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Eleito pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para o seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Fábio Branco, de 47 anos, de Rio Grande, diz que sua prioridade - e objetivo - é ser legislador. Na sua primeira eleição para a Assembleia, em 2014, não chegou a assumir a cadeira por ter sido convidado pelo governador José Ivo Sartori para assumir a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. “Tratava-se de uma Secretaria importante para o desenvolvimento da região, já que a proposta ao me candidatar era aumentar a nossa representatividade, então não poderia me omitir desta obrigação”, diz Branco.
Tem importantes conquistas à frente da pasta, como a desburocratização e implantação de rede capaz de simplificar a abertura e fechamento de empresas, incremento do setor comercial e produtivo do estado, através, por exemplo, de contratos de incentivo fiscal e a manutenção de convênios para o desenvolvimento de parques, polos e incubadoras tecnológicas, a fim de melhorar o ambiente de negócios no estado, sendo receptivo ao desenvolvimento. “Em parceria com o Sebrae, implantamos a Rede Simples em mais de 100 municípios, agilizando os processos de abertura de empresas, que levavam seis meses, para três a cinco dias a liberação do alvará”, ressalta.
Mas o maior legado do governo Sartori, segundo ele, foi a melhoria dos licenciamentos ambientais junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), reduzindo o tempo médio de análise dos processos de 900 para 40 dias, através da criação de manual de procedimentos e o Sistema On-Line de Licenciamento (SOL). “Foi uma evolução importante, com o trabalho de desburocratização e melhoria dos investimentos”, destaca.
Ele salienta a importância do governo Sartori na redução do déficit do estado. “Em 2015, quando iniciou o governo, a projeção era de um déficit de R$ 25 bilhões negativos e hoje entrega o RS com um déficit de R$ 8 bilhões negativos, ou seja, ele reduziu o déficit em R$ 17 bilhões nestes quatro anos”, comenta.
Ele admite não ser o ideal, no entanto entrega o estado melhor do que recebeu, destaca já que as contas são 20% maiores do que é arrecadado. Entre as providências em nome da redução do déficit, ele evidencia a implantação do regime complementar da previdência, que tem um déficit de R$ 11 bilhões. O grande desafio do novo governo é dar continuidade ao equilíbrio financeiro. “Se não tiver entrada de R$ 1,5 bilhão de dinheiro novo nos cofres do Estado, dificilmente o novo governador vai conseguir honrar com o pagamento dos fornecedores e dos salários dos servidores em dia”, acredita.
Na Casa Civil, ao ser nomeado por Sartori em abril de 2017, como secretário-chefe, buscou a interlocução com os deputados, melhorando a relação com a Assembleia Legislativa, estando mais presente e obtendo índice de aprovação dos projetos do governo bastante alto.
Branco foi eleito com 41.468 votos, 25.177, o equivalente a 25,77% do votos, obtidos em sua cidade natal, onde foi prefeito entre os anos de 2001 e 2004 e 2008-2012. Obteve, ainda, importante votação em cidades vizinhas, como São José do Norte (1.578 votos) e Pelotas (1.372 votos). Conquistou votação em 256 municípios, o que atribui ao seu trabalho como secretário, já que no período, conseguiu benefícios para todo o estado.
Com oito deputados, o MDB é hoje uma das maiores bancadas na Assembleia Legislativa. Segundo ele, a posição política do partido é e sempre será a favor ao Rio Grande do Sul. “Tudo o que defendemos vamos continuar defendendo. Não vamos fazer oposição por oposição, teremos a liberdade de votar o que entendemos ser melhor e com muita tranquilidade”, afirma.
Em relação ao cenário federal, Branco diz que traz uma nova esperança para os brasileiros. “O novo governo terá a chance e oportunidade de fazer as mudanças e as transformações que o Brasil precisa, sejam políticas, tributárias e previdenciárias”, aposta.
