Quinta, 02 de julho de 2026, 13:09h
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Procedimento mecanizado, sem contato manual, local adequado para armazenar o leite e a temperatura de quatro graus centígrados são alguns dos cuidados para cumprir a Instrução Normativa 62
Instrução Normativa 62 está valendo desde a última terça-feira (1º)
Começou a valer nesta terça (1º), a Instrução Normativa 62, que trata da qualidade do leite nas propriedades rurais de três regiões do país. De acordo com o Ministério da Agricultura (Mapa), quase 40% dos produtores do país ainda não estão adequados às novas regras.
André Desjardins Antunes é um exemplo. O produtor investiu R$ 120 mil na infraestrutura e no maquinário para a ordenha, na propriedade que fica em Piracicaba, no interior de São Paulo. Para a limpeza da ordenhadeira mecânica, um dos principais cuidados é com a qualidade da água, que é tratada com cloro e está em temperatura de 70 graus. “Ela pode ser o grande vilão. Pode ser o veiculador dos patógenos. Então, a qualidade da água na propriedade rural é importante”, explica o produtor.
Todo o procedimento mecanizado, sem contato manual, local adequado para armazenar o leite e a temperatura de quatro graus centígrados são alguns dos cuidados para cumprir a Instrução Normativa 62. A norma substitui outra Instrução Normativa, a 51, e muda os parâmetros para a contagem bacteriana total (CBT) e a contagem de células somáticas (CCS).
A CBT indica a contaminação do leite por microorganismos. O índice foi reduzido de 600 mil unidades formadoras de colônia por mililitro, para 300 mil unidades. A CCS demonstra se há inflamação da glândula mamária. O índice foi reduzido de 600 mil para 500 mil por mililitro.
A norma vale para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Produtores do Norte e do Nordeste têm mais um ano para se adequar à instrução normativa. As indústrias são as responsáveis pela realização das análises do leite, todos os meses. “O Mapa encomendou um relatório junto a rede brasileira de laboratórios, pouco tempo atrás, e cerca de 38% não se enquadravam ainda na normativa”, diz o engenheiro da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Tiago José Cavalheiro.
O produtor que cumpre as exigências da Normativa 62 costuma receber mais pelo litro do produto, são centavos que fazem diferença conforme o volume comercializado, garantindo faturamento. O analista Daniel Bedoya, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), acredita que o investimento para melhorar a qualidade do leite é pequeno e que a indústria tem papel decisivo para que todos os produtores façam as adequações necessárias. “Se a indústria não apoiar o produtor rural, com bonificação, ou mesmo com a penalização se ele trouxer um leite de pior qualidade, ele não terá o incentivo que necessita para o investimento na atividade”, aposta Bedoya.
Redator: Ruralbr
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