S�bado, 04 de julho de 2026, 14:21h
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Confira mais uma conversa da série que tem como objetivo informar à população sobre o andamento político-econômico da região
Falando sobre os maiores projetos realizados na região, bem como sobre a experiência e atuação em setores como a Secretaria Geral de Governo e em “grandes tarefas” – em suas próprias palavras – como a atração de investidores para o Polo Naval de Rio Grande, a deputada Estadual Miriam Marroni (PT) conversou com o Jornal Tradição Regional em mais um JTR Entrevista. Miriam é psicóloga especialista em Educação, servidora da UFPel e vereadora no quarto mandato. Casada com o deputado federal, Fernando Marroni, é natural de Pelotas, onde foi vereadora por quatro mandatos, ocupou também a posição de líder do governo Tarso no início da atual legislatura.
Combate à violência doméstica e discriminação de mulheres, crianças, adolescentes, homossexuais, idosos e pessoas com deficiência, são áreas de atuação da deputada. É a fundadora do Grupo Mães contra o Crack. Foi deputada estadual entre 2005 e 2006 e a primeira parlamentar a questionar as concessões de pedágios no RS, além de pedir a instauração da CPI dos Pedágios. Foi a principal articuladora da instalação do Polo Naval em Rio Grande. Confira a entrevista:
Jornal Tradição Regional: Quais foram principais os projetos realizados na região e no Estado?
Miriam Marroni: Das ações que a gente se envolve, nem tudo se transforma em Projeto de Lei. É bom deixar isso claro, porque que, às vezes, a quantidade de Projetos de Lei que um deputado possui acaba sendo a medida do trabalho, como se a articulação, a busca de conhecer os problemas, reunir as comunidades e os Poderes não fossem da mesma importância. Nem tudo se transforma em Projeto de Lei, acho um erro medir a competência e a capacidade de um parlamentar pelo número de projetos. Lei não entra no varejo, não pode ser uma banalização de regras, pois muda a vida das pessoas. Acho que a grande ação é conhecer os problemas da região, pensar em como realizar políticas públicas de acordo com o teu perfil ideológico.
As ações que eu me envolvo na região têm sido a questão da irrigação, estou muito empenhada e ajudei a construir o programa quando estava na Secretaria Geral de Governo. Eu era líder de governo no primeiro ano, assim o governador achou que eu deveria cumprir esta tarefa de elaborar o conjunto de projetos estratégicos e avaliar com secretários de vários partidos o enxugamento dos projetos, o que foi a minha grande tarefa política. Esse mandato, que é o meu primeiro mandato como deputada estadual por inteiro, pois em 2005 fui chamada pela presidente Dilma, que era ministra de Minas e Energia à época, para criar as condições políticas e organizar a sociedade e a metade sul para atrair investimentos para o Polo Naval.
Articulo também, já há sete anos, toda a política para que não entre pêssego da Argentina no Estado, e este ano a safra foi excelente. Fazemos todos os anos a peregrinação do pêssego. Além disso, a nossa produção tem que ser focada nos alimentos, pois, em visita à China com o governador vi que os chineses querem tudo que possamos produzir, grãos, leite em pó, enfim, tem mercado para tudo na China. Nossa tarefa aqui na metade sul tem sido discutir com o governo sobre o que é o sul da metade sul do Estado e quais os temas e projetos que precisamos na região. Em 2012 foi a irrigação, definir o recurso para açudes, cisternas e poços. È um processo lento porque depende da parte burocrática, mas essa é a saída para a agricultura, não dá para deixar a agricultura esperando São Pedro. Estou muito focada nisso, fazendo agora o levantamento de qual é a demanda de açudes, poços e irrigação por cidade porque 2014 tem que ser o ano da irrigação, o ano de iniciar os projetos de asfaltamento do meio rural, temos que pensar grande, pois isso dialoga com a permanência do jovem no campo.
