Quarta, 10 de junho de 2026, 18:37h
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Os reflexos em Piratini devido aos protestos dos caminhoneiros passaram a ser sentidos já na noite da última quarta-feira (23), quando o primeiro dos três postos de combustível, situados na zona urbana, ficou com o estoque de álcool, diesel, gasolina e também gás de cozinha, zerado. Na sexta-feira (25), outros dois revendedores paralisaram o fornecimento.
Serviços como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ambulâncias do Hospital Nossa Senhora da Conceição e coleta de lixo só tiveram continuidade devido ao prefeito Vitor Ivan Gonçalves Rodrigues ter requisitado e conseguido que o fornecedor de diesel mantivesse uma reserva para serviços básicos nos tanques para impedir um colapso total.
Em virtude do transporte escolar, a partir desta segunda-feira (28), alunos que residem na zona rural estão sem aula até o final da crise de combustível.
O prefeito tornou público que a área da saúde é uma das mais atingidas. “Lamentamos aqueles que têm consulta eletiva marcada para Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, pois se não houver uma reversão do quadro com relação aos bloqueios, a reserva de óleo diesel que temos será usada apenas para serviços básicos, como a coleta de lixo e para transportar pacientes que fazem hemodiálise, radioterapia e quimioterapia, portanto, os demais não poderão, ao menos, com a estrutura da Prefeitura, obedecer aos agendamentos. A situação poderá passar à caótica e se persistir por muito tempo haverá um agravante muito grande inclusive para a vida”, ampliou.
O sócio-proprietário das duas maiores empresas alimentícias no município, Marcos Weege, disse que o desabastecimento já é uma realidade. “Ainda não está tão complicado porque esta é a semana que antecede ao final do mês, mas mesmo assim, frango, frios e hortifrutigranjeiros, itens que por serem perecíveis ou com data de validade abastecemos semanalmente, já foram zerados”.
Na sexta-feira (25), os caminhoneiros de Piratini apoiados por outras classes protestaram para chamar a atenção da população à causa. Logo de manhã, às 8h, um grupo significativo, que também ganhou a adesão de motoristas que transportam, inclusive, alunos da rede escolar, deu início ao movimento local. A ação partiu da praça Inácia Machado da Silveira, o Palanque, no Centro, para logo a seguir interromper a avenida Gomes Jardim onde se concentra, no mínimo, a metade do comércio da cidade.
Após impedir o trânsito por cerca de 1h30, o comboio partiu para o trevo de acesso à capital farroupilha e cidades de Pelotas e Bagé, na BR-293, onde deram início a uma queima de pneus nas duas extremidades da ERS-702 e passaram a trancar a passagem de veículos pesados, inclusive ônibus de transporte coletivo e, de tempos em tempos, e também carros de passeio.
Organizados com água e comida para a alimentação de todos, quase a totalidade dos integrantes estendeu a ação também durante toda à tarde. Na fila formada por condutores de carros de pequeno porte, um chamou a atenção por não seguir em frente mesmo quando a coordenação do movimento concedia a liberação. Nadir da Cruz Noguez, 71 anos, estacionou sua caminhonete antes da barreia de pneus incendiados e fez questão de ser solidário com a classe que entende ele ser uma das mais castigadas do Brasil.
“De que jeito estes homens vão trabalhar e sustentar suas famílias com o litro do óleo diesel ultrapassando a casa do R$ 4?”, questionou o empresário, que fala com propriedade, pois atua no ramo de prestação de serviços rurais e sente no bolso os reflexos da paralisação, mas mesmo assim, tem consciência de que para os condutores a situação é tanto quanto dramática.
“Estamos neste momento com todos os caminhões, máquinas e tratores parados por falta de combustível. Nossa empresa tem 15 mil litros de diesel já pago e não pode receber devido à greve, mas mesmo assim sou compreensivo, pois me coloco no lugar deles”, concluiu.
Redator: Tradição Regional
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