Quanto ao Polo Naval, o maior centro que o Brasil tem hoje, está instalado em Rio Grande e São José do Norte, com estaleiros competitivos, mão de obra qualificada para construção e manutenção de plataformas. Ele discorda de algumas declarações de que o governo Sartori não tenha se levantado em favor da manutenção do Polo Naval. “Qualquer lugar do mundo aproveita o petróleo para gerar desenvolvimento. Não faltou empenho porque não tinha solução naquele momento”, diz.
Conforme ele, houve irresponsabilidade lá atrás quando não se identificou o tamanho da demanda da Petrobrás, para a manutenção de novos contratos e que acabou perdendo a capacidade de investimentos. “Nenhuma empresa mundial fez tanta plataforma como o PT fez durante o seu governo”, frisa.
Com a recuperação financeira da Petrobras, ele acredita ser possível retomar o Polo Naval. Mas, segundo Branco, é preciso trazer contratos de fora e através de uma política de estado séria, para conseguir através do petróleo, gerar e agregar emprego e renda e obter a atração de novas tecnologias. “Entendo e defendo o Polo Naval como promotor de desenvolvimento”, enfatiza.
Branco disse que deve trabalhar mais politicamente o município de Rio Grande. “O que vejo hoje é uma cidade desmotivada, sem esperança e triste”, diz. Ele quer ver a população motivada novamente e no seu mandato, quer buscar as condições para que isso aconteça. “As atividades naval e de óleo e gas têm que ser uma política de Estado”, finaliza.
Quem é Fábio Branco?
Fábio de Oliveira Branco é filho de Orocildo de Matos Branco e Nilza Maria de Oliveira Branco, casado com Luciane Compiani Branco, com quem tem três filhos, Failly, Marcello e Rodrigo. É sobrinho e primo, respectivamente, dos ex-prefeitos de Rio Grande, Wilson Mattos Branco, que o antecedeu, e Janir Branco, que sucedeu seu primeiro mandato.
Iniciou sua carreira política na Colônia de Pescadores Z-1, onde deu apoio ao setor pesqueiro como presidente da associação. Foi assessor parlamentar na Câmara Municipal e na federal, e supervisor da Secretaria Municipal da Agricultura. Candidatou-se à prefeitura de Rio Grande nas eleições municipais de 2000, substituindo o seu tio, Wilson Mattos Branco, que foi prefeito do município até julho daquele ano, quando faleceu. Foi eleito com cerca de 62 mil votos. “Meu tio tinha um grande carisma, ele me trouxe para a política”, diz. E continua: “Ele foi um grande prefeito, pescador e com apenas a quinta série, sem ser formado, tinha uma capacidade incrível de comunicação e mudou o patamar da cidade”, lembra.
Quando ele faleceu, em 20 de julho, vitimado por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em plena campanha à reeleição, aceitou o desafio de substituí-lo por sentir que alguém da família tinha mais chance de ganhar a eleição e dar continuidade ao seu trabalho. “Ele era uma pessoa dura mas correta”, afirma.
Buscou sua reeleição, em 2004, mas teve a candidatura cassada pela Justiça Eleitoral, por irregularidades durante a campanha e apenas duas semanas antes, deixou a disputa, abrindo espaço para Janir Branco, seu primo e então deputado estadual, que concorreu e venceu a eleição, nomeando-o secretário Municipal de Obras e Viação. Em 2008, foi novamente eleito, recebendo cerca de 60 mil votos. Como prefeito, foi considerado peça-chave para a construção e desenvolvimento do Polo Naval de Rio Grande que impulsionou o crescimento do sul gaúcho. Em 2012, concorreu à reeleição como prefeito, mas foi derrotado pelo advogado e atual prefeito Alexandre Lindenmeyer, do PT. Somados os mandatos de Wilson Branco (1997-2000), Fábio (2001-2004 e 2009-2012) e Janir (2005-2008) foram 16 anos da família Branco na administração da cidade de Rio Grande.
Redator: Tradição Regional
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