Segunda, 29 de junho de 2026, 17:02h
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Escritório municipal da Emater/RS tem sede nas instalações da Prefeitura de Arroio do Padre e conta com equipe formada por extensionistas rurais
O Escritório Municipal da Emater/RS - Ascar de Arroio do Padre compõe a microrregião administrativa II da instituição e apresenta uma equipe atual com quatro extensionistas rurais composta por um engenheiro agrônomo, um engenheiro agrícola, uma técnica agrícola e uma extensionista da área social e chefe de escritório, este último cargo ocupado por Ângela Vellinho Vieira, que concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Tradição Regional e esclareceu as atividades e focos de trabalho da instituição nessa região.
A Emater, principal apoiadora da Prefeitura de Arroio do Padre no desenvolvimento da agricultura na região, articula suas ações em quatro áreas principais: inclusão social e produtiva, segurança alimentar, geração de renda e bovinocultura de leite. Dentro da programação, durante os dois dias da 13ª Festa Municipal a Emater ficará responsável pela mostra de gado leiteiro e pelo estande institucional.
Durante o ano de 2014, o destaque de sua atuação ficou por conta da execução dos programas de irrigação do governo do Estado, entre eles o “Irrigando Agricultura Familiar”, no qual foram excetuados 24 projetos com construção e regularização ambiental de microaçudes e implantação de sistemas de irrigação, totalizando R$ 238 mil em recursos utilizados. Além disso, também foi implantado o programa “Mais Água Mais Renda”, onde seis projetos foram executados nestes mesmos moldes.
Quanto à inclusão social e produtiva, os dados recolhidos mostram que foram beneficiadas diretamente 20 famílias de baixa renda, através de projetos agropecuários, participação de cursos e capacitações para geração de renda, utilizando os recursos do governo Federal.
Já no escritório municipal, foi registrado o atendimento de 200 pessoas por mês, para os mais variados assuntos e temas ligados à agricultura familiar, resultando na elaboração de 59 projetos de crédito rural e injetando R$ 1.6 milhão no município.
Bovinocultura de leite
Na busca de implementar novas alternativas, a Emater está desenvolvendo um programa especial, que atende a uma chamada pública do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para a bovinocultura de leite, no sentido de estimular e melhorar a produção leiteira na região. “Em função disso, nesse primeiro ano de projeto nós não aumentamos a produção, mas melhoramos a infraestrutura dos estabelecimentos rurais. São dois anos de programa, onde nós recebemos uma verba especial para a capacitação desses agricultores, de modo que eles tenham melhorias na atividade. Portanto, resolvemos investir primeiramente nessa infraestrutura”, explica Ângela.
Já no segundo ano, o plano é que a alimentação do gado leiteiro, a introdução de novas pastagens e a capacitação dos produtores sejam as próximas etapas do programa, assim como pautas que envolvem melhorias genéticas e a relação com a boa alimentação animal, uma vez que a maioria dos envolvidos já trabalha com inseminação artificial. Em função disso, 60 agricultores familiares do município já receberam assessoria técnica, capacitação e troca de experiência dentro desses programas de incentivo.
Fumo: a cultura que ainda predomina
O fumo ainda é a principal base econômica dos agricultores de Arroio do Padre e região. Não há concorrência ou outra saída, essa é a realidade que amarra as mãos de quem tenta encontrar alternativas e fugir dessa monocultura. A equipe da Emater mostra que não existe migração: o fumo ainda ocupa 90% da produção. “Tudo que a gente procura incentivar aqui é como alternativa e não como uma forma de substituição. São praticamente duas safras de fumo por ano, a rentabilidade é enorme e fica difícil ‘competir’ com isso. A gente sabe que essa produção vai se extinguir, a tendência é ir diminuindo até terminar e não gostaríamos que essa migração fosse de uma hora para outra”, diz.
A produção do fumo ainda apresenta a garantia da compra e venda, que por muitas vezes não é encontrada em outras atividades, fazendo com que se crie grande dependência de uma alternativa que além de lucrativa também se mostra consideravelmente cômoda.
Novos caminhos
A olericultura - área da horticultura que abrange a exploração de hortaliças e que engloba culturas folhosas, raízes, bulbos, tubérculos, frutos diversos e partes comestíveis de plantas - se destaca na lista dos incentivos da Emater que, em parceria com a Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (COOPAP), atua por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), programas nacionais que incentivam e contribuem financeiramente para o desenvolvimento das produções. Esse estímulo acontece quando se torna necessário que ao menos 30% dos alimentos produzidos pelo município sejam destinados às merendas escolares, em forma orgânica ou em transição agroecológica, o que abre espaço para novas práticas, onde os produtores possam ter, no mínimo, sua horta doméstica para autoconsumo, ou até mesmo a produção necessária para esse repasse.
“Além de ser um trabalho prejudicial a médio e longo prazo, no que se refere à saúde do agricultor ou da agricultora, o fumo também descaracteriza essas famílias, já que não existe uma produção de alimentos nem para o próprio consumo”, afirma Ângela. Além de tentar captar os grupos que estão considerando abandonar a monocultura em questão, o plano de ação também estimula outras opções de produção, como por exemplo, a introdução da cultura do morango. Aos poucos, essa ideia reflete em uma boa aceitação das famílias da região, levando em conta a sua boa rentabilidade, bom valor de mercado e a exigência de uma mão de obra menos rígida, se comparada às outras culturas. “Nacionalmente, o Brasil não consegue abastecer nem o mercado in natura. Então, as atenções ficam voltadas ao sistema hidropônico*. Dois produtores da nossa região já implantaram esse sistema e nesse meio existe uma grande preocupação com qualidade de produção e qualidade de vida”, conta a técnica agrícola Paula da Fonseca.
Participação da comunidade
Ângela enfatiza que a participação dos agricultores da região é forte e isso dá continuidade ao desenvolvimento da bacia leiteira e da agricultura familiar, na busca de uma variação para o fumo. Um exemplo disso foi a oficina de caldas naturais, realizada na última semana no município e que contou com cerca de 80 participantes que demonstram interesses voltados a esse tipo de produção.
Em um caminho oposto caminha a parcela jovem da população dessa região. A necessidade em dar continuidade à vida estudantil e as ofertas de emprego tem tornado frequente a saída das gerações mais novas para cidades maiores como Pelotas, fazendo com que se perca a continuidade do trabalho familiar que, por muitas vezes, não é incentivado nem mesmo pela própria família. Um processo natural que apesar de penoso para o futuro da agricultura familiar e regional, faz parte da nova realidade na qual essa juventude está inserida.
*Hidroponia é a técnica de cultivar plantas sem solo, onde as raízes recebem uma solução nutritiva balanceada que contém água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta.
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