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25-07-2014

Agricultor canguçuense de 77 anos mantém trabalho diário na lavoura


Foto: Xiru Gonçalves Adolfo Borchardt com a esposa, uma filha e dois netos no depósito onde a família armazena o milho da colheita

Adolfo Borchardt passou para os netos o gosto pela agricultura, atividade que mantém há mais de cinco décadas


O dia 13 de novembro de 1966 ainda está vivo na memória do agricultor Adolfo Elert Borchardt (77). Natural de Iguatemi, 2º distrito, ele trocou a localidade ao adquirir uma área de terras em Faxinal, 3º distrito. A família e os sonhos vieram juntos. Ambos eram partes indissociáveis na trajetória do descendente de pomeranos. A data da mudança pode não ter sido esquecida, mas as profissões foram tantas em quase oito décadas de vida que o aposentado tem dúvida ao enumerá-las. “Já fui comerciante, agricultor, caminhoneiro, pecuarista e também tive uma serraria. Acho que me encaixo em qualquer atividade, menos roubar”, adverte, bem-humorado.



Os furtos, aliás, se constituíram no principal motivo que o levou a abandonar a pecuária. “Em 20 anos levaram 72 animais. Daí decidi parar”, explica. Mas o que os ladrões não conseguiram intimidar foi a disposição de seu Adolfo para o trabalho. Ele é conhecido na região como um exemplo de vigor e dedicação ao que faz.


A confirmação disso veio na entrevista que o aposentado concedeu ao Jornal Tradição Regional esta semana. A reportagem chegou de surpresa em sua residência no domingo pela manhã. Toda a família estava no depósito que abriga a colheita. A esposa, uma filha e dois netos participavam do tradicional ritual de debulhar o milho e armazená-lo em sacas que serão mais tarde comercializadas. Seu Adolfo explica que os netos estão em férias escolares e fazem questão de “participar da brincadeira”. A pequena Marcela Thurow, de 10 anos, confirma e mostra, orgulhosa, o funcionamento de uma tecnologia popular com mais de 200 anos: a máquina de debulhar milho. Ela e o irmão Cristian encaram a atividade como uma diversão.


Da lavoura cultivada pela família vem a colheita de milho, feijão, abóbora, batata, cebola e alho. Os descendentes de pomeranos plantam de tudo e revelam, entusiasmados, que boa parte do que consomem na mesa vêm da própria lavoura. Nas horas vagas o agricultor tem um passatempo que o faz percorrer os arroios da região. “Gosto muito de uma pescaria de caniço. É meu vício”, confidencia.


Motorista desde 1959, Adolfo Borchardt considera que a estrada e o período em que atuou como caminhoneiro, o ensinaram boa parte do que aprendeu na vida. Ele explica que devido as dificuldades frequentou a escola por apenas cinco meses. A limitação nos estudos não o impediu de aprender a falar três diferentes línguas: pomerano, alemão e o português. “E também falo castelhano: harina, perro, maíz...”, relata, entre uma risada e outra, o descendente de imigrantes. Em seguida ele faz questão de explicar o significado de cada palavra que havia pronunciado em espanhol.


Aposentado há mais de dez anos, o agricultor não cogita deixar a moradia onde vive há quase cinco décadas. Uma sugestão para residir na cidade é sinônimo de recusa imediata. “Nem se me derem de presente todas aquelas coisas que têm lá! Eu gosto mesmo é da lavoura, da terra”, garante. A preferência pela vida rural permanece inabalável no cotidiano do trabalhador que não pensa abandonar a lavoura tão cedo. “Enquanto eu puder caminhar, vou plantar sempre”, finaliza.


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