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04-05-2018

Especial JTR: Vice-prefeita quer perpetuar trabalho de defesa da mulher em Capão do Leão


Foto: JTR Vice-prefeita Gilciane Baldassari lidera constituição de rede voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência

*Com informações da Assessoria de Imprensa


  Em Capão do Leão, elas também são maioria. De uma população estimada de 25.495 habitantes, 50,77% são mulheres. E como se vê na maioria das cidades, também sofrem violência doméstica pelos seus companheiros, namorados, maridos. Quem deveria amar, subjuga, fere e em alguns casos, mata. A administração municipal não fechou os olhos para isso e o trabalho para constituir uma rede, que vem sendo chamada de Rede Lilás, voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência, tem sido uma das bandeiras da vice-prefeita, Gilciane Baldassari, e ao mesmo tempo, do prefeito Mauro Nolasco. “Temos uma gestão compartilhada, trabalhamos lado a lado”, diz a vice-prefeita. Segundo ela, este é o legado que ela quer deixar para a população após a sua passagem pelo governo, constituída basicamente de homens nos cargos executivos. “Eu me sinto na obrigação de ter esse olhar, já que não temos nenhuma mulher no Legislativo e pouco se tem tocado nos temas relativos à mulher”. Apesar de não haver estatísticas oficiais, até porque muitas não registram ocorrência, Gilciane não fecha os olhos para os casos existentes. “Tivemos três casos recentemente, em um deles o ex-companheiro pôs fogo na casa dela”, destaca. Além disso, como educadora, pois atuou mais de 18 anos como diretora de uma escola, presenciou casos em que as mulheres desistiram de estudar em função da pressão da casa e de adolescentes que apanhavam dos namorados. “Precisamos ter um olhar combativo para isso, inclusive para a mulher do meio rural, pois têm chegado até nós relatos terríveis da falta de valorização desta mulher nos trabalhos do campo”, diz. Mas não basta expor esta situação, afirma Gilciane. É preciso que a comunidade crie condições de acolhimento a estas mulheres e lhes proporcione inclusive alternativas de renda e de sobrevivência, para que deixem de depender economicamente do companheiro.  Este deve ser o papel da Rede, que tem como objetivo reunir serviços de vários setores, tais como assistência social, justiça, segurança pública, saúde e educação para atender e proteger as mulheres em situação de violência. É necessário ainda, qualificar agentes ligados às redes municipais de educação e saúde para que possam facilitar a orientação, atendimento e encaminhamento destas mulheres vítimas de violência ou em situação de vulnerabilidade social. Alguns projetos sociais devem buscar a inclusão da mulher e sua qualificação. Ela cita uma iniciativa, apresentada recentemente no município pelo Gabinete da deputada Stela Farias, que considerou extremamente criativa. Trata-se da oficina e exposição de bonecas “Mulheres na História”, que apresenta bonecas de pano criadas para homenagear mulheres que se destacaram na busca pelo empoderamento, igualdade de gênero e garantia de direitos no Brasil e no mundo. Ao todo, 14 bonecas representam esta luta: a quilombola Dandara, a artista Chiquinha Gonzaga, a farmacêutica Maria da Penha, a líder do movimento indígena brasileiro Sonia Guajajara, a escritora Nísia Floresta, a fundadora da primeira associação de domésticas do Brasil, Laudelina dos Santos, a psiquiatra Nise da Silveira, a líder campesina Margarida Maria Alves, a artista mexicana Frida Khalo, a artista, cantora e violonista chilena, Violeta Parra, a atleta Marta Vieira, a bióloga feminista Bertha Luz, a paquistanesa Malala e a primeira mulher a se tornar presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Ao final foram apresentados kits para que as participantes pudessem criar a sua boneca.  Esta e algumas outras ações vêm sendo traçadas a pouco mais de um ano pela vice-prefeita em conjunto com representantes de instituições locais, e com o apoio das integrantes do Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (GAMP), que têm trazido orientações importantes para a constituição da Rede. “Estamos costurando uma relação com todos que podem contribuir com estas mulheres, reunindo e mobilizando o pessoal, dando um passo para construir o que nunca existiu”, finaliza.  



 


Redator: Tradição Regional



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