Segunda, 29 de junho de 2026, 17:03h
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O desafio de produzir maçãs em Arroio do Padre não assusta Wilson Behling, principal produtor no município. Ele próprio brinca com a forma como é conhecido pelos moradores: o “homem das maçãs”.
O produtor tem 7 hectares na área de Pelotas e 6 hectares na área de Arroio do Padre plantadas exclusivamente com a fruta. Além disso, ainda possui 4 hectares com ameixas e pêssegos. Segundo ele, este ano ocorreu muita chuva, além das maçãs terem sofrido com fungos. Mesmo assim, afirma que não pode se queixar do resultado da produção. As perdas fizeram com que a fruta fosse vendida com preços menores, mas mesmo assim, a safra pôde ser considerada normal. Atualmente, Behling tem entre 16 e 17 mil pés de maçãs, o que significa uma produção de aproximadamente 20 toneladas por hectare. “Mas é pouco. Este ano eu tinha condições de chegar a 30 toneladas, mas devido aos problemas que ocorreram, não foi possível. Conseguimos colher isso, mas não aproveitar tudo”, explica.
De acordo com Behling, o tipo de maçã que produz, a Eva, precisa de 300 horas de frio, mas com o clima no último ano, se alcançou apenas 200 horas, o que também prejudicou a produção. “É complicado. Às vezes o clima não é favorável. Mas temos que ir driblando essas situações”. Ele afirma também esperar que as maneiras que tem aprendido de produção ecológica com a Emater avancem e deem certo para que possa parar com o uso de agrotóxicos futuramente. “O consumidor se assusta com os agrotóxicos. Imaginem então eu, no meio dessa nuvem de veneno. Não nos sentimos bem com isso. Queríamos uma forma de não usar mais, pois todos ganhariam com isso”, diz. No entanto, ele lembra que sair dessa situação não é uma tarefa fácil, e que precisa ser pensada a longo prazo, já que, hoje, ainda não existe uma alternativa capaz de substituir o produto com o mesmo efeito. “A existência de um produto que substituísse o agrotóxico seria uma grande vitória para os agricultores e para os consumidores”.
Behling, que tem 61 anos, vive no local desde 1991. A plantação de maçãs na propriedade iniciou no ano de 2000. Perguntado sobre o porquê da escolha pela maçã, ele explica que sua família sempre trabalhou com a fruta. Um dia, ao acompanhar uma poda das plantas, começou a se interessar pelo assunto, e ao ouvir sobre uma variedade que precisava de menos frio, acreditou que seria possível produzir em sua propriedade. Ele começou com mil plantas, e ao perceber que daria certo, tratou de plantar mais 3 mil pés, aumentando a produção.
Behling começou sozinho. O irmão arrendou uma terra em Encruzilhada do Sul, e tentou convencer Behling a ir para lá também. Ele, porém, preferiu permanecer em Arroio do Padre.
A colheita costuma ocorrer durante o mês de janeiro. O máximo alcançado por Behlig, lembra, foi 175 toneladas totais no ano de 2006. “Este foi o meu melhor ano. Cheguei a vender a fruta até para Vacaria, considerada a terra da maçã”, recorda, afirmando que na ocasião enviou 95 toneladas para o município, fato que nunca mais se repetiu. Na época, ele possuía 7 hectares plantadas, o que significa que houve um rendimento de 25 toneladas por hectare. “Foi um clima favorável, bem o que a fruta precisava e queria. A maçã saiu vermelha, bonita, saborosa”.
Behling afirma ainda que este ano, por influência do clima, a maçã está mais doce, além de ter dado um padrão muito bom. Para a 13ª Festa Municipal de Arroio do Padre, 19º Aniversário de Emancipação e 9ª Festa Regional do Caqui e da Maçã, ele tem quatro toneladas prontas para enviar. Baseado em outros anos, a expectativa é vender um número maior que esse.
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