Quarta, 01 de julho de 2026, 11:57h
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Cada vez mais, as indústrias gaúchas e brasileiras optam pela qualidade do leite a ser usado em seus produtos, ao invés de privilegiar a quantidade. Com essa escolha, os principais beneficiados são os criadores de gado Jersey. Atualmente direcionado sobretudo, a área industrial, o animal é conhecido por produzir uma quantidade maior de sólidos, o que possibilita a estas empresas a ampliação de produtos aos seus consumidores. Este é um dos motivos que tem gerado cuidado e chamado a atenção de produtores na Região Sul do Estado.
Sendo uma das atrações da Expofeira de Pelotas de 2014, a raça já possui 93 animais inscritos, e a expectativa é de que, na pista, o número supere os últimos dados da Expointer de Esteio, que teve 56 animais na pista. “Nós desejamos colocar um número mínimo de 80 animais”, conta o presidente da Associação de Gado Jersey de Pelotas, Darci Bittencourt.
Ele, que também é funcionário da Embrapa Clima Temperado há 36 anos, já foi, por exemplo, assessor técnico da CPI do leite na Assembleia Legislativa, e membro da Câmara Setorial do Leite no governo de Yeda Crusius. A ligação com a atividade leiteira, relembra, teve início dentro da própria Embrapa, quando ele trabalhava com o setor de gado de corte. Observando que os que trabalhavam com isso tinham recursos, percebeu que o ramo do leite seria um filão interessante, e onde os recursos dos envolvidos era menor. Desde então, nunca mais se desligou do setor leiteiro.
Agora, tantos anos depois, Bittencourt está com as melhores expectativas para a raça do gado na Expofeira de Pelotas, principalmente pelo momento descrito, onde indústrias apostam no leite produzido pelo Jersey. “Os produtores estão se dando conta disso e buscando mais conhecimentos, até para melhorar a qualidade do seu leite”. Haverá ainda, um leilão supremo da raça, que será realizado a partir das 12h de sábado (11), na pista central do parque Ildefonso Simões Lopes. “O importante do leilão é que são animais de qualidade. Não são descartes. Tem leilões que os produtores levam para vender aqueles animais que desejam descartar da propriedade. Aqui nós iremos vender animais de primeira linha”, conta.
Em entrevista ao JTR, ele, que é economista com mestrado em sociologia rural, faz questão de explicar a diferença entre o gado Jersey e o gado Holandês, que também poderá ser encontrado na feira. Segundo Bittencourt, o Jersey produz menos volume de leite (o holandês pode chegar a 70 litros diários, enquanto no Jersey, 45 litros já é considerado uma excelente). No entanto, no gado Holandês, a média de gordura fica entre 3,2, 3,3%, enquanto o índice de gorduras no Jersey fica entre 4,5, 5%. O leite do Jersey também tem uma pigmentação mais amarelada, além de ser mais cremoso. “Todo o produto feito com leite Jersey tem um sabor diferente. Existe uma empresa em Goiás que trabalha com sorvete e paga mais 20 ou 30 centavos pelo litro de leite do gado Jersey, em função do benefício que tem produzindo aquele produto com esse leite.” Ainda conforme o pesquisador da Embrapa, as principais características da raça são a precocidade e a longevidade, com novilhas que dão cria pela primeira vez entre 20 e 24 meses de idade, dando uma cria e uma lactação a mais durante a vida reprodutiva.
Ele frisa ainda, que a Associação de Criadores de Gado Jersey existe há aproximadamente 25 anos, mas somente este ano deixou de ser o núcleo dos criadores para se tornar associação. “Nós temos buscado incentivar os produtores no sentido de melhorias no sistema de recria. De um modo geral, hoje em dia, o produtor desenbolsa em tudo o que faz. De que vale tu ser associado a uma entidade que não te dá nada. Nós temos essa visão de que a associação tem que proteger o produtor, dar vantagens ao associado.”.
Ele também da uma dica aos produtores. Segundo ele, o ideal não é cruzar as raças, como alguns criadores fazem, mas sim ter gados dos dois rebanhos, e cruzar apenas o leite das duas raças, pois assim a genética dos animais não será modificada.
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