S�bado, 04 de julho de 2026, 19:22h
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Confira a segunda conversa da série que tem como objetivo informar à população sobre o andamento político-econômico da região
Falando sobre os projetos já realizados e os que estão em andamento na região, principalmente, além de avaliar o governo atual, tanto do Estado quanto do país, Catarina Paladini conversou com o Jornal Tradição Regional na segunda entrevista da série que vai mostrar o perfil e as opiniões de alguns políticos atuantes na região. Natural de São Miguel do Oeste (SC), Catarina reside desde os 11 anos em Pelotas, onde começou sua militância na política a partir dos movimentos sociais. Graduado em Direito pela Universidade Católica de Pelotas, participou do movimento estudantil, coordenou o Projeto Cidadão, que chegou a atender 390 crianças no bairro Fragata, e atuou na direção da Associação de moradores da Guabiroba, além de participar do projeto “Amigo da Escola”, nos colégios Lima e Silva e Sylvia Mello.
Como parlamentar, Catarina propôs 13 projetos de lei e uma emenda constitucional, tornando-se um dos deputados mais atuantes da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Foi o responsável pela criação da Frente Parlamentar em Defesa de Políticas Públicas para a Juventude e de uma comissão especial para acompanhar os rumos da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), além de organizar 20 audiências públicas sobre diversos temas em todo o Estado e, recentemente, criar a Frente Parlamentar das Comunidades Terapêuticas. No dia 31 de janeiro deste ano, foi ainda eleito 1º vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado. Confira a entrevista:
Jornal Tradição Regional: Quais foram principais projetos realizados na região e no Estado?
Catarina Paladini: No primeiro ano de mandato, fiquei como o quinto parlamentar com o maior número de proposições. Não são projetos soltos, são projetos que impactam realmente a vida das pessoas. Posso falar de alguns projetos como o Bom de Bola, Bom de Escola, que faz com que os clubes garantam a escolaridade às crianças das categorias de base, garantindo o gerenciamento da vida pessoal, considerando que muitas dessas crianças não possuem base familiar. E este projeto foi sancionado logo no início do mandato.
Outro projeto importante foi uma emenda falando do petróleo e gás do polo de Rio Grande, com a inserção da UFPel, Furg e Instituto Federal no projeto original que, pelo governo do Estado, tratava de parceria de pesquisa e extensão com a Uergs, e não contemplava os nossos polos de inteligência. Vamos estar colhendo os frutos deste projeto no princípio de 2015, em que já teremos profissionais formados nas matérias de engenharia naval com foco no mercado. Profissionais de diversas regiões do Brasil estão vindo para Rio Grande para trabalhar nessas áreas, isto é cada dia mais comum, e apenas o trabalho braçal fica com o nativo, de Pelotas e Rio Grande, e a mão de obra qualificada estava vindo de fora, mas vamos conseguir inverter isso. Já no 1º ciclo de exploração de cinco anos teremos profissionais formados aqui perto para absorver toda a mão de obra e gerar renda para nossa região.
No período pré-eleição 2012, o foco do mandato se voltou para Pelotas em ações específicas, na segurança pública e saúde. Conseguimos ainda, no final de 2011, um aporte financeiro anual de R$ 1,8 milhão para o Pronto Socorro de Pelotas, além do que já é acordado entre o Estado, município e Hospital Escola.
Em 2012 , buscamos as agendas de energia, mercado de trabalho e de saúde em Pelotas.
O período de eleição foi um divisor de águas não só na minha vida pessoal, mas também para o PSB. Vivemos um período que o PSB ficou oito anos no limbo, sem vereador. Hoje temos 18 vereadores na Zona Sul e dois vice-prefeitos.
Considero que 2012 foi frustrado não pela eleição, mas pelo veto no PL 276, que cria a política nacional do autismo e diagnostica o autismo. Aprovar esta lei dá condição dos familiares para buscar melhores condições de tratamento, que é um tratamento caro. O mais grave é a falta de diagnóstico, e a criação de uma política faz com que as esferas passem a olhar para esta doença de outra forma. Uma vez tratado, dá condições de o jovem ter condições de uma vida normal. Não vamos recuar desta proposta, mesmo sem a disposição do Executivo com relação à proposta.
Mas sem dúvida, o principal para 2014 é o projeto da Região Metropolitana da Zona Sul, que é extremamente vital para a região, e para os outros 19 municípios que compreendem a zona sul, exceto Pelotas, Rio Grande e São José do Norte, que estão contemplados pelo Polo Naval. Os outros municípios que mantiveram a economia da região historicamente, na época em que Pelotas passou por problemas econômicos, principalmente. Se não fosse o setor primário, estaríamos em uma condição muito precária.
