S�bado, 04 de julho de 2026, 12:12h
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Em nossos campos, a paisagem já não é mais a mesma. Entre culturas centenárias, uma de mais de mil anos é novidade: as oliveiras, que há poucos anos começaram a cobrir a área rural pinheirense. O sonho é fazer da terra uma das maiores e melhores produtoras de azeite de oliva, e a colheita dos frutos que alimentam lendas e até filosofias já começou: as azeitonas estão prontas e, ao contrário da Europa, onde as plantas começam a produzir a partir dos cinco anos ou mais, no Rio Grande do Sul as oliveiras dão frutos no seu terceiro ano.
Na quarta-feira (12) foi oficialmente aberta a 3ª Colheita de Oliva no Rio Grande do Sul, que ocorreu na Estância Guarda Velha, propriedade de Luís Eduardo Batalha, localizada em Pinheiro Machado, e que aposta há mais de três anos na diversificação com a criação de ovinos e a plantação de oliveiras numa área de 120 há. Batalha recebeu autoridades estaduais, municipais, amigos e imprensa para comemorar o sucesso de sua primeira colheita de azeitonas. Segundo ele, os principais fatores para a qualidade do produto apresentado em plantas tão jovens, além da escolha de uma área adequada, foram os investimentos em correção do solo, o sistema de irrigação e demais equipamentos de alta tecnologia.
Na ocasião, o secretário da Agricultura do Estado, Luiz Fernando Mainardi, exaltou a propriedade de Batalha e agradeceu o investimento do empresário ao dizer “vocês estão ajudando a desenvolver esta região”. Também destacou o potencial do pampa gaúcho que, ao longo do tempo, vem acolhendo investidores de fora do Estado. "Temos aqui o clima e o solo apropriado para a produção de oliveiras. Esse é um momento histórico não só para Pinheiro Machado, mas também para a Metade Sul e todo o Estado", disse.
Para o secretário, a criação da Câmara Setorial das Oliveiras também foi uma forma de estabelecer uma meta para o futuro. Nos próximos dez anos o RS deve estar produzindo no mínimo em dez mil hectares. "Temos convicção que essa meta será batida em menos tempo. Dificilmente deve existir uma região tão propícia à produção de uvas, atividade que se consolidou e hoje rende bons frutos, mas as oliveiras são uma alternativa econômica que se viabilizou e têm muito a conquistar", acrescentou. Para o prefeito de Pinheiro Machado, José Felipe da Feira, o momento não poderia ser melhor para o município, pois está tendo visibilidade e destaque com esse grande investimento nas terras pinheirenses.
Durante o ato foi realizada a assinatura do Protocolo de Intenções entre a Secretaria da Agricultura, o Comitê de Fruticultura da Metade Sul, Agropecuária Chalet RS e a Embrapa Clima Temperado de Pelotas, que prevê para cerca de dez municípios da região a produção de dez hectares de oliveiras, por município, destinados aos pequenos produtores rurais. O Protocolo tem também por finalidade estabelecer as ações de cooperação técnica para o desenvolvimento de atividades de diversificação da produção, agregar valor aos produtos, além da elaboração de projetos para captação de recursos para a pesquisa e a difusão de conhecimentos.
Ao final da cerimônia oficial foi feito o descerramento de uma placa registrando o evento, que ocorreu dentro da Estância Guarda Velha. Segundo algumas lendas, as oliveiras são plantas imortais, fazendo com que várias gerações familiares possam ver a mesma planta, desde que seja feito seu manejo de forma adequada. O Rio Grande do Sul deverá colher este ano cerca de 500 toneladas da fruta, que serão transformadas em 60 mil litros de azeite, segundo estimativas da Associação Rio-Grandense de Empreendimentos e de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).
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