Domingo, 19 de julho de 2026, 14:56h
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Ministro Sérgio Moro nega conteúdo de anormalidade e direcionamento nas mensagens
Ontem (9), o Intercept Brasil publicou uma série de quatro reportagens investigativas sobre a Operação Lava Jato, a partir de um lote de arquivos secretos, como mensagens de texto e áudios trocados através do aplicativo Telegram, enviado há semanas por fonte anônima. O material revela, entre outros elementos, conversas de então juiz federal, Sérgio Moro, e o procurador da República, Daltan Dallagnol em que falavam abertamente sobre possibilidade de impedir vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e colaboração secreta de Moro em acusação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com a equipe jornalística responsável pelo conteúdo, a motivação da divulgação do conteúdo foram os valores democráticos. “O princípio invocado para justificar essa divulgação foi o mesmo a que estamos aderindo em nossas reportagens sobre esse acervo: o de que uma democracia é mais saudável quando ações de relevância levadas a cabo em segredo por figuras políticas poderosas são reveladas ao público”, pontuaram na reportagem de abertura da série os jornalistas Glenn Greenwald, Betsy Reed, Leandro Demori.
“A Constituição brasileira estabeleceu o sistema acusatório no processo penal, no qual as figuras do acusador e do julgador não podem se misturar. Nesse modelo, cabe ao juiz analisar de maneira imparcial as alegações de acusação e defesa, sem interesse em qual será o resultado do processo. Mas as conversas entre Moro e Dallagnol demonstram que o atual ministro se intrometeu no trabalho do Ministério Público – o que é proibido – e foi bem recebido, atuando informalmente como um auxiliar da acusação”, pontuam ainda os jornalistas no texto.
A divulgação obteve grande repercussão nas redes sociais, inclusive com o lançamento da hashtag “#VazaJato” pelos usuários das redes. Muitos mostraram-se decepcionados com o conteúdo ético dos áudios, visto que a força-tarefa era uma das mais bem conceituadas pela população brasileira, e outras ainda saíram em defesa de Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça.
Agentes da operação responderam à divulgação da investigação do Intercept e o Ministério Público Federal do Paraná divulgou em nota que seus membros foram vítimas de ação criminosa de hacker. Moro negou que os conteúdos das mensagens contivessem qualquer caráter de anormalidade ou direcionamento, e lamentou, em nota oficial, a falta de indicação de fonte da pessoa responsável pela invasão “criminosa” dos aparelhos celulares de procuradores.
Redator: Tradição Regional
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