Segunda, 29 de junho de 2026, 14:46h
Home Rural
Capão do Leão não é um município que apenas sedia um dos campus da Universidade Federal de Pelotas ou terra das famosas pedreiras. O local, que tem uma área de 785.374 m², tem na agricultura uma de suas principais fontes de renda. Por esse motivo, a presença de um órgão capaz de lidar com o assunto se torna imprescindível, e é aí que entra o escritório da Emater-RS. A responsável pelo bem estar no escritório leonense, Cristina Costa Schramm, explica que o trabalho no município é feito através de cinco pilares para 2015, que foram decididos em reunião no final do ano passado com entidades parceiras. Os eixos, que serão fundamentais e desenvolvidos são a parte de solos, bovinocultura do leite, segurança e soberania alimentar, pecuária familiar e a produção de base ecológica. Todos esses projetos estão em andamento, e possuem metas para serem cumpridas. De acordo com Cristina, atualmente, em função da situação econômica do país, a entidade está com corte de gastos, no entanto, isso não impede que esses projetos sigam em frente.
A responsável pela Emater leonense relata que, infelizmente, a quantidade de pessoas no meio rural vem diminuindo ao longo dos últimos anos. O êxodo rural atinge, sobretudo, aos jovens. Um dos motivos, segundo ela, é a proximidade com Pelotas. “Os aposentados não se atraem a sair daqui, até porque possuem uma vida tranquila”, explica. Porém, o meio rural enfrenta justamente a dificuldade do envelhecimento, já que estudos mostram que a maioria da população do interior tem entre 50 ou 60 anos. O principal problema nesse sentido é a falta de estrutura, que envolve transporte escasso e internet e telefonia ruins, levando os jovens a procurarem Pelotas para continuar os estudos e se qualificar.
A estiagem, que atingiu a diversos municípios da Região, não pode ser sentida de forma tão intensa em Capão do Leão. Houve prejuízos em algumas pastagens, mas as produções de soja e o consumo de água, por exemplo, não foram afetados. A soja, aliás, foi um dos produtos que mais aumentou no município, e atualmente tem 7.623 hectares plantadas. A produção de arroz representa 7.400 hectares plantadas. “O arroz sempre era bem mais. Mas com o crescimento da soja ele diminuiu um pouco”. A melancia, que já foi o tema principal de uma festa em Capão do Leão, está, na contramão, diminuindo cada vez mais. “Acredito que a festa irá se tornar da Melancia e outras potencialidades”, diz Cristina, relatando que esse ano houve, no máximo, 6 hectares plantadas com a fruta. No entanto, a principal renda dos que ficam na zona rural ainda é a produção de leite, que em 2014 rendeu 8,5 milhões de litros. Ao todo, são 48 produtores certos, mas este número pode oscilar e chegar a 54. Há aproximadamente quatro anos, chegaram a ser 94 produtores.
A Emater trabalha em parceria com o Sindicato Rural, Prefeitura e suas secretarias, e busca sempre a viabilização de projetos. A procura maior é para investimentos em lavouras. Mas outros programas também integram o quadro de realizações da entidade. Em 2014, por exemplo, foi desenvolvido o Brasil Sem Miséria, que beneficiou 15 famílias do meio rural enquadradas na extrema pobreza. A verba veio a fundo perdido, e foram estudadas as principais necessidades dos envolvidos. “Nós nos perguntávamos se acharíamos extrema pobreza no meio rural. E existe. Começamos a olhar, pesquisar, e foram diagnosticadas essas 15 famílias”.
Os dois assentamentos, o da Palma, oficializado no último ano, e o 24 de Novembro, também recebem atenção da Emater. São 38 famílias de assentados em Capão do Leão que produzem para subsistência ou para vendas. Alguns levam os produtos, como morangos orgânicos, de porta em porta. Questionada sobre o programa para aquisição de alimentos para merenda escolar, Cristina revela que o município possui, mas enfrenta um problema: ao saírem as licitações, ninguém se organizou para vender para a Prefeitura. “Nós já fizemos esse trabalho, mas ninguém se habilita”, diz. “Como eles já tem a clientela de porta em porta, pensam que não vale a pena”.
O artesanato também merece atenção especial. Segundo Cristina, há oito anos é realizado artesanato em lã. Todas as segundas-feiras, os artesãos se reúnem no bairro Jardim América. A matéria prima é comprada em parte com o apoio da Prefeitura e com o dinheiro que resulta da venda dos próprios produtos. A contrapartida do grupo de 10 pessoas é doar parte do trabalho, que inclui acolchoados, para a Casa da Criança e do Adolescente. O grupo da lã, e do artesanato em geral, irá participar, pela terceira vez, da Feira Nacional do Doce (Fenadoce).
Entre outras ações da Emater, está o mutirão de documentação para a trabalhadora rural. “Trabalhamos dois meses divulgando, para depois, o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Incra comparecerem no município e confeccionarem carteiras de trabalho, CPF e carteira de identidade”, lembra Cristina, contabilizando que foram feitas 158 carteiras de identidade, 120 CPFs e 35 carteiras de trabalho. O mutirão foi realizado em novembro, e outro deverá acontecer em 2015.
Outro desafio que a entidade pretende organizar, e vencer, este ano, é conseguir ter uma feira própria no município, como já ocorreu há alguns anos atrás. Hoje, os feirantes são de fora de Capão do Leão. “Infelizmente, o pessoal foi se desmotivando”.
O escritório municipal da Emater em Capão do Leão é composto, além de Cristina, pelo engenheiro agrônomo Paulo Roldán Pinto, os técnicos agropecuários Edenilson Batista de Oliveira e Ezequiel Avila Pereira da Silva, e pela assistente administrativa Liziane Blaz Pereira.
Fechar X
Fechar X
Av. Imperador Dom Pedro I, 1886, sala 1 - Bairro Fragata - CEP: 96030-350 - Pelotas/RS
E-mail: [email protected] / Telefone: (53) 3281 1514
© Todos os direitos reservados