Quarta, 01 de julho de 2026, 11:56h
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Presidente da Associação Rural de Pelotas explica expectativas e objetivos da Expofeira
Chegando em sua 88ª edição, a Expofeira de Pelotas costuma atrair milhares de visitantes todos os anos ao parque Ildefonso Simões Lopes. O evento, promovido pela Associação Rural de Pelotas, tem se tornado uma vitrine para o agronegócio da Zona Sul, o que satisfaz o presidente da entidade, José Fernando Quadros De Leon. Em entrevista, ele conversou com o Jornal Tradição Regional na semana que antecedeu a maior feira do gênero na região, lembrando de histórias e falando, com firmeza, sobre o que a feira tem como propostas e objetivos do evento.
A vitrine ao qual De Leon se refere procura manter os habitantes das zonas rurais informados sobre as novidades do meio. Palestras e seminários sobre ovinocultura, bovinocultura, criação de cavalos e plantação de florestas, por exemplo, fazem parte da extensa programação que pode ser encontrada na sede da associação. “A Expofeira se torna um minicongresso do agronegócio”, afirma.
No entanto, mais do que isso, o principal desafio e objetivo da entidade é promover, de forma efetiva, uma conexão entre o homem do campo e o homem da zona urbana. Segundo ele, a feira é um espaço fundamental para que agricultores e produtores exponham o agronegócio, mostrando o quanto é indispensável para o equilíbrio da economia, não apenas local e estadual, mas de todo o país. Para o presidente, o homem do campo deve mostrar o seu trabalho, para acabar com a visão romântica de algumas pessoas, de que o meio rural é permeado por grandes fazendeiros, homens ricos que viriam para a cidade somente gastar dinheiro e fazer novos negócios. Ele explica que o trabalho do homem do campo é árduo, assim como o feito em uma indústria ou firma. Em caso contrário, o campo também sairia perdendo. “Temos que aprender o porque do agronegócio ser hoje um dos mantenedores da economia do país”, explica.
Segundo De Leon, a feira infelizmente ainda sofre com a falta de interesse de algumas indústrias da própria região, que optam por mostrar seus trabalhos e fazer exposições em cidades distantes de Pelotas. Ele explica que isso ocorre, em parte, devido a estagnação econômica que assolou o local nos últimos 40 anos, período em que “ninguém expunha nada, ninguém negociava, ninguém mostrava nada”. “Isto permaneceu na nossa região, e as pessoas ficaram extremamente retraídas. Nós temos que nos valorizar mais. É um problema de autoestima. Nós temos uma baixa estima, por isso temos tanta dificuldade de mostrarmos o que fazemos, e ao que viemos”, conta.
Por esse motivo, ele relata que o principal desafio da Associação Rural de Pelotas é fazer com que as pessoas acreditem na feira, e percebam que o evento pertence a todos. “Nós temos que mostrar o que aqui se faz.” A procura, a cada nova edição, é o aprimoramento do evento. Para isso, além da programação e das obras de manutenção do parque onde a feira se realiza, a entidade também tem buscado parcerias com órgãos como a Prefeitura de Pelotas. A ideia é que esses projetos, que visam a urbanização do parque, ocorram em um prazo curto de tempo. Entre as novas ideias, está a implantação de um hotel cinco estrelas, pista de provas cobertas e centro de convenções. “Queremos brindar Pelotas e a região sul com um belo parque. Queremos um local onde as pessoas possam fazer caminhas e cavalgar com segurança, e um local onde as pessoas possam vir aqui fazer churrasco, piquenique, e assim por diante. E se criar aqui um shopping rural, onde o homem do campo saiba que vai chegar a esse parque e que irá suprir todas as suas necessidades, e poder voltar para casa, não tendo que ficar perambulando dentro da cidade um dia inteiro para comprar meia dúzia de produtos”, descreve.
Criador da raça de gado Jersey, De Leon não é conhecido apenas por causa da Expofeira. O médico, de 68 anos e natural de Dom Pedrito, tem como outro de seus orgulhos a criação, em 1976, do serviço de hemodiálise em Pelotas. Aposentado pela Universidade Federal de Pelotas, afirma agora ter mais tempo para se dedicar a associação. “Temos um ambiente muito saudável. São pessoas que se reúnem para discutir problemas da sociedade. É uma coisa a qual nos doamos, na tentativa de melhorar a comunidade”, finaliza.
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