A Região Metropolitana é pensar políticas de caráter regional que contemplem todos os municípios. Estes, de vanguarda, que cumpriram seu papel lá atrás. Estamos conversando isso com o Junico Antunes, que foi quem fez as diretrizes de desenvolvimento do governo do Estado, na lógica de construir um arranjo que possa integrar os demais municípios. A intenção é pensar nas potencialidades da região como um todo, mas, além da organização, há a lógica de distribuição. A Região Metropolitana aos olhos do PAC e do governo Federal está na primeira ordem de prioridade. Um exemplo, o projeto da ponte de duplo acesso de Piratini teria justificativa de investimento dentro do projeto da Região Metropolitana, recebendo muito mais recursos do que como pequeno município.
As beneficies das tarifas serão muito maiores, bem como o transporte intermunicipal. Os agentes econômicos tem que compreender o momento econômico e cultural que a gente vive atualmente. Além disso, não há mais espaço para rivalidades entre os municípios da região, deve-se pensar o todo. Por isso fiz questão de colocar como Região Metropolitana da Zona Sul.
JTR: Como avalia a atuação do governo do Estado?
Catarina Paladini: O PSB ajudou a construir este projeto político atual. Lá em 2010, quando o PSB retirou a campanha para o governo, compreendamos que era necessário um alinhamento político frente ao momento econômico. Hoje há um alinhamento com o vice-governador, em trato pessoal e social, mostrando a responsabilidade do PSB com o governo.
Agora eu compreendo que o partido dos trabalhadores peca no trato com as classes e na forma. As ações precisam de pulsa, mas a forma que são impostas criam ruído. A forma que o Tarso cria suas políticas com governos aliados acaba gerando o constrangimento destes partidos. Não há como pensar um projeto a médio e longo prazo com o PT, eles tratam os aliados com uma política de asfixia, sugam e utilizam, mas não pensam em inverter a lógica.
Penso que o governo peca quando ele faz um grande alinhamento político com a casta da segurança pública, mas não privilegia as classes menores, os professores e o pequeno produtor, que pagam muito em imposto. Isso ele vai ter que pagar isso nas eleições deste ano.
A forma que o governo do estado opta pela centralização dos recursos de mídia também é um erro, não privilegiando a imprensa local, o que tem consequências, fazendo políticas apenas para os grandes. As dívidas do Estado também é algo que vejo com preocupação, que terão consequências, por exemplo, adimplemento do 13º este ano, os depósitos judiciais garantidos já foram usados. A forma como o governador age é desdenhosa, precipitada, fazendo uma projeção orçamentária desse porte para ser finalizada em outros mandatos.
JTR: E as ações do governo brasileiro?
Catarina Paladini: No governo Lula, o que marcou foi o diálogo, a habilidade dele de dialogar com os diferentes e com as matizes políticas diferentes. Veio o governo Dilma, e a gente fez parte desta construção. Optamos por um rumo, em torno da candidatura do Eduardo Campos, que foi ministro do governo Lula em 2004, 2006 foi governador de Pernambuco e reeleito em 2010. Após isso vieram políticas de retaliação e, assim, resolvemos entregar os ministérios, um fato atípico.
Frente ao momento econômico, a presidente Dilma só chamou os aliados 23 meses depois de eleita, quando sua base política começou a estremecer. Isso é muito ruim, pra nós que estamos desde 89 com o governo. O governo hoje preza por políticas assistencialistas, que vai ter consequências nas classes D e E, que estão ficando represadas devido à inflação, que existe, apesar da negativa do governo.
Não há garantia nenhuma também da economia, que está atualmente fragilizada. As pessoas não conseguem se desassociar e pensar se melhoraram ou não economicamente. As políticas colaboram na aquisição de bens, mas as pessoas só alcançam isso porque são pró-ativas, outras se cadastram nos serviços oferecidos pelo governo e não buscam melhorar de vida. A Dilma fez muito bem isso de centralizar a política para tornar as pessoas e os agentes públicos reféns.
JTR: Quais são as suas expectativas para este ano, considerando que é um ano eleitoral?
Catarina Paladini: Tenho uma responsabilidade enorme para construir a eleição de Eduar Campos. Considerando a importância da região, ele virá a Pelotas para conhecer os valores de cada local. O PSB da Zona Sul de Pelotas reivindica o espaço de vice, por compreender que o momento econômico do Estado é aqui na região. E eu sou candidato à minha reeleição e espero sair vitorioso, junto com o PSB, ampliando nossos espaços. Hoje temos três deputados estaduais, mas podemos chegar a cinco.
Penso que o resultado de 2014 é fruto do que foi semeado. Tenho um sentimento de dever cumprido frente a eleição que se avizinha, que vamos colher os melhores frutos. Os demais candidatos também devem fazer esse juízo de valor e ter tranquilidade para receber as consequências do processo eleitoral.
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