Venho levando para dentro do gabinete do governador os principais temas que temos que dar conta no RS, como o futuro da agricultura, pois temos as políticas, inclusive com a valorização da agricultura familiar. Isso vem melhorando com a maturidade política atual, de parlamentares que se ajudam, mesmo que de diferentes partidos. Voltando à agricultura, acho que o importe mesmo é a irrigação e a assistência técnica, ampliar a Emater. O governo federal precisa ter uma política junto com a Emater, fortalecendo ela, porque o grande problema é a qualidade e a produtividade, por consequência. Irrigação, estrada no meio rural e a assistência técnica são as prioridades na agricultura.
A pauta da energia é um problema que está sendo corrigido e que terá solução até um ano. Há o problema com a subestação Pelotas 1, que será resolvido, além da construção da Pelotas 5 e a renovação da estrutura antiga da CEEE nos municípios, que teve pouca manutenção e modernização. Estamos recuperando a CEEE, que está com problemas financeiros, mas isso não convence ninguém sobre a falta de energia. O pico aqui na região foi o desligamento de uma máquina de Candiota. De janeiro pra cá começaram as grandes quedas. É tudo uma questão de tempo para a construção das subestações e da modernização do que tem, além da linha de transmissão nova que vai ser inaugurada em abril, começo de maio, que vai interligar os parques eólicos. Na parte de energia eólica, estamos trabalhando para que as empresas que fabricam os equipamentos necessários nos parques possam se instalar aqui na metade sul, isso pode caber para qualquer cidade. É mostrar as condições de cada região, e há interesse das empresas. Vamos ser a região com mais possibilidade eólica.
Pensando em investimentos em indústrias, fico triste em dizer que a minha cidade, Pelotas, com toda a movimentação do Polo Naval, não tem uma empresa sistemista no Polo Naval. Não há uma política de atração, tu que tem que correr atrás, e Pelotas não se esforçou. Prefeitos de outras cidades criaram as condições, compraram terras e fizeram os parques industriais. Qual a empresa nova que abriu em Pelotas nos últimos oito anos? Nenhuma. Faço a crítica e tenho que agir. Pedi para o governador que destinasse a Chácara da Brigada para o distrito industrial de Pelotas, e ele aprovou. Levei uns quatro meses para achar os documentos, por que o espaço não estava no mapa da União. A UFPel e a Agência da Lagoa Mirim farão a análise de impacto ambiental, e ficaremos à beira de um canal navegável, em um bom espaço, estou me dedicando à isso. Essa é a minha principal política para a cidade de Pelotas.
Estamos trabalhando também os polos de Saúde, o Estado tem investido nisso. Os investimentos dobraram em muitas cidades, os leitos na s UTIs de Pelotas também aumentaram. Em infraestrutura, temos a hidrovia Brasil-Uruguai, a qual eu coordeno a comissão de implantação. Além disso, há o arranjo produtivo para que a região seja atrativa para equipamentos médicos, pois a cidade tem uma vocação para Saúde, e estamos nos especializando para sermos um Polo na área.
JTR: Como avalia a atuação do governo do Estado e as ações do governo brasileiro?
Miriam Marroni: A minha fala toda foi sobre este trabalho. Quando eu falo de irrigação, de energia eólica, duplicação, estou falando dos governos do Estado e federal, que têm uma política conjunta, complementar. As falhas em estradas como Arroio do Padre não são problemas de execução do governo, são contratos remanescentes, o que não estava previsto e o governo não pode interferir. Em Cerrito também é outra obra remanescente, o contrato fica remendado. Em estrada é isso. Em energia eu expliquei a situação das obras e previsões. Os recursos da Saúde nunca foram tão grandes, só quem acompanha consegue ver esses investimentos. Enfim, todos os investimentos que falei são políticas do Estado e do governo federal. Concordo que houve uma falta de divulgação das ações. O desempenho do PIB do Estado foi um dos melhores, novas empresas vieram para cá. São políticas conjuntas.
JTR: Quais são as suas expectativas para este ano, considerando que é um ano eleitoral?
Miriam Marroni: Vou ser candidata a reeleição. A minha participação no governo do Estado e o meu conhecimento me deixaram muito melhor preparada hoje. Fui vereadora muito tempo, mas sou deputada de primeiro mandato. Hoje há políticas importantes e estruturantes dos governos, mas tu tens que ter o agente político para trazer para cá.
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