Quarta, 01 de julho de 2026, 11:56h
Home Rural
Rodrigo Costa mostra programação da feira junto ao presidente da Associação Rural, José Fernando Quadros De Leon
Rodrigo Costa, coordenador do evento, fala sobre a importância da feira para a Região Sul do Estado
A segunda maior feira do estado do Rio Grande do Sul em número de animais. Este é um dos elogios feitos por Rodrigo Costa, coordenador da Expofeira de Pelotas. O evento, que teve início na última segunda-feira (6), marca uma transformação cultural e econômica para a Região Sul. Realizada há 88 anos pela Associação Rural do município, a feira tem conseguido atrair, cada vez mais, agricultores da Zona Sul. E não são só os grandes produtores, como muitas pessoas já pensaram um dia. Um rótulo que os próprios sócios da associação tentam evitar. Por isso, desde o ano passado, o pavilhão do desenvolvimento regional foi modificado, se tornando um espaço para a agricultura familiar. “Se rompeu uma barreira ideológica”, explica, complementando que, em 2014, o pavilhão virá com acréscimo de 80% em relação ao ano anterior. “Ele já anda com as próprias pernas”.
Para o coordenador, essa transformação, que também é social, é reflexo de uma série de fatores, como o fato dos associados desejarem, cada vez mais, afastarem o estigma de uma entidade aristocrática. Segundo ele, a comunidade já consegue perceber a função social do evento, responsável por mostrar “as coisas da nossa terra”.
O crescimento pode ser sentido no público que frequenta a Expofeira. Na última edição, mesmo concorrendo com a inauguração do shopping da cidade, o evento recebeu a visita de 35 mil pessoas, mesma expectativa para a atual edição. Costa lembra, no entanto, que a feira possui características do setor primário e, por este motivo, depende de como o clima se portar, principalmente nos finais de semana. “Se der um fim de semana chuvoso, esta estimativa de público cai para 15 mil pessoas. Se der um fim de semana ensolarado, com a programação que temos, podem aparecer 70 mil pessoas”, afirma.
A atração principal, que são os animais, também chamam a atenção. Incluindo exposição de aves e cavalos crioulos, entre outros, a Expofeira só perde, em número de animais, para a Expointer, realizada em Esteio. Em 2013, eram dois mil animais, número que deve ser ultrapassado a partir do dia 6 de outubro. A expectativa de negócios e consequente movimentação de dinheiro também é crescente a cada nova edição. Costa explica que, no último ano, chegou a conclusão de que a feira havia movimentado entre R$ 12 e R$ 14 milhões. O número, se comparado com o evento de Esteio, pode parecer baixo, mas representa um grande impacto social na região. “Não dá para comparar com feiras realizadas na época de vendas de maquinário, por exemplo. Esse tem sido um desafio. Ela tem crescido em venda de veículos, de máquinas agrícolas, todos os anos. Ela não tem espaço para chegar em uma Expodireto, nem em uma Expointer. Pela época em que está, não é a proposta. Teria então que ser em maio. Mas não seria remate de primavera”.
A responsabilidade social da feira é, porém, o que mais agrada a Rodrigo Costa durante a entrevista concedida para o Jornal Tradição Regional. Envolvido com os últimos preparativos e com os compromissos típicos dos dias que antecedem um evento como esse, ele conseguiu uma brecha na agenda para explicar, com orgulho, a forma como a Expofeira traz visibilidade política para a Zona Sul e seus produtores rurais. Segundo ele, a ocasião proporciona a discussão de todos os gargalos da cadeia produtiva, promovendo o momento político para sensibilizar os governantes sobre a necessidade de políticas públicas para atender, desde cadeias produtivas tradicionais, como a do leite e arroz, como as que precisam de mais estímulos, como a da vitivinicultura. Está, inclusive, é uma vertente que encontra um espaço na Expofeira, considerado importante para municípios como Pinheiro Machado. “Nós propiciamos esse momento político. É por isso que ela é uma feira de integração rural urbana. Trazemos a realidade do homem do campo para o cidadão urbano, para o eleitor, e demonstramos para essas pessoas do que vive a população da zona sul: do agronegócio.”
Um dos desafios também citados pelo coordenador é o de trazer os grandes grupos, como a Universidade Federal de Pelotas, para dentro do Parque Rural, ponto que ele considera ótimo, com amplo estacionamento, além da feira possuir o apoio da mídia. “Queremos o apoio para darmos as mãos, trabalharmos juntos”. Para ele, é de extrema importância que a comunidade compreenda que a Expofeira de Pelotas pertence a todos, e que é melhor ser uma pequena parte de um grande projeto, do que ter um projeto que não significa nada. “Ainda tem muita gente focando o próprio umbigo, achando que a Expofeira de Pelotas não é problema delas, que os eventos da nossa região não são problemas delas.” Ele afirma que, com o alto número de visitantes que o evento tem recebido, é impossível não chamar a atenção e conquistar apoio de alguma autoridade política. Além disso, ele crê que a feira pode lotar a rede hoteleira e aumentar o potencial turístico do município.
Por esses motivos, o aperfeiçoamento do evento é uma busca constante. Além da exposição de animais, existem as atrações culturais, como o show nacional da dupla Bruno e Marrone. A infraestrutura é outra preocupação. Os shows agora são realizados em uma área fechada, diferentemente de outras ocasiões. Os banheiros, aos quais Costa se refere, com uma risada, como uma de suas obsessões, um dia já foram problemas e geraram reclamações, mas agora estão no nível dos sanitários vistos nos aeroportos brasileiros. Ele também lembra, ainda, que mais que infraestrutura, também é necessário pensar em prestação de serviço, com uma pessoa que mantenha os banheiros limpos.
A Expofeira de Pelotas será realizada até o dia 12 de outubro, no Parque Ildefonso Simões Lopes. De segunda à sexta-feira, não é cobrada entrada, sendo necessário apenas pagar o valor do estacionamento. Nos sábados e domingos, crianças até 12 anos não pagam, enquanto adultos pagam R$ 10 por pessoa.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados