Quarta, 08 de julho de 2026, 09:21h
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Em audiência pública na manhã desta terça-feira (2), a Comissão de Assuntos Municipais discutiu projetos para a construção de um aeroporto de cargas e passageiros para a Região Metropolitana. O debate, proposto pelo presidente do órgão técnico, deputado José Sperotto (PTB), reuniu representantes de órgãos de aviação, prefeitos e vereadores de vários municípios e autoridades estaduais. Entre as propostas examinadas constou estudo do Núcleo de Tecnologia Urbana da Universidade Federal do Rio Grande do Sul quanto à viabilidade de um aeroporto no município de Eldorado do Sul. Conforme Sperotto, a comissão abriu o debate, mas cabe aos municípios solicitar estudos semelhantes. Ainda segundo o parlamentar, os interesses regionais não podem estar acima do planejamento técnico.
Convidado a falar sobre projeto em Eldorado do Sul, o professor Benamy Turkienicz, do Núcleo de Tecnologia Urbana da UFRGS, fez uma apresentação detalhada sobre as condições da área. Disse que não era sua intenção discorrer sobre a tecnicalidade dos aeroportos ou sua viabilidade econômica. “É importante que não esperem da minha apresentação algo específico sobre aeroportos, o que eu pretendo discutir é um outro aspecto do desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul, a importância de plataformas logísticas para o nosso desenvolvimento industrial, agregando o aeroporto a essa discussão”, declarou. Segundo ele, o custo anual da não utilização do aeroporto Salgado Filho por aeronaves de grande porte para exportação é de R$ 2,4 bilhões. “Sob o ponto de vista logístico, estamos estrangulados”, disse.
Conforme explicou, o Núcleo de Tecnologia Urbana é integrado por diversos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e tem se responsabilizado por vários planos diretores. Em 2006, foi chamado pela prefeitura de Eldorado do Sul para dar apoio ao plano diretor de desenvolvimento urbano e ambiental do município. Já na década de 50, segundo ele, havia a intenção de tornar a área uma nova cidade industrial, o que incluía a instalação de um aeroporto. De acordo com Benamy Turkienicz, entre as vantagens da escolha da área estariam a localização estratégica, a articulação com o sistema rodoviário, hidroviário e ferroviário, a disponibilidade de lotes industriais de grande porte e de mão-de-obra qualificada. Como problema logístico, apontou o possível impacto sobre o sistema de pouso e decolagem do aeroporto Salgado Filho, mas disse que sobre esse tema as autoridades aeronáuticas presentes teriam mais condições de falar.
O professor frisou ainda que a sua apresentação não significava um pleito para que o aeroporto se localizasse em Eldorado do Sul, mas para mostrar a importância dos municípios de Eldorado, Guaíba, da Costa Doce e da região carbonífera para o desenvolvimento do Estado e para o estabelecimento de uma plataforma logística que poderá se converter no grande elemento de atração de investimentos. “Pensar em um novo aeroporto, hoje ou daqui a 30 anos, significa incluir dentro desse raciocínio todas essas contingências que envolvem ou envolverão o futuro do Rio Grande do Sul; pensar o aeroporto simplesmente pela disponibilidade de áreas, sem a dimensão de desenvolvimento econômico e social e sem a sinergia das economias de escala, significa desprezar toda a história dos estudos feitos sobre o desenvolvimento do Rio Grande do Sul, em específico da Região Metropolitana, iniciados na década de 50”, defendeu.
Autoridades aeroportuárias
O coronel-aviador Luiz Ricardo de Souza Nascimento, do Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta II), concentrou sua apresentação no projeto de construção do Aeroporto 20 de Setembro, em Nova Rita do Sul, explicando ter sido esse o único estudo solicitado oficialmente pelo governo estadual, e descreveu os vários cenários e simulações feitas por meio de softwares para determinar os sítios mais adequados à construção de um aeroporto na região.
O tenente-brigadeiro-do-ar Marco Mendes, diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), descreveu as atribuições e responsabilidades do órgão. Explicou que a proximidade de um aeroporto a outro gera impactos que precisam ser examinados pelo departamento e então encaminhados à Secretaria de Aviação Civil. “A responsabilidade do Decea, além de prover um fluxo aéreo com regularidade, é sobretudo com a segurança operacional”, disse.
O superintendente da Infraero para a Região Sul, Carlos Alberto da Silva Souza, afirmou que o órgão tem investido no Salgado Filho, mas que em 2030 o aeroporto terá esgotado sua capacidade operacional.
Conjunção de variáveis
O representante da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística, Roberto Barbosa de Carvalho Netto, diretor do Departamento Aeroportuário do Estado, lembrou que a construção de um aeroporto envolve uma série de variáveis: econômicas, logísticas, ambientais, de tráfego. Disse que, a partir da constatação da necessidade de um segundo aeroporto para a Região Metropolitana de Porto Alegre, começou a se pensar na localização dessa obra, e Eldorado do Sul foi lembrada. No entanto, segundo ele, a opção traria dificuldades, especialmente no que concerne ao tráfego aéreo. “A não ser que se feche o Salgado Filho”, declarou.
Em relação ao município de Nova Santa Rita, Roberto Barbosa disse que são pontos favoráveis o solo firme, a disponibilidade de área, a localização central e o acesso a rodovias.
O prefeito de Eldorado do Sul, Sérgio Munhoz, criticou o governo do Estado pela falta de planejamento estratégico. Disse que o município não apresenta problemas de solo e que pode construir uma grande área de pouso. O representante da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística reiterou, porém, que o maior problema de um aeroporto na região seria o de tráfego aéreo.
Deputados
Também participaram da audiência os deputados Giovani Feltes (PMDB), Vinicius Ribeiro (PDT), Jurandir Maciel (PTB), Zilmar Rocha (PT), Adolfo Brito (PP), Ernani Polo (PP) e Miki Breier (PSB).
Redator: Assessoria de Imprensa
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