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24-07-2015

Especial Colono e Motorista: A hortaliça como componente da mesa de produtos coloniais, em Piratini


Foto: Nael Rosa Família Milbratz apostou na produção de hortaliças por meio da agricultura familiar como segurança financeira e continuam com bons resultados

Na feira ao ar livre, onde associados da Associação de Produtores de Base Ecológica de Piratini (APROBECO) expõem para venda seus produtos, a maioria de origem puramente colonial, como queijos, geleias e cucas, a hortaliça ainda é item em menor quantidade, mas tanto como as demais mercadorias produzidas pelas mãos de quem herdou de gerações passadas o talento para extrair da terra o sagrado alimento, é adquirido e consumido por quem aprecia a presença de alimentos leves à mesa.


Casados há 19 anos, Solismar Milbratz, de 46 anos, e Iolanda Bersch Milbratz, de 40 anos, há nove anos apostam no seguimento para o crescimento financeiro da família.



Em 2006, Iolanda, que já produzia em pequena quantidade nos fundos da casa na cidade, pois o restante do tempo era dedicado ao trabalho em um mercado, decidiu pedir demissão da empresa para apostar no negócio.


As dificuldades não eram poucas, assim, a ajuda do filho Jadson, na época com 13 anos, no horário inverso da escola, já que o marido trabalhava em uma empresa de corte de madeira e só se somava a eles nos fins de semana, era a única que dispunha. “Abri mão da segurança da carteira assinada para produzir e vender também aos mercados da cidade. Não me arrependo”, garante Iolanda que, assim como o marido, é descendente de alemães que ajudaram a erguer colônias em Piratini e Canguçu, suas cidades de origem.


Demitido, depois de 15 anos de empresa, Solismar Milbratz, em definitivo, se juntou a esposa.


Com venda direta aos mercados, mas sem abrir mão da comercialização em pequena quantidade ao consumo em sua residência, eles conseguiram juntar recursos para comprar quatro hectares de terras com três quilômetros de distância da cidade e, diante disso, ampliar os negócios.


Com boa açudagem, ou seja, água em abundância, o que antes era um problema, eles utilizam, por enquanto, apenas um dos quatro hectares para plantar alface, couve, brócolis, repolho e outros vegetais somente com a utilização de adubo orgânico.


Com a faca que corta o talo e o fio que ata o manojo, a tarde é curta, já que no turno da manhã Iolanda cuida dos três filhos, enquanto o marido faz a entrega diária nos estabelecimentos clientes.


“Com o que produzimos aqui, fizemos nossa casa, compramos essas terras e em momento algum precisamos recorrer a financiamentos bancários. Nossos antepassados, como meu avô que veio da Alemanha com três anos, produziam leite, plantavam feijão, batata, soja e milho. Nós optamos pelas hortaliças e não nos arrependemos”, orgulha-se a agricultora de família de colonizadores.


A renda do casal gira em torno de R$ 3 mil por mês.


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