-se com 739 votos. Foi presidente da Câmara de Vereadores de Tapejara, nos anos de 1987/88, e presidente da Associação dos Vereadores do Norte do Estado (Avernor), em 1989. Também foi prefeito de Tapejara por dois mandatos, de 1997 a 2000, elegendo-se com 5.701 votos, e de 2001 a 2004, com 5.148 votos.
Foi ainda presidente da Associação dos Municípios do Norte (Amunor), em 1999 e de 2001 a 2004, 1º vice-presidente da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), nas gestões 2002/03 e 2004/05, e presidente da mesma entidade, na gestão 2003/04. Como deputado estadual, foi eleito pelo PDT, pela primeira vez, em 2006, com 26.535 votos, reelegendo-se pelo mesmo partido, em 2010, com 49.510 votos, e em 2014, com 57.490 votos.
Segundo Sossella, quando se propôs a ser deputado estadual, baseou sua atuação em cinco grandes temas que são os municípios sem acesso asfáltico, agricultura - tanto que integra a Comissão de Agricultura da AL -, os pedágios, geração de emprego e renda e também a área da saúde, agregando ainda, ao longo da caminhada, a educação e a segurança. “Trabalhamos muito para garantir a destinação de recursos para hospitais e prefeituras, para a compra de ambulâncias, equipamentos hospitalares, vans e carros”, diz o deputado, que destaca sua participação em audiências públicas sobre a situação de estabelecimentos como as Santas Casas de Pelotas e São Lourenço do Sul e o Hospital de Caridade de Canguçu.
Para o deputado, há uma luta permanente para que haja, pelo menos, o repasse obrigatório dos 12% da receita corrente líquida do Estado para aplicar em saúde e que os pagamentos rotineiros sejam cumpridos, tanto para os hospitais quanto prefeituras. Ele diz que o Estado deve aos municípios aproximadamente R$ 200 milhões, dívida do governo passado renegociada em 24 parcelas e que, devido às dificuldades financeiras, deixaram de ser pagas.
A área da educação, segundo Sossella, é a bandeira do seu partido, que teve em seu fundador, Leonel Brizola, um dos grandes defensores da escola pública e do turno integral, também preconizado pelo ex-governador Alceu Collares. “A educação é fundamental para sairmos desta crise ética e moral, da violência, do consumo de drogas, e dar uma oportunidade para os nossos jovens e cidadãos”, diz. Ele destaca que o PDT teve a oportunidade de estar nesta área, no governo Sartori, em 2015 e 2016, primeiro com o ex-secretário Vieira da Cunha, e depois com o secretário Luís Alcoba, e nestes dois anos foram investidos R$ 200 milhões para restauração e manutenção de escolas.
Nesta posição de defesa das obras e serviços, estimula prefeitos e diretores de escolas, dentro do projeto “Escola Melhor Sociedade Melhor”, a buscar parcerias na iniciativa privada com ex-alunos e empresários para projetos de engenharia. Também defende a autonomia financeira das escolas e um maior repasse direto para estes educandários. Sossella destaca ainda que é um grande defensor do empreendedorismo e, por isso, possui um projeto, que se encontra em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para inclusão no currículo do ensino médio estadual a obrigatoriedade da disciplina de empreendedorismo. Defende ainda a inclusão da disciplina de educação sexual e planejamento familiar, apoio aos alunos portadores de necessidades especiais e o projeto Semeando o Verde para a conscientização de preservação do meio ambiente.
Sossella também destaca a importância do aluno aprender, além das matérias do currículo, ter uma profissão e, por isso, incentiva o ensino técnico de formação, que prepara os alunos para o mercado de trabalho. “Sou aluno do Senai, minha formação é mecânica e, por isso, sei da importância da profissionalização”, afirma. Segundo ele, 35% dos empregos não são preenchidos por falta de pessoas especializadas ou capacitadas para aquela oferta.
Na área da segurança, Sossella garante que tem sido recorrentes as audiências com o secretário de Segurança Pública, em relação à falta de pessoal nas Polícias Civil e Militar, a fim de garantir a designação de até cinco PMs por município. Paralelo a isso, incentiva o uso do videomonitoramento integrado entre municípios, a fim de rastrear os contraventores no seu deslocamento entre um município e outro. “O uso de videomonitoramento equivale a 6, 7 policiais e diante desta dificuldade de pessoal e financeira, por que não usar a tecnologia? Mas o importante é que estes sistemas estejam interligados”, ressalta. Ele cita que projeto de lei que tramita na AL, a PL 191/2016, coíbe furto, roubo e recepção de cargas no Rio Grande do Sul. O projeto de lei defende que o governo do Estado puna os estabelecimentos através da cassação do Cadastro Geral de Contribuintes de Tributos Estaduais dos estabelecimentos que comprarem comprovadamente mercadorias furtadas.
A área de infraestrutura é uma das principais bandeiras do deputado Sossella, defensor da ideia de que para um município tenha desenvolvimento são necessários infraestrutura (ligação asfáltica, duplicação), estradas, energia elétrica e comunicações. Ele destaca que quando presidiu a Famurs, foi criada a Associação dos Municípios sem Acesso Asfáltico, no total de 124 na época. No início do governo Sartori eram 70 e ele acredita que até o final fiquem em 50. Ele cita entre os municípios beneficiados Arroio do Padre, Pedro Osório, Cerrito, RS-265, de São Lourenço a Canguçu com extensão a Piratini, Arambaré, entre outros. Foram R$ 600 milhões de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em obras nos municípios sem acesso.
Também destaca obras de interesse regional, como a duplicação da 386, integra a Frente Parlamentar para a duplicação da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, obra fundamental para a Zona Sul. Ele questiona o modelo como foi feito a concessão de pedágio à concessionária Ecosul, que administrará a rodovia por 12 anos, mas não irá entregar nenhum metro de duplicação. “Pedágio não se justifica se não houver duplicação e preços módicos”, diz. Sossella defende ainda, junto ao governo federal, uma linha de crédito especial, com juros baixos, aos municípios para criação e ampliação dos seus distritos industriais.
Na área da agricultura, como titular da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da AL, ele defende políticas de preço mínimo e de armazenagem, para que o produtor tenha mais segurança na hora de vender. Ele possui 27 projetos tramitando na AL e, entre eles, cita o que prevê a doação e reaproveitamento de produtos alimentícios; que valoriza o suco e o vinho produzidos no Estado; inclusão dos CTGs no Pró-Cultura; valorização dos artistas locais com instituição de uma cota de 20% das músicas tocadas nas rádios AM e FM de autores gaúchos; tornar o dia 5 de abril o Dia Estadual da Doação de Sangue; e o que dispõe sobre o controle populacional de cães e gatos no Estado, por meio de unidade móveis de esterilização.
Redator: Tradição Regional
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