Sexta, 12 de junho de 2026, 13:10h
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A cada vez que a chuva é intensa, em um período curto, surge o questionamento “quando será a próxima vez?”, considerando a expulsão da água, do lodo e a contabilização dos prejuízos do que foi destruído ou danificado. Assim, agem e pensam dezenas de moradores de Piratini que têm a casa invadida pela água não absorvida pelas chamadas bocas de lobo.
Com pouco a fazer, o secretário de Urbanismo e Serviços Públicos, Cláudio Luís Peres, admite que talvez em longo prazo a situação tenha solução. “Tenho um sério problema de recursos humanos. Disponho de um reduzido número de pessoal, que fica concentrado praticamente na limpeza urbana e, às vezes, são os mesmos que acabam limpando as caixas coletoras da água da chuva quando a mesma causa prejuízos. Ou seja, para este fim específico não tenho mão de obra para uma permanente limpeza das bocas de lobo”, admitiu Peres.
A notícia é péssima para Cleuza Farias Telles, de 37 anos, residente no bairro Calcário, que há anos sofre junto com a mãe Maida, 66, os transtornos, medos e prejuízos com os alagamentos. Ela torce que não ocorra tão cedo uma nova enxurrada, como a que inundou a casa da mãe, vizinha à sua, no mês de janeiro, o que foi, admite ela, não só provocada pela ausência de limpeza contínua das caixas, mas também pela ação da vizinhança, que descarta lixo e entulho ao lado das mesmas.
“A minha residência também ficava alagada, mas fiz uma viga de contenção e impedi que a água entrasse. Na da minha mãe, toda a mobília está mofada ou podre. Em dias ou noites de trovões e relâmpagos eu entro em pânico”, comentou a moradora.
A família Almeida, que há décadas tem uma padaria e, agora, também uma casa na rua Osvaldo Aranha, Centro, enfrenta os mesmos problemas. No dia, enquanto a casa da mãe de Cleuza era invadida na periferia, a menos de 200 metros da avenida principal, a situação não foi diferente. “A água ficou a um palmo de altura. Corremos para tentar evitar que atingisse a mobília, mas acabou queimando um cubo de guitarra e uma pedaleira que estavam no chão, o que me deu em torno de R$ 7 mil em prejuízo”, relata Jéferson Almeida, de 30 anos, que, além de empresário, também é músico.
Ele relembra que há três anos, e por duas oportunidades, foi à padaria que ficou totalmente alagada. Mas Almeida não se queixa da Prefeitura, pois, conforme ele, sempre que acionada, comparece para fazer a limpeza. Também entende que o problema não será solucionado rapidamente, já que pesquisou e descobriu que a situação já dura três décadas.
Quanto ao setor da área urbana, o secretário Peres disse que já foi feito um estudo e para obter soluções será preciso um grande investimento. “A tubulação ali é velha e pequena. São canos muito antigos que não suportam a vazão da água. Já nos arredores, que enfrentam a mesma situação, queremos em breve substituir alguns tubos, e é necessário, na Osvaldo Aranha, dar início a uma obra maior, o que será feito, mas momentaneamente esbarramos na redução de recursos humanos e de verbas para isso”, finaliza.
Redator: Tradição Regional
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