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Produtividade das lavouras de tomate, folhosas, batata, cebola e cenoura foi prejudicada em diversas regiões do país
Os extremos climáticos – ora calor e seca, ora chuvas e queda nas temperaturas – afetaram a produção de legumes e hortaliças em diversas regiões do país. Segundo informações divulgadas na edição deste mês da publicação Hortifruti Brasil do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a produtividade das lavouras de tomate, folhosas, batata, cebola e cenoura foi prejudicada pelas condições do clima.
Tomate
Apesar da expectativa de pico de colheita da safra de verão em fevereiro, as altas temperaturas aceleraram o ciclo de maturação do fruto, adiantando a concentração de colheita. Tudo indica que o término da safra também deverá ser antecipado para abril, ao invés de maio como ocorre tradicionalmente. Segundo produtores, com esta expectativa, deve haver uma redução expressiva no volume de tomate no mercado entre o fim de abril e junho, período em que a safra de inverno ainda apresentará baixa oferta. Porém, esse cenário pode fazer com que produtores adiantem a temporada de inverno, com a intenção de aproveitar os possíveis bons preços.
Como o pico de colheita da safra de verão 2013/2014 já terminou e a safra de inverno 2014 terá colheita pouco expressiva nos próximos meses, a tendência é que a oferta do fruto continue reduzida em março e abril, mantendo as cotações atrativas ao produtor. No entanto, o volume ofertado ainda dependerá das condições climáticas, que irão influenciar na produtividade das lavouras.
Folhosas
Mesmo estando no período de pico da colheita da safra de verão 2013/2014, a oferta de alfaces deve continuar limitada em março nas lavouras de São Paulo. O clima seco e quente até a segunda quinzena de fevereiro prejudicou a produtividade. Assim, segundo produtores, março ainda deve refletir os efeitos dessas condições climáticas, com baixa oferta de folhosas.
O calor intenso e a falta de chuva devem continuar preocupando os produtores de alface situados no cinturão verde paulista neste mês em março. Conforme as previsões da Somar Meteorologia, as chuvas não serão tão volumosas neste mês. Caso essa previsão se confirme, os níveis dos reservatórios devem se manter ainda baixos e limitar a produção de alface. Isso está relacionado ao fato dessa hortaliça ser um dos produtos mais sensíveis aos impactos climáticos. Em fevereiro, o clima quente e seco prejudicou grande parte da produção de alface na região paulista. Muitos produtores calcularam perdas de até 30% nas roças. Os viveiristas, por sua vez, também tiveram perdas na produção de mudas na ordem de 20%.
As alfaces não se desenvolveram corretamente, resultando em produtos de pequenos portes, com cabeças deformadas, no caso da americana, e apresentando folhas secas, murchas e amareladas. Tais perdas foram principalmente observadas nas plantações com mulching, que, devido ao forte calor, “cozinhou” as alfaces. Porém, mesmo com estas perdas relatadas, os grandes produtores conseguiram investir na produção e continuaram a comprar mudas para aproveitar os atuais preços elevados das alfaces, repor as perdas e, assim, obter lucros. Já os produtores de menor porte não conseguiram manter a produção com qualidade.
Batata
Fevereiro foi marcado por estiagem no início do mês e excesso de chuvas no final em algumas regiões produtoras de batata. No sul de Minas Gerais esse cenário foi evidente. Na primeira semana do mês o clima era predominantemente quente e, nesse período, os tubérculos foram vendidos a preços mais baixos em relação aos das outras praças produtoras, como Guarapuava (PR), uma vez que a oferta era elevada e, a qualidade, inferior. Já na segunda semana do mês, as chuvas se intensificaram, interferindo na colheita de batata e proporcionando menor oferta, o que resultou em alta dos preços.
A mudança do cenário climático também ocorreu nas regiões de Água Doce (SC), Ibiraiaras e Bom Jesus (RS) e Guarapuava (PR). A chuva já era bastante aguardada pelos bataticultores dessas regiões, que sentiam os reflexos da estiagem atípica deste verão.
Cebola
As condições climáticas dos primeiros meses de 2014 em São José do Norte (RS) também prejudicaram a cebolicultura local. A região registrou altas temperaturas e, ao mesmo tempo, significativos volumes pluviométricos, sobretudo a partir de meados de janeiro, o que prejudicou a cultura, resultando em perdas significativas na produção. A fim de se evitar uma comercialização imediata, evitando preços pouco remuneradores, produtores decidiram estocar parte da produção. Porém, não há infraestrutura adequada para o armazenamento das cebolas, o que resultou em elevado descarte na região gaúcha, que chegou a cerca de 20%, segundo colaboradores consultados pelo Cepea.
Com as chuvas no mês de dezembro na região de Irecê (BA), os níveis dos reservatórios utilizados como fonte para a irrigação das lavouras de cebola se elevaram. Por conta disso e também pelos bons preços recebidos, especialmente no segundo semestre do ano passado, produtores planejam aumentar os investimentos no cultivo de cebola na safra 2014.
Cenoura
Caxias do Sul, Antônio Prado e Vacaria (RS) terminam a temporada de inverno 2013/2014 da cenoura em março. A safra no Rio Grande do Sul foi favorecida pelas chuvas bem distribuídas e temperaturas amenas, resultando em boa produtividade: 59 toneladas por hectare. Mesmo com maior área de plantio, a expectativa para a safra de verão é de que os preços, de modo geral, continuem em bons patamares. No entanto, condições climáticas e de mercado podem afetar este cenário.
Em fevereiro, a oferta de cenouras esteve reduzida nas praças de Irecê e João Dourado (BA) e a tendência é que a oferta aumente a partir do final de abril e começo de maio. O motivo da baixa disponibilidade foram as temperaturas muito elevadas, que prejudicaram o desenvolvimento das raízes. Assim, o descarte esteve alto (30%, em média), aumentando os preços de forma gradual nas lavouras da região.
Redator: Ruralbr
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