Quinta, 02 de julho de 2026, 10:54h
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Duas ovelhas prenhas da raça texel foram novo alvo dos criminosos
A grande extensão territorial do município de Piratini, que tem mais de 7 mil quilômetros de estradas vicinais, e o forte investimento de famílias do interior na prática da pecuária, instigam cada vez mais o crime de abigeato, delito já conhecido na região e que constitui-se, basicamente, no furto e abate clandestino de gado.
Em 2013, pecuaristas tiveram dezenas de animais furtados, sendo que em algumas ocasiões, eram carneados na própria propriedade. Além de bovinos e ovinos, chamou atenção o grande número de abate de equinos, que provavelmente tenham tido sua carne misturada com a de outros animais, na fabricação de linguiças.
Na madrugada de sábado (5) para domingo (6), abigeatários fizeram uma nova investida no Passo do Moinho, 2º distrito. Desta vez, o alvo dos ladrões foram duas ovelhas prenhas da raça texel, carneadas no campo do criador Ovani Goulart Dias, de 75 anos.
No local, foram deixadas as cabeças, patas e fetos dos ovinos. Segundo relato de Dias, os cães estavam alarmados. No entanto, como chovia na hora do delito, ele não saiu de casa para averiguar o que acontecia.
Já na segunda-feira (7), seu filho, Adil Fagundes, de 50 anos, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia local, onde narrou o ocorrido. Todavia, Fagundes disse estar cético de serem encontrados os autores do crime. "Tivemos um prejuízo estipulado em R$ 500. Mas não temos nenhuma expectativa de que se faça justiça. Infelizmente é trágica e insegura a vida de quem mora no interior", revelou.
O delegado, Maurício Sampaio, titular da DP de Piratini, salientou o trabalho realizado pela polícia. Entretanto, admitiu a dificuldade em combater essa prática. "Na maioria das vezes, o crime é cometido pela noite e as vítimas não tem suspeitos. Acredito que estes fatores, aliados a extensa área rural, prejudiquem as investigações", mencionou.
Outro grande problema, e que muitas vezes frustra o trabalho da polícia, é como é tratado o crime, tipificado no Art. 155 do Código Penal como furto. Contudo, tramita na Câmara dos Deputados o projeto de lei 6999/2013, que prevê punições mais severas para o abigeato e comércio de carne e outros alimentos sem procedência legal.
Conforme o teor do projeto, dados recentes demonstraram que o abigeato é responsável por 20% dos abates clandestinos de animais no Rio Grande do Sul, segundo a Secretaria de Agricultura do Estado. "É importante que se ressalte que além do produtor, e talvez de forma mais danosa, o abigeato atinge toda a sociedade. Trata-se de uma prática criminosa que é a raiz de outras tantas violações à segurança e à saúde pública", redige o documento.
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